Skip to content

A Praia é pequena. Ótimo

A nossa Praia é pequena, tem pouca gente, tem poucas lojas e poucas ruas. Uma fatalidade. Uma desgraça que nos caiu em cima e que nos impede de crescer e desenvolver. Nunca seremos como Angra ou Ponta Delgada e, muito menos, como Lisboa. Que destino triste o nosso. Que sina. Má fortuna. Camões queixava-se do mesmo.

Em boa verdade, tudo para nós é uma fatalidade. Tudo para nós é um infeliz destino.

Se ao menos fossemos… se ao menos tivéssemos… se ao menos conseguíssemos estacionar quando e como quiséssemos… Sorte tem o Quim Barreiros que põe e dispõe de uma garagem à hora que bem quer e ali mesmo ao pé da porta. Que doçura…

Na Praia acabamos por nos conhecer todos, pelo menos de vista. Sabemos quem trabalha onde, que lojas estão abertas, quais são os mais simpáticos e quem nos deixa levar a roupa ou os sapatos a casa para os experimentarmos, só porque não temos pachorra para nos vestirmos e despirmos nos provadores apertados ou, simplesmente, porque é mais cómodo. Uma tristeza podermos fazer trocas, tantas vezes sem nos pedirem o recibo de compra. Um horror podermos pagar mais tarde porque, no último instante, nos apercebermos que a carteira ficou em casa. Um martírio termos que nos deslocar poucos quilómetros, em escassos minutos, para chegarmos onde tivermos que chegar. Para levarmos os miúdos à escola, ir ao supermercado ou até mesmo trabalhar.

Uma fatalidade esta pequenez geográfica. Uma fatalidade termos a praia de banho (só aqui lhe damos esse nome) ali debaixo dos nossos pés e nem nos lembramos que ela existe ou nem gostarmos de mar. Um drama conhecermos alguém que consiga fazer o bolo para o aniversário dos nossos filhos, mesmo que só tenhamos tido essa lembrança no dia antes, à noite. Uma miséria ter uma natureza luxuriante invejada e elogiada por tantos e que, para nós, é um estorvo a lama, a neblina e a brisa perfumada de azul e criptoméria. Má sorte esta a de termos qualidade de vida.

Que triste destino Deus nos deu. Merecíamos certamente muito melhor. Calhou-nos alcatra quando preferíamos picanha. Caiu-nos na rifa bifanas a pingar gordura em papo-seco quando tínhamos gostado mais de hambúrgueres a esguichar ketchup e maionese em pão congelado à venda no hiper. O destino ensinou-nos a fazer a maldita massa sovada e nós tínhamos preferido ficar com o bolo levedo. Deu-nos morcela e nós gostávamos mesmo era de salpicão. Ensinou-nos a temperar com cravinho e salsa e o que nós queríamos era cardamomo e coentros.

Que mania esta nossa de olharmos sempre para os outros e invejar a sina deles. Que feitio este que não consegue ver o lado positivo das coisas e dele tirar partido.

Gostamos do sofrimento e fazemos gáudio disso. Ai a minha vida… se tu soubesses… coitadinho… é penar, é penar…

A vantagem se viver numa cidade pequena como é a Praia é podermos ser pessoas, seres humanos. Viver sem pressa e deixar o stresse para os outros. É poder desfrutar do mundo e da vida e não deixarmos que o trabalho e os demais primatas sejam nossos donos e comandem o nosso destino. É termos que trabalhar para viver e não viver para trabalhar.

A Praia é pequena. Ótimo! É por isso que a não troco por nenhum outro lugar do mundo!

Slowliving

O conceito é conhecido e fácil de compreender. Colocá-lo em prática é bem mais difícil, mesmo que apetecível e com a praia a menos de dois minutos de distância. Hoje foi dia de passar da teoria à prática, pelo menos no que ao almoço e ao mar diz respeito. Gostei da ideia. Gostei ainda mais da prática.

rua de Jesus na Califórnia #2

São-Francisco-Califórnia-e1430153483326

Na passada semana, acompanhando um familiar meu que vive na costa leste dos Estados Unidos, tive a oportunidade de estar presente no I Encontro Intercalar de Investidores da Diáspora. Segundo a organização, estiveram presentes 111 investidores oriundos de 11 países diferentes. Se é verdade ou mentira, não sei. Não os contei. Mas que havia por lá muita gente, lá isso havia.

Não fazia ideia ao que ia. Pensava que as pessoas se iriam sentar à volta de uma mesa a darem ideias, a apresentarem soluções e a manifestarem preocupações. Confesso que me assustei com as primeiras intervenções a que assisti. Uma seca! Demasiado institucional, muitos discursos e uma preocupação extrema em transmitir informação positiva e headlines para os noticiários. A habitual propaganda oficial que só funciona ali dentro, em ambiente fechado e com a maioria das pessoas a desconhecerem a realidade do dia-a-dia dos praienses e dos portugueses em geral. O mundo daqueles discursos não é o mesmo mundo que se encontrava no exterior da Academia da Juventude e das Artes da Ilha Terceira, local onde decorreu o encontro.

Até que entra Vitor Fraga, o presidente da SDEA – Sociedade para o Desenvolvimento Empresarial dos Açores. Aí, tudo mudou. É bom ver alguém com um discurso prático, próximo da realidade e a saber o que diz. Apresentou projetos, apresentou caminhos, propôs soluções e não escondeu algumas dores de crescimento. Claro que não terá dito tudo, também é esse o seu papel, mas despertou curiosidade e captou a atenção da assistência. Explicou de forma simplificada os sistemas de incentivos e a forma de a eles recorrer, criando a sensação de que é possível.

Não é meu objetivo fazer aqui elogios a Vitor Fraga ou dizer que o homem é um fenómeno. Contudo, a sua apresentação pode servir de exemplo. Um exemplo a seguir. Mais exposições como estas deveriam ser feitas. Não só aos chamados investidores da diáspora, os que têm mais dinheiro ou que são mais conhecidos, mas às comunidades portuguesas em geral espalhadas pelo mundo, mais concretamente nos Estados Unidos e no Canadá. Haverá gente por aí que tem capacidade de investir e quer investir, mas não sabe em quê nem como. Que não sabe onde se dirigir e a quem se dirigir ou que não conhece ninguém que saiba que estas coisas existem e como funcionam. É, por isso, preciso fazer mais. Muito mais.

Existe tanta gente a querer fazer alguma coisa pela sua terra, mas que não faz a mínima ideia por onde começar. Encontros como estes podem ser o princípio. E, às vezes, só é preciso dar o primeiro passo.

Esta crónica foi transmitida durante o fim-de-semana no programa Voz dos Açores nas estações de rádio:

radioportugalusa.com

radiolusalandia.com

radiotvartesia.com

radiovozdosacores.com

radioazorescanada.com

a culpa é dos comerciantes

Imagem7

Tem sido frequente ouvirem-se as maiores críticas ao comércio local da cidade da Praia da Vitória quando o tema de conversa é a desertificação ou a falta de atratividade da rua de Jesus. É recorrente dizer-se que os comerciantes deveriam investir mais, melhorar as suas lojas, ter melhor produto ou mesmo que investissem em novos negócios, nomeadamente através de franchising. Diz-se também que a Praia deveria captar lojas âncora e as grandes cadeias de comércio a retalho ou de alimentação fast-food.

Tudo isso é verdade. Dever-se-ia poder fazer tudo isso. Deveria haver “criatividade” para tudo isso. Já explico as aspas da criatividade.

Este tipo de discurso é típico de quem não é comerciante ou que nada percebe do assunto e se limita a ser consumidor. Habitualmente estas tiradas são apresentadas pelas pessoas como se elas próprias tivessem descoberto a pólvora e pretensamente tivessem a solução para todos os problemas do comércio da cidade. “Como é que ninguém pensou nisto?” “Como é que nenhum empresário da cidade e do concelho teve semelhante rasgo de criatividade?” Estas pessoas pensam mesmo que é assim. Que nenhum empresário teve a inteligência e o arrojo suficientes para investir mais, para melhorar a sua loja, para ter melhor produto ou trazer um franchising para a Praia. Haverão certamente alguns que o não têm tido, que isto de falta de iniciativa e de se deitar à sombra do coqueiro à espera que o coco caia é coisa que existe em todas as atividades profissionais e o comércio não é exceção. Contudo, muitos já o pensaram e quiseram fazer. Existe um pequeno e simples detalhe: no Money! E eu acrescentaria: no clientes!

A realidade é que muitos destes criativos não fazem compras na Praia. Não frequentam a Praia, nem sequer para polir um pouco mais a calçada branca escorregadia. Tudo se desenrola à distância de um clique ou de um bilhete de avião em companhia low-cost, com dormida em pensão de uma estrela e almoço em rede fast-food. Quanto dinheiro tem ido para a Irlanda e para Lisboa? Rios dele e que tanta falta fazem na economia local. Dizem que se a Primark viesse para a Praia já não era preciso irem a Lisboa. Quem diz uma conversa destas revela em absoluto a sua ignorância sobre este assunto. Devem achar que trazer uma dessas lojas para a Praia é como abrir um chinês. Aliás, chinês que vê a sua clientela aumentar, mesmo que não assumida.

Esta “criatividade” de bancada não passa disso mesmo. Falar para não estar calado. Se realmente essas pessoas têm a solução para o comércio, peço encarecidamente que a partilhe com os demais concidadãos, talvez até conseguissem uma medalha de mérito no próximo dia da cidade ou mesmo uma rua com o seu nome. Em alternativa, podiam ainda fazer diferente, que fossem os próprios a implementarem as brilhantes ideias que têm. Se são assim tão boas e fantásticas é coisa para ficarem ricos em menos de nada. Atirem-se! Sejam ousados e criativos. A Praia precisa mesmo de gente como você! Fico à espera!

Artigo publicado na edição de hoje do Diário Insular.

rua de Jesus na Califórnia

Imagem1

Logo hoje, que queria começar uma nova forma de falar convosco, praticamente perdi a voz. Cá por casa, eu e os miúdos, estamos assim. Sendo que eu estou bem pior. A culpa é do tempo que, ora estão dias quentes como raramente estão nos Açores, ora temos noites frias e dias sombrios a lembrar que esta coisa do tempo, cá na terra, não é de fiar. Quem me ouvir dizer isto deve estar a pensar: sempre foi assim, qual é a novidade? A novidade é que eu ando com tanta vontade de férias e de calor que, ao primeiro raio de sol, me apresentei na rua como se vivesse aí na Califórnia. Resultado, uma grande constipação e uma roquidão de fazer inveja a qualquer Al Pacino!!

Mas hoje não vos queria falar de doenças e de tolices minhas. Ando para aqui a pensar se aquilo que semanalmente vos digo faz algum sentido. Será que as pessoas gostam da minha mensagem? Ou melhor, será que aquilo que escrevo faz algum sentido para quem me ouve ou lê? A minha crónica é escrita semanalmente no Diário Insular, o único jornal que atualmente existe na ilha Terceira, e versa sobretudo temas de interesse local, de ilha, e mais concretamente da Praia da Vitória. É natural que muitas pessoas nem sequer percebam do que estou a falar, que preocupações tenho ou que problemas são estes que se concentram numa rua a RUA DE JESUS.

Achei, por isso, que seria uma boa altura para fazer uma pausa e refletir. Hoje não vou ler a crónica de quinta-feira passada. Hoje vou explicar-vos ao que venho e pedir-vos que me digam o que pensam destas coisas que vou escrevendo.

A minha crónica publicada no jornal tem o nome de rua de jesus porque esse é o título do meu blogue. RUADEJESUS.COM

Para quem é da Terceira não são precisas muitas explicações sobre este título, mas compreendo que, para os outros, possa não fazer qualquer sentido.

A rua de Jesus é a rua principal da minha cidade, a Praia da Vitória. É provavelmente a rua mais bonita de todo o planeta! Atualmente vive um momento menos brilhante da sua história. Anda sem gente (agora no verão sempre vai andando mais animada) e o comércio perdeu o brilho de outros tempos. A rua de Jesus é só um símbolo do que se tornou a minha cidade. Uma cidade que foi pioneira em muitas coisas, que acolheu uma base militar, que tinha uma vida de fazer inveja às demais cidades açorianas e que hoje anda moribunda e sem saber muito bem para onde ir e como ir.

Isto preocupa-me. E preocupa-me muito. E o meu blogue e as minhas crónicas semanais têm esse propósito. Chamar a atenção para a minha terra. Falar dos seus problemas, o que não é o mesmo que dizer mal dela. Despertar os adormecidos e procurar envolver toda a gente nesta luta que é o de sermos todos agentes da mudança e do progresso da nossa própria terra. Se não formos nós a preocupar-nos com ela, quem o fará?

A rua de jesus, como disse, é só um símbolo. Um símbolo que pode ser transformado em rua da Sé ou rua Machado dos Santos ou rua Maestro Francisco de Lacerda ou rua da Igreja ou qualquer outra rua que, sendo aquela que todos conhecem, são a imagem daquilo a que a vossa cidade, vila ou freguesia se tornaram.

Temos que ser nós os agentes da mudança, mesmo longe da terra que nos viu nascer. Participem! Façam parte deste movimento. Todos temos a nossa rua de Jesus para cuidar.

Até para a semana!

Crónica emitida este fim-de-semana no programa Voz dos Açores nas estações de rádio:

radioportugalusa.com

radiolusalandia.com

radiotvartesia.com

radiovozdosacores.com

radioazorescanada.com

xadrez do PSD Terceira

big1427821246

Entre os que não querem perder lugares, poder e influência e os que, legitimamente, pretendem ocupá-los, as peças do xadrez social-democrata terceirense vão-se posicionando. As eleições para a comissão política de ilha (CPI) estão marcadas para o final do mês de julho, alegadamente na sequência da demissão em bloco da atual estrutura. Desconhecem-se as causas de tal posicionamento. A verdade é que não existe, na atualidade, nenhuma razão aparente para que a CPI não cumpra o mandato até ao fim. Se me dissessem que tinha que ver com os resultados autárquicos, até faria sentido, mas não um ano depois. Dá ar de coisa feita à pressa. “Aqui há gato!” Ainda assim, era possível a CPI manter-se em funções, mesmo que demissionária, e ir a votos juntamente com as concelhias e a eleição do presidente do partido como é, aliás, a prática comum no PPD/PSD. Parece não ser esse o entendimento dos atuais responsáveis políticos do PSD e vai de marcar eleições em pleno verão.

À medida que vão sendo conhecidos nomes que compõem as equipas que vão disputar as eleições, as surpresas são ainda maiores. O “aqui há gato” de suspeição relativamente à marcação da assembleia de ilha eletiva adensa-se e avoluma-se. Não percebo. Não compreendo. Afinal, as pessoas estão com quem? Que razões existirão para que “compagnons de route” de uma vida apareçam em lados opostos da barricada ou se tenham transferido com tanta facilidade? Parece que ainda há um ano, nas autárquicas, tudo corria às mil maravilhas e que toda a gente estava satisfeita com o trabalho de toda a outra gente.

A dinâmica interna dos partidos políticos tem destas coisas. Rodam cadeiras, rodam lugares, rolam cabeças. As pessoas posicionam-se e reposicionam-se à velocidade de um espirro e os militantes assistem incrédulos. Os mesmos que noutros carnavais te vieram dizer o pior que se pode dizer de uma pessoa, são agora amigos inseparáveis e o passado foi o calor do momento.

Apesar do período estival, espera-se uma forte mobilização ou pelo menos uma tentativa de o fazer. Jorge Silva irá apoiar-se na capacidade mobilizadora e capital político dos candidatos às câmaras municipais de Angra e Praia. António Ventura, com a força que lhe foi posta à disposição pelo insólito abaixo-assinado, procurará ganhar mais assinaturas.

Os dados estão lançados. Esperemos agora por conhecer as listas completas. Depois do que já se conhece, dificilmente surpreenderão.

Artigo publicado na edição de hoje do Diário Insular.

uma “bidoa” da América

american dream

Vinha carregada de roupa, sapatilhas e brinquedos. Parecia um daqueles ovos de chocolate que trazem um brinde, uma novidade, uma surpresa. Cheirava a América, cheirava a abundância, cheirava a plástico e terylene. Vinha de barco, atravessava o Atlântico, fazendo-se anunciar por carta escrita num português em que muitas das palavras se deixavam atraiçoar por um inglês, que mal dominado, denunciava a sua origem. A “bidoa” ou “saca da América” tornava-se o sustento de muitas famílias. A única fonte de roupa nova, sapatos novos ou brinquedos novos a exibir no Natal ou numa qualquer festa ou ida à missa. Era a forma mais rápida e direta de os familiares emigrados nos Estado Unidos conseguirem ajudar os que por cá ficavam por opção ou por impossibilidade de os acompanhar. Tudo isto, claro está, sempre acompanhado por umas notas de dólar protegidas por um cartão postal acondicionado no seu sobrescrito a pretexto de um aniversário, mesmo que em data distante, ou das festividades natalícias que constituíam um forte argumento para justificar tal extravagância de modo a não parecer uma esmola.

Para os de cá, significava que os seus familiares tinham feito a opção certa e que tinha valido a pena. Sabiam que a América era terra de trabalho e que esse era recompensado. Dizia-se que trabalhavam de sol a sol, em “overtime”, com mais de dois trabalhos, mas que valia a pena. Tinham carro, casa, mais do que uma televisão e o frigorífico a abarrotar. Era uma terra de abundância aquela América que vinha fechada num bidão gigante. O que não sabiam é que em muitos casos aquela América era uma ilusão. Que aquilo não correspondia à realidade. Que os seus entes queridos não tinham conseguido viver o “american dream”. Não percebiam porque razão demoravam anos e anos a virem visitá-los e, quando vinham, estavam brancos como papel sem que os seus rostos tivessem apanhado um único raio de sol. Alguns sonhos foram tornados pesadelos. Algumas vidas limitaram-se a ver os outros viver. Felizmente, nem todos tiveram tão triste destino. A grande maioria melhorou a sua condição económica e financeira. Outros, ainda, tornaram-se profissionais e empresários de sucesso, respeitados, com capacidade de investimento e de criação de postos de trabalho.

As “bidoas” continuam a vir da América. Já não dão tanto nas vistas, mas ainda vão aparecendo. Ainda há muito boa gente que não passa sem elas. É verdade que em muitas situações foi uma tradição de se manteve. Diria mesmo, um vício. Contudo, nos dias de hoje, precisamos urgentemente de outro tipo de remessas, outro tipo de “sacas da América”. Precisamos da ajuda da massa crítica existente nos Estados Unidos e do poder que têm por via do sistema democrático. Precisamos que nos ajudem a pressionar a administração americana no sentido desta resolver os problemas deixados cá na ilha e que tardam a ser solucionados a começar pela descontaminação dos aquíferos e dos solos e na busca de soluções para a Base das Lajes. Precisamos da vossa ajuda no investimento reprodutivo na ilha que possibilite a criação de emprego e que nos faça crescer.

Continuamos a precisar dos nossos emigrantes como sempre precisámos, mas de uma forma diferente. Já não precisamos de calças de ganga, de umas sapatilhas All-star ou de Barbies. Hoje precisamos de apoio político e de investimento. Nem todos têm capacidade de investir, mas todos têm voz e o peso decisivo do voto. Quando nos perguntam o que podem fazer por nós, apetece-me responder “sejam a voz da Terceira!”

hoje (ontem) é o dia da Praia

big1395857231

Hoje – o dia em que escrevo esta crónica – comemoram-se 37 anos desde a elevação da Praia da Vitória à categoria de cidade. Dez anos mais nova do que eu, já há muito que atingiu a maioridade e, nem por isso, deixou de viver na incerteza e na angústia de não conseguir vislumbrar um futuro ou um caminho a seguir. Esperarão certamente que este seja o momento para apontar defeitos, levantar problemas ou apontar o dedo a este ou àquele, àquela ou aqueloutra, que isto de responsabilidade, competência ou falta dela não tem género nem idade. É verdade que nunca na sua história a Praia da Vitória teve uma mulher como presidente de câmara, mas também é verdade que a presença de senhoras em lugares de vereação, membros da Assembleia Municipal ou em outros cargos de nomeação e confiança política tem sido uma evidência e a sua influência nas tomadas de decisão dignas de serem registadas. Para o bem ou para o mal…

Contrariamente ao que se tem verificado nas últimas semanas, a manhã de 20 de junho nasceu cinzenta. Já não é feriado e os praienses não poderão ir a Angra às compras como já se havia tornado tradição. Será, por isso, uma boa oportunidade para celebrar a Praia, a cidade e o seu dia percorrendo o comércio dito tradicional, frequentar as esplanadas, jardim e paúl e dizer com confiança e determinação “estamos aqui!”. Se a cidade precisa de nós, estamos aqui para o que der e vier. No entanto, só vos pedimos uma coisa: sejam sérios e leais. Sérios com os praienses e leais com o povo. Não nos traiam. Não nos usem como joguetes neste xadrez de poderes efémeros em que, no final da partida, tomba sempre o mesmo. Neste caso, a mesma. Neste caso, a Praia.

Que rumo pretendemos seguir? Que Praia queremos para o futuro? Como este texto está a ser escrito antes das cerimónias oficiais e no dia em que a comunicação social estará a fazer eco do discurso do Presidente da Câmara, é muito provável que nas páginas deste jornal, ou mesmo na primeira página com grandes parangonas e fotografia, a solução para a cidade e o concelho esteja apresentada. Uma cidade voltada para o mar e o turismo. Uma cidade que terá um cais de cruzeiros. Uma cidade que será um centro inter-geracional com forte aposta nas crianças, na criação artística e dinamização cultural. Uma cidade que fará uma profunda alteração ao sistema de trânsito e apostará nos transportes públicos elétricos como forma de aceder ao seu centro tradicional. Uma cidade que apostará na modernização das suas estratégias de animação de rua e de promoção do seu comércio. Uma cidade que transformará a sua praça principal no centro nevrálgico de toda a vida social e cultural do concelho. Uma cidade que começará a pensar em si e por si sem que esteja preocupada com o que os outros possam pensar ou decidir. Uma cidade que renasça, em primeiro lugar, a pensar nos praienses, para os praienses e nas gerações futuras. A Praia da Vitória não pode ser pensada exclusivamente em função dos ciclos eleitorais, das suas festas ou das carreiras políticas que se transformam em profissionais dos seus dirigentes, quer estejam no poder ou na oposição.

A Praia da Vitória tem que se valer por si própria, pela cidade que é, independentemente de interesses pessoais ou partidários de ocasião e de curto prazo. Daqui por 100 anos a Praia continuará a abraçar a sua baía. Provavelmente sem o areal que lhe deu nome, mas com praienses que olharão para a sua história e a julgarão. Resta saber que papel, nós, em 2018, queremos desempenhar.

hoje quero contar-vos uma história

CINEMA AZORIA

Foi há mais de trinta anos, andava eu ainda na escola primária, quando um velhote, que habitualmente se sentava no muro em frente à minha casa, me a contou. Fiquei encantado com o que ouvi. A história era extraordinária. Na terra onde vivia também aconteciam coisas fantásticas, histórias que eu pensava só existirem nos livros e nos filmes que passavam no cinema Azória, o mesmo que dava nome ao largo onde eu vivia. Nunca a contei a ninguém, guardei-a para mim e, com o decorrer do tempo, passei a achar que era invenção daquele homem, um devaneio de quem é velho e já não sabe o que diz. Hoje, no entanto, sonhei com esse velhote, com o velhote que passava todos os dias à minha porta com uma enxada na mão e uma saca de lona às costas. Esse homem vinha do bairro-de-lata que existia no sopé da serra de Santiago. Subia a ladeira íngreme que dava ao largo do Azória e, aí, sentado no muro do meu jardim, descansava. Passados poucos minutos, lá seguia o seu caminho e desaparecia no meio do arvoredo descendo a enorme escadaria que atravessava a mata que fica na encosta da serra voltada para a pista de aviação. Nunca soube para onde ia. Contava-se que ele apanhava as crianças que desciam a Escada da Cantina a caminho da escola, que as matava e que as levava dentro da saca de lona, não se sabe para onde. Um dia, porém, estava eu a sair de casa e dei de caras com ele. Não tinha reparado que ali estava. Caso contrário, teria saído pela outra porta, dado a volta à casa, atravessado por entre as groselheiras que separavam os quintais do Bairro de Sargentos, e saído pelo portão de um dos vizinhos, só para não me cruzar com o Homem da Mata. Não tive alternativa, tinha que olhá-lo e dizer-lhe alguma coisa. Sorri e desejei-lhe um bom dia. Ele sorriu para mim, agradeceu e retribui-me o cumprimento. Segui o meu caminho. Ele levantou-se e foi atrás de mim. Fiquei assustado. Seria verdade o que diziam sobre ele? Queria que não o fosse. Passados alguns minutos, ele chamou por mim e pediu-me que esperasse. Estaquei naquele mesmo instante. Ele sabia o meu nome. Queria acompanhar-me na viagem até à escola. Tive que esperar. Quando chegou junto a mim, pegou na saca de lona, pousou-a no chão e pediu-me que a segurasse até que conseguisse ajeitar a enxada na outra mão. Obedeci. A saca estava cheia. Só não conseguia perceber com quê. O volume era grande e eu tinha dificuldade em segurá-la. Por essa razão, ao tentar equilibrá-la, tombou e tudo o que estava no seu interior ficou espalhado pelo chão. Pasmei a olhar para o seu conteúdo. A saca estava cheia de umas ervas castanhas que cheiravam mal. Pareciam cabelos. Seriam os cabelos das crianças que ele matava? Fiquei em pânico, aflito, sem saber o que fazer ou o que dizer. Ele, estranhamente, estava calmo e só me disse: Não faz mal, voltamos a pôr o musgo na saca. O musgo? Ele chamava ao cabelo musgo! Sem perceber nada, ganhei coragem e perguntei-lhe o que era aquilo. Ele respondeu-me o óbvio: Isto é musgo. O que é musgo? – perguntei eu. E ele explicou-me que eram umas ervas castanhas que cresciam no mar e depois vinham dar à rocha. Quando aí chegavam, ele apanhava-as para vender. Vender musgo, para quê? Ele não me soube responder. Depois quis saber onde é que ele o apanhava. Ele disse-me: na Rocha.

vítima de si própria

pacos3

Vítima de si própria, a Câmara da Praia vive um dos períodos mais negros de toda a sua história. Um verdadeiro pesadelo. Já há quem diga que estamos a assistir à Terceira Queda da Praia. Uma catástrofe saída de uma profecia bem conhecida pelos mais antigos. E nada tem que ver com a saída dos americanos, o chamado downsizing da Base, que mais não fez do que servir de cortina de fumo para uma gestão desastrosa do Município praiense. E nada tem que ver com desastres naturais de dimensões bíblicas que uniriam o mar da Praia ao mar da Caldeira. Tudo tem que ver com ganância. Com poder. Com a necessidade de o manter e tudo fazer para o perpetuar. Promete-se tudo a todos. Dá-se tudo a todos. Oferece-se o que se tem, mas prefere-se dar o que não se tem ou não se sabe se vai ter. Vale tudo. Não há coragem para se definirem prioridades.

As dívidas acumulam-se. Alguém as há de pagar. “Pagar a dívida é uma ideia de criança”, dizia José Sócrates no longínquo ano de 2011. Nessa altura já o FMI tinha entrado porta adentro, já as medidas de austeridade começavam a ser aplicadas, já o país, finalmente, percebia que o regabofe na gestão das finanças públicas iria levar Portugal a uma crise sem precedentes com os resultados que todos hoje conhecemos. Depois do sacrifício veio a bonança. Ou parece vir a bonança. Mas foi penoso chegar-se até aqui. Se valeu a pena? Ainda ninguém sabe. Mas uma coisa todos sabemos, o governo da Câmara da Praia da Vitória nada aprendeu com isso. Cometeu os mesmos erros. Repetiu as receitas. Inovou modelos. Reinventou uma gestão que acabou por nos levar à ruína.

Não há dinheiro. As Juntas de Freguesia queixam-se por tão baixas serem as transferências de receitas do Município para os seus orçamentos, apesar das cada vez maiores delegações de competências de uma entidade para outra. Os pagamentos a fornecedores sofrem atrasos consideráveis e não se lançam concursos faz algum longo tempo. Nem o dia da criança se comemora a céu aberto, na cidade, para todos, com todos. A Praia tornou-se um feudo de alguns. Uma terra para alguns. A cidade e o concelho estão parados. Sucumbem. O Tribunal de Contas aponta falhas graves na gestão dos dinheiros públicos municipais e a Câmara procura defender-se como pode e sabe. A decisão na justiça ainda não foi tomada, é verdade, mas os factos e a frieza dos números estão lá, preto no branco, para quem os quiser ver, ler e conhecer. Como sempre, dão espaço para todo o tipo de leituras. Só dependendo da habilidade e engenho de quem os analisa. Tudo é justificável. Só depende do resultado e objetivos que se pretendem atingir.

Procuram-se culpados. Todos, menos os verdadeiros responsáveis, são um alvo possível. Culpabilizam-se decisões anteriores. Contratam-se agentes políticos e vestem-lhes uma capa de isentos, apartidários. O objetivo é um. Defenderem-se a si próprios, os que tomam decisões, os que fazem promessas, os que faltam ao prometido. Não conseguem assumir compromissos. O Povo, mais uma vez, vai-se deixando levar no engodo das manobras de diversão. É preciso desviar as atenções do essencial, das causas verdadeiras.

É este o modelo de desenvolvimento aplicado na Praia ao longo dos últimos anos. Empurrar com a barriga para a frente. Fazer de conta que se é rico. Desperdiçando. Esbanjando. Alimentando clientelas e bolsas de votos. Até quando permitiremos isto? Já é mais do que tempo de exigirmos responsabilidades. Até lá, rezemos para que a eletricidade não falte em nossas casas.

Artigo publicado hoje da edição do Diário Insular.

“Nós” e “eles”, o dérbi da democracia

O mais difícil seria concentrar em quinze minutos todas as propostas e ideias que, ao longo dos últimos anos, tenho vindo a pensar e a desenvolver para que o centro da Praia se torne mais dinâmico e atrativo. Falhei. Ultrapassei claramente os quinze minutos que me foram atribuídos

para a apresentação e, nem de longe nem de perto, consegui apresentar todas as sugestões que gostaria. Apesar disso, dei a minha missão como cumprida. Foram atingidos os objetivos.

Quando há umas semanas me convidaram para participar neste fórum, achei que seria prematuro da parte do Município fazê-lo. As eleições foram há dias e seria de esperar que o que havia a discutir já o teria sido na campanha eleitoral. Um sinal de fraqueza, pensei na

altura. No entanto… e porque não?! Ouvir a sociedade civil, ouvir as pessoas e as suas propostas, correr o risco de escutar críticas e comentários desagradáveis é sinal de fraqueza? Penso que não. Mas é a chamada faca de dois gumes.

Por um lado, é uma forma de se receberem sugestões de forma graciosa e poder aproveitar o que é bom e tomar-lhe a propriedade ou até mesmo aceitar sugestões menos populares, aplicá-las, e dizer que foi uma sugestão da sociedade civil. Maquiavélico, mas inteligente. Por outro, despois destes fóruns, a Câmara Municipal não se pode queixar que as pessoas não participam ou não fazem sugestões ou não há ideias. Cá estaremos para avaliar os resultados.

Alguém me disse que eu não deveria participar neste fórum. E não foi só uma pessoa. Argumentaram que eles estão falidos. É verdade. Disseram-me que eles não têm ideias. Não iria tão longe. Sugeriram que eu os estava a ajudar e que eles não mereciam. Meus amigos, aqui não há “eles” nem “nós”. Aqui há a Praia. E “nós” e “ele”, sejam lá quem forem, têm mais é que se preocupar com o futuro da cidade e do concelho, contribuir para a solução e não ficar à espera que tudo corra mal, desejar que tudo corra mal, na esperança que o lugar lhes caia no colo de mão beijada. Compreendo que ser Presidente de Câmara seja um “sonho de menino” de muita gente. Mas a minha experiência diz-me que o último que ocupou o cargo na

busca da concretização deste sonho, tornou a vida da cidade e do concelho um verdadeiro pesadelo. Se o sonho se concretizou para o próprio, não passou de uma experiência individual, egoísta. O que precisamos neste momento não é de narcisismos, nem buscas fratricidas de

poder. O que é necessário é pensar no bem comum, no coletivo e na sociedade no seu todo.

Venha quem vier. Sejamos “nós”, sejam “eles”, seja até o Bloco de Esquerda, se entenderem que o meu contributo é válido, cá estarei. Se entenderem que posso contribuir de alguma forma para encontrar uma solução para o nosso futuro coletivo, também cá estarei. Se precisarem de

alguém para criticar, então aí é que não me ponho mesmo de fora. O que importa é que se abram caminhos, que se encontrem alternativas, que haja entendimento, que se concretize democracia. Não basta dizer que os outros não são democratas, não basta andar a falar pelos cantos, não chega ter todas as soluções e não as partilhar. É urgente fazer parte da solução. Assim queiramos “nós”, assim o queiram “eles”.

pensar a cidade do futuro #6

Este slideshow necessita de JavaScript.

PAÚL

A Praia não tem um espaço onde as pessoas possam fazer pic-nics, churrascos ou, simplesmente, ir com os amigos jogar futebol ou outro desporto qualquer.

Temos no paúl um espaço privilegiado. Tem natureza, tem água e tem uma extensa praia a meia dúzia de metros. Neste momento serve para pouco mais do que montar barracas paras feiras ou para as festas da Praia. Nem sequer tem um café…

pensar a cidade do futuro #5

Este slideshow necessita de JavaScript.

PRAÇA FRANCISCO ORNELAS DA CÂMARA

Começar por retirar de lá todo aquele mobiliário urbano sem sentido e caótico. A Praia não pode ser pensada em função de 10 dias de festa em agosto…

Voltar a levantar a área central da Praça e criar um edifício de traço moderno onde hoje funciona a academia do código.

A Biblioteca Municipal deveria voltar para onde estava só que ocupando todo o edifício que deverá ser profundamente remodelado.

O novo Hub Criativo da Praia, a instalar na casa do Dr. Eugénio, deverá ser um centro de partilha e disponibilização de recursos e equipamento, espaços de experimentação na área das artes, do artesanato, design, arquitetura, fotografia… gerida e com acompanhamento de profissionais. Workshops.

Deverá estar aberto de dia e de noite, das 9h00 às 22h00.

Dar vida à praça não é criar um monte de escritórios. É antes criar polos de atratividade, onde as pessoas se sintam bem…

Os escritórios trazem gente, mas gente que trabalha todo o dia lá fechados e cujos edifícios, a partir das cinco da tarde, estão inativos. Temos os utentes, é claro, mas serão assim tantos que façam a grande dinamização do centro da cidade? O que aconteceu com a secção de obras? A diferença é assim tão grande?….

A Praça deveria ser um espaço onde poderão coexistir atividade de tempos livres para crianças, jovens e menos jovens. Espaços para co-working onde se disponibilizem equipamento na área da fotografia, vídeo, arquitetura, design de várias vertentes. Onde existam oficinas de carpintaria ou ateliers de costura para “faça você mesmo”. Onde existam espaços para o desenvolvimento de atividades de artesanato com teares, rodas de oleiro e fornos, p.ex., numa espécie de incubadora de artes criativas. Onde haverá espaço para a arte contemporânea, o desenvolvimento das artes plásticas nas mais diversas vertentes e ainda workshops permanentes e regulares (só a regularidade cria o hábito) orientados por especialistas e que possibilitam a criação e crescimento de novos artesãos, artistas plásticos e de público esclarecido.

Uma coisa que distingue uma cidade de um outro qualquer lugar é a sua capacidade de se reinventar e inovar culturalmente. Quem pensar o contrário está condenado ao insucesso e o resultado está bem à vista de nós todos.

pensar a cidade do futuro #4

Este slideshow necessita de JavaScript.

RUA DE JESUS

Poderão ser criadas algumas zonas cobertas com lonas, por exemplo, ou serem instalados pequenos quiosques móveis para substituírem as banquinhas que são colocadas às portas das lojas em dia de cruzeiro e que dão um ar de terceiro mundo… Estes quiosques poderiam funcionar como uma espécie de esplanadas do comércio tradicional.

pensar a cidade do futuro #3

Este slideshow necessita de JavaScript.

PARQUE DE ESTACIONAMENTO URBANO

Feiras para o parque de estacionamento urbano que fica bem no centro da cidade junto ao comércio e cafés da rua de Jesus e, para não se perderem lugares de estacionamento, podemos cobri-lo com uma cobertura acessível que poderá ser ajardinada. Embora possa funcionar como recinto de exposições mesmo como está.

Tem a vantagem de ter acesso pela rua de Jesus. O que significa que o comércio e os cafés terão as feiras à porta e não veem os poucos clientes que ainda têm a fugir para a Praça FOC ou para o Paul ou para a Marina.

pensar a cidade do futuro #2

Este slideshow necessita de JavaScript.

LARGO DA LUZ

Tirar de lá o caixote/quiosque. Não se percebe porque razão, havendo tanto edifício devoluto no centro da Praia, se insiste em montar caixotes e barracas.

Transformar o Largo do Conde da Praia (largo da Luz) num parque intergeracional. Um jardim com baloiços, bancos de jardim onde se possam realizar eventos para os mais novos e os mais velhos.