sementes perdidas

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Há pouco mais de dois meses atrás, na minha página do facebook, dava-vos conta do renascimento da minha pequena estufa abandonada por um longo período de tempo.

Agora que tenho umas manhãs bastante agitadas antes de sair de casa, sabe bem e é revigorante sujar as mãos na terra e saber que daquelas sementes ou dos pequenos e frágeis plantios vai haver vida. Vida maior. Boa energia. Energia positiva.

Mas numa horta – onde se procura que seja biológica – as surpresas também acontecem e no meio do aparente nada, no meio do alho francês, das ervilhas, das cenouras e dos espinafres nascem outras espécies de vegetais e com uma vida que, no rigor do inverno, só a estufa lhes pode dar.

De onde surgem e como surgem é a questão que coloquei assim que vi aqueles belos pés de couve. Sementes perdidas naquela terra que andou abandonada é a explicação mais lógica. A que faz mais sentido.

A estufa andou abandonada meses a fio, mais de um ano. Mas no meio daquele caos haviam caído sementes que se julgavam perdidas. Resistiram, rebentaram, germinaram. Não importa quem as lançou. O que importa é que deram fruto. Não era esse o objetivo?!

batemo-nos

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A questão demográfica é, de facto, o grande problema da cidade da Praia da Vitória. Sem gente não é possível dinamizar a atividade económica e social da cidade e do concelho, logo, não há espaço para a criação de riqueza.

Falta por isso à Praia um plano – daqueles para executar – que vise atrair e fixar população. Falta discutir a cidade. Mas a cidade e não os interesses de poder a ela associados e que mais não servem do que alimentar clientelismos partidários e egos de circunstância.

A cidade da Praia da Vitória deverá estar acima de tudo isto e enquanto tal não acontecer, a “mui notável cidade da Praia da Vitória” não passará de um instrumento, de um joguete, em vez de ser um fim, O objetivo.

Este é um ano de eleições autárquicas. Ainda não se conhecem os candidatos, muito menos os programas… óbvio. Mas quero aqui deixar um desafio: deixem-se de merdices e minhoquices e foquem-se nos verdadeiros problemas, no essencial. E a questão demográfica é essencial.

Que pensam as forças políticas sobre isso? Que soluções têm?

Promova-se um debate alargado sobre este tema. Aberto a todos e sem figuras tutelares que condicionem tudo. Um debate livre. Um debate em que a figura principal e a preocupação comum seja a cidade. Pouco importa quem teve culpa ou quem fez melhor. O que importa é que chegámos a este estado lastimável e é preciso encontrarem-se soluções.

Para concluir, por hoje, quer citar o Gustavo Neves Lima que, no Facebook, deixa este comentário “Os humanos são como partículas. Precisam bater uns nos outros para que haja ideias e ação.”

Pois batemo-nos…

esta rua

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Não é surpresa. Estranho seria não falar dela. Pouco faltava para as dez da manhã quando esta fotografia foi tirada.

Fui tomar a minha dose matinal de cafeína. Um hábito. Normalmente no Café Terezinha. Outro hábito. Já não é aquele ambiente de tertúlia e de má-língua de outros tempos, mas continuo a sentir-me um pouco em casa.

O café modernizou-se. Agora atrai clientela mais jovem. Os tempos são outros e os proprietários tiveram que se se adaptar a esta nova era. A crise não ajuda e abateu-se sobre a cidade da Praia da Vitória e teima em ir-se embora.

A crise também não será responsável por tudo. Não o é certamente. Muito menos aqui na Praia onde se tomaram decisões contraditórias entre si e em diversos locais em simultâneo. A cidade é pequena. A população não cresce.

Havendo pouco, repartindo dá pouco. E, por pouco, muitas vezes é preferível fechar. E a cidade vai morrendo…

Soluções!? É o que se quer. É o que se pede.

Tem-se falado muito sobre o trânsito na cidade e na rua de Jesus em particular. Abrir ou não abrir ao trânsito. Abrir parcial ou abrir permanente. Sempre gostei da ideia de cobrir a rua de Jesus. Não é barato. Mas devolvia à cidade o estatuto de polo de atração comercial da ilha. É um pensamento nostálgico, eu sei…

então és parvo!

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É frequente perguntarem-me porque digo estas coisas, porque escrevo o que penso e o que ganho com isto. Eu respondo que não ganho nada. “Então és parvo!” dizem-me.

Talvez seja… mas gosto de escrever e não quero ver o mundo passar-me ao lado e eu nada fazer para mudar o que não me cai no goto.

Se consigo mudar alguma coisa? Não sei. A maior parte das vezes não. Algumas, certamente que sim.

Quando algo não corre como eu gostaria, quero poder dizer que pelo menos tentei que fosse diferente. Não tenho aquele objetivo paternalista de dizer “Eu avisei…” Se o tiver que fazer, só prova que eu não tive a capacidade de influenciar como arrogantemente pensava.

E vive o mundo assim. Pejado dos que têm razão depois das coisas acontecerem. Dos que tinham – e tinham sempre – a solução milagrosa. Nada disseram. Nada fizeram.

“Então és parvo!”… digo eu agora.

a minha intervenção

Apresento o vídeo da minha intervenção no Congresso do PSD Açores.

Foi com uma estranha serenidade que participei nos primeiros dias de trabalhos do XXII Congresso do PSD Açores.

A serenidade de quem nem estava para intervir nem lutava por quaisquer cargos, até porque, por questões profissionais, tinha que regressar à Terceira no sábado a seguir ao almoço.

Contudo, logo à chegada ao recinto do Congresso – em Rabo de Peixe – fui informado de qua a ordem de trabalhos havia sido alterada e a manhã de sábado seria dedicada a intervenções dos Delegados. Assim sendo, tendo possibilidade de falar, nunca conseguiria ficar calado. É uma dificuldade minha, eu sei…

Tinha que gizar uma intervenção.

Poderia optar por um improviso ou até mesmo um falso improviso, mas achei por bem fazer ao Congresso uma declaração previamente escrita. Algo simples, conciso e sem grandes floreados ou divagações. Para isso, o escrito é francamente melhor já que baliza a coisa…

Lá peguei na esferográfica e numas folhas de papel e, sentado no quarto do hotel antes de me deitar, escrevinhei umas linhas.

Este foi o resultado…

 

três arquipélagos

Seriam três arquipélagos. Quase a Macaronésia. O Arquipélago do Joel Neto, o Arquipélago das Artes Contemporâneas da Ribeira Grande e o meu, um minúsculo arKipélago virtual que, enquanto durou, e no seu período áureo de quatro ou cinco anos, cumpriu a sua missão. Arquipélagos a mais. A minha realidade arquipelágica alterou-se profundamente e, hoje, o meu arKipélago deixou de fazer sentido. Principalmente agora que a minha atividade partidária está reduzida ao essencial. Decidi destruí-lo.