o candidato sabonete

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É lamentável que a escolha de um candidato a Presidente de Câmara seja feita, por parte dos partidos políticos, não pelas suas ideias ou por aquilo que defendem, mas pela perceção pública que o eleitorado, aparentemente, tem da sua imagem.

Daí as sondagens constantes pagas muitas vezes com o dinheiro dos contribuintes e a criação de personagens não raramente de plástico ao gosto do eleitor, nem sempre coincidentes com o que os candidatos a candidatos realmente são ou pensam.

Com o advento das redes sociais essa construção de uma imagem pública vendável como um qualquer sabonete ou produto milagroso de emagrecimento rápido ficou mais fácil. Começa-se por se mudar a foto de capa do facebook por forma a mostrar amor pela sua terra do coração. Depois, altera-se a fotografia de perfil para uma com pose de estado no caso dos mais novos ou depara uma com ar mais descontraída e jovial no caso dos mais velhos.

O passo seguinte consiste em divulgar informação (?) de si próprio. é conveniente mostrar ou dar a ideia de que se está e se aparece em tudo – preferencialmente eventos do povo – e de que se gosta e se vive as tradições da sua terra desde pechinchinho – preferencialmente touradas e bailinhos de carnaval. Aliás, já o pai, o tio, o primo, o avô e o cão viviam intensamente tudo isso, mesmo que tenha sido só uma ou duas vezes.

O problema é que depois ganha um que não vai a touradas, não sai em bailinhos de carnaval nem em marchas e pouco se mistura com o chamado povo…

Quanto a conteúdo, ideias e propostas… nada. Convém não correr o risco de se dizer alguma coisa que as pessoas possam não gostar ou fugir da linha de pensamento de quem tem nas mãos o poder de o escolher, ou não, para candidato ou sucessor.

E claro, para o fim o óbvio: sorrir, sorrir muito e sempre a sorrir!

candidatos a candidatos

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Tenho feito um esforço faraónico para me conter nas palavras e comentários no que às próximas eleições autárquicas diz respeito, particularmente ao nível dos candidatos a candidatos, alguns mesmo putativos, se tivermos em consideração a forte campanha a que já se assiste, designadamente nas redes sociais.

Uns, assumidos só à espera que a lotaria das sondagens e as forças internas os possam designar mesmo a contragosto da outra metade; outros, só à espera de que insistam e os convidem mais vezes para no final se ouvirem as tradicionais e já repetitivas e previsíveis justificações de que não queriam e de que será à custa de grande sacrifício pessoal e familiar que assumem a candidatura para depois receberem dividendos numa próxima oportunidade.

E assim vai o processo autárquico a sete meses das eleições….

a biblioteca tupperware


Depois do habitual café de sábado à tarde no Blues, optámos por fazer algo completamente diferente, principalmente se considerarmos que esta atividade teria que incluir os nossos filhos. Mais uma aventura cultural depois daquela visita noturna ao Museu de Angra.

Sábado à tarde foi dia de conhecer a nova Biblioteca Pública de Angra que tanta tinta fez correr nos jornais, que originou dezenas de conferências de imprensa e acesos debates na Assembleia Regional dos Açores e nas redes sociais.

Ou eram os atrasos, as paralisações da obra, os trabalhos a mais, a sua localização ou o que mais emotivos debates provocou, a opção estética encontrada pelo arquiteto, neste caso a arquiteta Inês Lobo, autora do projeto.

Se por fora mantenho as minhas reservas relativamente ao enquadramento e à opção volumétrica encontrada, pelo interior sou forçado a assumir que errei na minha análise e no meu juízo e que devo parabenizar a autora do projeto. Está excelente!

Aproveito, também, para dar os parabéns à diretora da biblioteca, Cláudia Cardoso, que em conjunto com a sua equipa tem feito um grandioso trabalho de dinamização do espaço, dando-lhe vida e tornando-o atraente e apelativo. 

Em todo o caso, fica uma dúvida: que destino terá o grande pátio interior? Espero que abra brevemente e que se torne mais uma das esplanadas de Angra, só que esta seria uma esplanada de cultura, de encontros culturais, de letras e de livros, com uma dinâmica que só uma instituição com esta dimensão e missão pode desenvolver.

Uma nota final: os nossos filhos gostaram e divertiram-se. Há muita atividade e distração para eles.

e já passaram três anos

O Facebook lembrou-se…

Hoje, pela última vez, vi Angra por esta janela. Esta é mais uma janela que se fecha. Uma janela que se fecha passados que foram mais de treze anos. Treze anos ao serviço da PROJECTANGRA. Agora acabou. Ficarão as memórias dos bons momentos, das amizades e da cumplicidade de alguns colegas.Hoje termina mais um ciclo da minha vida. Amanhã é tempo de começar um tempo novo. Um tempo cheio de incertezas, sem emprego, mas com a esperança de que as coisas, um dia, melhorarão. 

Tem sido assim ao longo dos últimos dois anos. Conquistas, cumplicidades e amizades, derrotas, deslealdades e traições, retoma de amizades, o casamento e a serenidade de quem partilha a vida com quem ama, a felicidade da expectativa de ser pai e a dor profunda de quem vê o seu filho morrer e que teima em não nos deixar. 

Depois da morte de um filho, tudo se torna simples e nada parece ter a gravidade que tem. A partir de amanhã, mesmo sem emprego e sem saber o que fazer, vai começar um tempo novo que, tenho a certeza, nunca poderá ser tão mau como aquele que vivi depois do dia 29 de abril.

esta rosa… maria bettencourt

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Um nova voz. Uma nova interpretação. Um novo tempo. Uma nova vida para uma das mais bonitas canções que alguma vez se escreveram e compuseram nos Açores interpretado agora pela Maria Bettencourt.

“Tema de Amor”. Música da autoria de Luís Gil Bettencourt e letra de António Melo Sousa.

Com o habitual orgulha de pai e de quem sabe o que é bom, o Luís, na sua página do facebook apela à partilha deste vídeo. Obediente, cumpro!

mercado municipal

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Em tempos era o local onde a esmagadora maioria dos praienses ia comprar as hortaliças, o peixe ou a fruta. Em complemento com a Tamar, o Super Luso ou a Casa Costa, onde se vendiam os produtos de mercearia por excelência, o Mercado Municipal da Praia da Vitória tinha essa função agregadora tão características dos aglomerados urbanos como as vilas ou as cidades.

Com o tempo e o chamado progresso – nem sempre “progressivo” – a Praça (como também é chamado), foi perdendo importância, a qual foi sendo ganha pelas modernas superfícies comerciais como o Modelo Continente ou o Supermercado Guarita restando ao centro histórico o supermercado da Graça com o seu mercadinho e que tantas dificuldades tem tido em ver autorizadas as suas iniciativas de rua. Coisas da burocracia e do excesso de zelo habitualmente aplicado só aos mais pequenos.

O Mercado Municipal, mesmo com as obras de modernização realizadas no início do século, tem tido grande dificuldade em reafirmar-se ou em reconverter-se. O estacionamento é difícil e, apesar de se procurar a diversificação do espaço, algo parece não funcionar. O espaço é agradável e acolhedor. Também não chove lá dentro.

A verdade é que o centro urbano tradicional tem visto a sua área a reduzir-se progressivamente e, hoje, falar da rua da Jesus e da sua dinamização é falar do troço entre a Praça Francisco Ornelas da Câmara e o antigo BCA que, com o seu encerramento, corre-se o risco de o centro histórico ficar ainda mais reduzido.

O que falta então ao Mercado Municipal para que também ele funcione como polo dinamizador do centro urbano tradicional da cidade?

araucárias

Por vezes as oportunidades estão aí ao virar da esquina… ou no topo de uma árvore! Basta estarmos atentos. Em plena rua de Jesus, sob o olhar atento de José Silvestre Ribeiro, dir-se-ia que ali agora se praticam desportos radicais ao invés dos tradicionais daquele espaço. Nada disso. Por questões de segurança, as araucárias do jardim municipal da Praia estão a ser cortadas.

Em todo o caso, uma oportunidade a ter em conta. Sugiro, por isso, ao meu amigo Miguel Azevedo que, a par dos Degraus da Praia ou de Angra, crie um novo evento radical: As Araucárias da Cidade… seja ela qual for.

…entrar em ação!

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O Jorge grita. Está só de fralda, um frio de rachar, e não se quer vestir. A Amélia chora. Dentinhos, só pode ser. É a causa mais provável quando não existe nenhuma outra. O Jorge quer ver a Patrulha Pata. Vinte e quatro sobre vinte e quatro horas sonha com os seis cãezinhos. A Amélia não quer beber o leite. Continua a birra. Serão cólicas. Já não tem idade para isso. O Jorge agora quer comer. Mas não se quer vestir. A Amélia, pelos vistos, quer continuar a choradeira da noite toda. Deve ser fralda suja. Acabou de ser mudada. O Jorge quer maçã. Toma lá maça. Papa. Ok! Maçã e papa. A Amélia não se cala. Quer colo. Sempre colo. O Jorge não quer a papa. Quer a Patrulha Pata… outra vez. A Amélia quer é estar de pé. Nariz cheio de ranhoca e toda babada. Temos que ir para o colégio. O Jorge está só de fralda. A Amélia precisa mudar a fralda.

Feliz dia dos namorados!

sobre o leite derramado

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Não é a rua de Jesus. É a Praça Velha coberta por um manto branco e nem sequer tinha nevado nesse dia. Nem nesse, nem em nenhum outro, que se saiba.

Estava um ambiente frio. Dir-se-ia de cortar à faca.

Os agricultores indignavam-se manifestando o seu desagrado com a política do setor despejando o leite na Praça Velha que, à época, era uma das principais praças dos Açores…

Era um tempo em que a ilha Terceira tinha peso político no contexto regional. Um tempo em que as pessoas tinham coragem para poderem ir para a rua e manifestarem a sua indignação sem medo.

Dir-me-ão alguns que hoje não há motivo para ter medo. Dir-me-ão outros que não há motivo para indignação.

Se assim é, só me resta pedir desculpa pelas inverdades expostas e dizer-vos que, perante isso, o que pode estar a acontecer é que devo andar a viver noutra ilha ou noutro mundo…

laranjas ao sol

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Há dias o José Gabriel veio oferecer-me laranjas. O Jorge Aurélio adora laranjas. Aliás, ele gosta de tudo quanto se possa comer. “Deus o guarde!” diria a minha avó.

Não sei se por causa do frio, dos dias escuros ou da chuva, as laranjas ficaram fechadas no saco do Continente onde vieram acondicionadas à espera de poderem apanhar um bocado de ar.

Hoje é domingo e de manhã faz Sol. Apetece pouco e as laranjas, finalmente, vieram em busca da luz que tanta falta lhes faz.

Bom domingo!