o horizonte ficou de banda

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Os fins de tarde, no verão, têm este encanto de calma e paz. Puro engano. Pura ilusão. A coisa dura poucos minutos, os suficientes para pegarmos no telemóvel, tirarmos uma fotografia e dizermos “estão tão lindinhos!”. O pior é o momento seguinte, tirá-los da praia. Gritaria, choro, berreiro geral. Cheios de areia, molhados, ninguém os consegue demover da sua decisão impiedosa de fazerem frente ao pai e à mãe e dizerem, gritarem “Não!”.

Começam as ameaças. Uma palmada, não ver televisão, não pegarem no telemóvel, não isto e não aquilo. Nada resulta. A verdade é que nada parece ser pior do que sair da praia, esteja o tempo que estiver, esteja a temperatura alta ou baixa. Querem ir comer um gelado? Claro que querem ir comer um gelado. Como não me lembrei disso antes. Ficaram todos os problemas resolvidos… até chegarmos a casa e ir para o duche!

reconverter espaços decadentes

O Jardim da Estrela, em Lisboa, era aquele lugar onde, nos meus tempos de estudante na capital, tudo podia acontecer. Todos sabiam como e por onde entravam. Ninguém sabia como saía, nem se saía.

Passadas mais de duas décadas, o jardim em frente à basílica parece outro lugar. Para além do expectável para um espaço público verde (e não leva no nome nem verde, nem ambiental, nem nada que o faça parecer aquilo que não é), o Jardim da Estrela ganhou novos pontos de interesse, uma nova atratividade. Destaco, em primeiro lugar, um parque infantil de excelente qualidade e que não é só um espaço para crianças, é também um espaço onde os pais das crianças também podem estar e gostam de estar. Tem um café nas imediações, com esplanada. Tem espaços relvados onde as pessoas se deitam a ler, a dormitar, a namorar e até a fazer piqueniques com cesta e toalha estendida. É possível alugarem-se bicicletas, para os mais crescidos, e carrinhos a pedais, para os mais pequeninos. No primeiro fim-de-semana de cada mês realiza-se ali uma feira de artesanato de grande qualidade. “Crafts & Design”. Não sei como é feita a seleção, mas que não havia lá nada que se dispensasse, lá isso não havia. No Jardim da Estrela também se dança. No coreto dão-se aulas. Fora dele, de forma mais ou menos improvisada, também.

De um espaço decrépito e decadente, foi possível criar-se um espaço aprazível onde se pode estar, onde se quer estar e onde todas as gerações conseguem encontrar algo que as atraia.

Ao sabor da dança, ali, não é só um slogan, é conteúdo, é ação.

o artesanato também evolui

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Aí está uma coisa que tem evoluído bastante nos últimos anos. Quem visitava as exposições de artesanato ainda há menos de uma década e as visita agora certamente compreenderá o que digo. No entanto, muito ainda há para fazer, muito haverá por evoluir. Artesanato pode também ser arte e incorporar design, não tem que ser necessariamente pouco mais do que trabalhos manuais.

Uma das “disciplinas” do artesanato que menos se tem notado essa evolução é a área do têxtil. Existem exceções, como é óbvio, e na feira de artesanato das festas da Praia deste ano, promovida pelo CRAA, esteve presente uma das artesãs que tem procurado inovar e fazer algo de diferente que também pode ser utilitário. Sónia Bárbara. Vale a pena conhecer o seu trabalho, particularmente esta sua última aventura, Sol e Brumas.

calamari fritti com vinho verde

img_9208Ainda com sabor a férias, cheio, o Búzius. É aquele restaurante simpático onde só se come batatas fritas se quisermos. Temos sempre os calamari fritti, se a ideia é mantermos os níveis de óleo no organismo. Foi o que fizemos. Sem o pão com alho por causa do glúten, sem as salsichas por causa do colesterol, mas com os fritti e uma boa vinhaça que isto de ser saudável não dá entusiasmo. Fica no Porto Martins, à beira da piscina. Convém reservar! E é kids friendly!

lanche de ressaca

a minha casa
lanche hygge slowliving

Com os miúdos de férias, por vezes ficamos sem saber o que de diferente fazer com eles. O dia estava chuvoso. Daqueles dias cinzentos que não dão para ir à praia nem brincar no quintal. A alternativa seria ficar por casa a ver televisão ou agarrados aos telemóveis. Sim, os meus filhos também passam horas agarrados aos vídeos do youtube a verem e a reverem a Patrulha Pata, os Super Wings, os PJ Masks e, mais recentemente, o Carrinho Poli.

Queríamos sair de casa. Embalados pelo desassossego da última semana, ficar em casa não era opção e acabaria com toda a certeza em birra atrás de birra e naquela gritaria sem fim bem conhecida de quem tem a seu cargo uma criança de dois anos e outra de três. Como tenho saudades daquele sossego…

Fomos para Angra lanchar. A Minha Casa (a da Lena e das Sofias) foi o lugar eleito. Tem aquele ambiente familiar de quem está em casa. Consegue-se ficar numa sala à parte e não incomodar os outros clientes, tem brinquedos (perfeito!) e até dá para fazermos aquele número de jovens urbanos a comer saudável… mesmo que estejamos mais próximos dos 50 e nos tenhamos empanturrado de alheira, morcela e sangria nas festas da Praia.