a bela de 16 anos

cinema abril 2017

Apresento-vos o cartaz de cinema do Auditório do Ramo Grande para o mês de abril.

Queria,no entanto levantar uma questão, uma dúvida:

Nos próximos dias 7 e 8 de abril, “A Bela e o Monstro” é exibido no Auditório do Ramo Grande com uma classificação de “maiores de 16 anos”, às 21h, presumo que na versão original. No resto do país, incluindo São Miguel, a mesma versão tem a classificação de “maiores de 12 anos” e a versão em português – que aparentemente não será exibida na Praia – impõe como idade mínima 6 anos.

Sendo este um filme Disney e a adaptação ao cinema de um dos seus melhores desenhos animados esperado por muitas crianças e pelos seus pais, porque razão existe esta disparidade de classificação entre a Praia e o resto país e, já agora, porque razão é exibido à 21 horas e só em inglês?

“um Pavilhão Atlântico à nossa escala”

2080

As obras arrancavam em 2007 e o investimento era colossal. Nada menos que 3,5 MILHÕES de euros. Aqui as coisas não se fazem por menos. O pavilhão multiusos da Praia da Vitória ficaria concluído em 2009 e apresentaria condições para a realização de concertos musicais, hipismo, touradas de praça, circo e exposições diversas. Seria algo que os praienses, nem nos tempos de maior inspiração e utopia, ousariam sonhar. Era a época das coisas perfeitas. Eram os tempos dourados em que se nadava em dinheiro e tudo era possível.

Assegurava-se que não seria necessário recorrer-se a fundos comunitários. Seria criada uma empresa municipal – a Praia em Movimento, que Deus a tenha – que financiaria uma sociedade de empresas privadas para construir este complexo multiusos e a academia da juventude.

A Academia da Juventude e das Artes teria por objetivo ser um centro de cultura. Ministraria uma licenciatura em pintura com “dinâmica internacional” e lá se instalaria a Direção Regional da Juventude. Este equipamento cultural, apadrinhado pela primeira dama regional à época, veio a transformar-se e a crescer nos seus propósitos e objetivos, ultrapassando-se a si própria. É hoje, a nível da inovação e da promoção da cultura, só equiparável a outras instituições congéneres nacionais como o Centro Cultural de Belém ou a Casa da Música.

Mas é ao nível da juventude que esta agremiação praiense se transcende, correndo sérios riscos de ultrapassar de forma inequívoca a sua atividade cultural. Com esta pujança na dedicação aos jovens, quase que atinge o nível e o estatuto de uma AJITER.

Algo está mal, algo não funciona, mesmo tendo a Academia ótimas condições para se trabalhar e se poder implementar, em cooperação estreita com o Auditório do Ramo Grande e com todas as instituições do concelho, um projeto cultural e de juventude que projete a Praia na senda da modernidade e da verdadeira inovação.

Não existe um projeto cultural no concelho, nem uma programação digna desse nome. Gere-se este setor com demasiado amadorismo.

E a juventude? Que relação tem a Academia com a juventude? Limita-se a ceder espaços para encontros e workshops avulsos? Casamentos? É essa a ambição da autarquia para aquele espaço? Não se estará a transformar a AJAIT numa espécie de sociedade recreativa ou de clube de jovens amigos?

O “Pavilhão Atlântico à nossa escala”, que também já foi anunciado para a Boavista, teria um projeto arquitetónico “totalmente inovador”, no dizer do presidente. “Totally innovative!” “Totally different!”

De facto, a solução arquitetónica encontrada é francamente muito à frente, ao estilo minimalista. Nenhum arquiteto ousaria ir tão longe. Chapa verde canelada em jeito de tapume de estaleiro de obras, pavimento em asfalto de primeira e cobertura amovível que, ao contrário do habitual, só fecha no verão.

Este recinto está (in)convenientemente enquadrado no Parque Ambiental do Paúl que, apesar daquela nódoa, constitui uma zona de lazer de primeira qualidade, mas que permanece desconhecida para muitos praienses. O município deve sentir-se orgulhoso do seu parque. Permanece limpo, cuidado, com condições para ser, isso sim, um parque inovador e moderno digno de uma cidade deste milénio. Mas há coisas a resolver. Em primeiro lugar, o tal recinto multiusos. Depois, toda a área do clube naval e a ligação à estrada militar. Já agora, o que se pretende da chamada zona verde?

Academia, Multiusos e Paúl… três temas para não fugir.

artigo publicado na edição de hoje do Diário Insular.

sei o que não quero

46anos

46 anos. Já passaram 46 anos desde o dia em que nasci. Eram vinte para a meia-noite quando, na maternidade do velho hospital de Angra, nascia um bebé gordo, careca e aos berros. O primeiro filho de um jovem casal, a Anete, com 21 anos, e o Jorge com 27. Começava uma jornada com altos e baixos, como todas as viagens que duram mais do que um fim-de-semana.

Dois anos depois fomos para a Guiné, regressando em 1974 logo depois da revolução de abril. O meu pai era militar. Estava lá a servir a pátria. A minha mãe, filha de cabeleireira, começou a dar os primeiros passos no mundo do trabalho exercendo, em Bissau, a profissão da mãe, o que ainda faz até hoje. Nos anos setenta do século passado aprendia o que era ser uma mulher independente, dona de si própria.

O regresso de África levou-nos a passar uma temporada em Trás-os-Montes, a terra do meu pai. Não tenho uma única memória desse tempo, a não ser uma fotografia que alguém publicou há poucos meses numa página do Facebook.

Com o regresso do Brinço – a aldeia – e a chegada aos Açores nasce a minha irmã. A minha vida nunca mais seria a mesma…

Podia continuar aqui a relatar-vos a minha história. Com toda a certeza igual a tantas outras. Mas hoje não. Até porque se tornaria fastidiosa e longa.

Quem sou eu hoje? O que fiz? O que me realizou?

Hoje sou um homem que, apesar da tragédia, se sente realizado sob o ponto de vista familiar. Não quero estar sempre a bater no mesmo assunto. Mas não esqueço, faz parte de mim, transformou-me. Existe um Paulo Jorge antes do Filipe e um Paulo Jorge depois do Filipe. O de hoje deixou de acreditar. Não sei bem no que não acredito. Mas não acredito. Aprendi que a certeza não existe e que nada, mesmo nada, pode ser dado como garantido.

Tenho dois filhos maravilhosos e uma mulher que se desdobra e se desunha para continuar a fazer-me feliz, mesmo com este meu feitio estuporado e a facilidade com que os meus humores se alteram, sem que seja bipolar. Que poderia mais eu querer?

Profissionalmente não tenho do que me queixar, apesar de o fazer todos os dias. Não me falta trabalho e as adversidades são superadas com alguma facilidade. Se me sinto realizado? Não, não me sinto. Queria que as coisas funcionassem de outra forma. Que houvesse mais justiça e transparência no sector em que me movo. Que houvesse mais solidariedade e maior espírito de união.

Gostava de ter mais tempo. Tempo para me dedicar aos meus prazeres escondidos, particularmente a escrita e o exercício da cidadania. Gostava de escrever um livro. Ter uma participação mais ativa na sociedade. Pertencer a um movimento de cidadãos que queira verdadeiramente o bem comum. Queria poder fazer mais pela minha terra e pelas pessoas que me rodeiam. Há tanta gente a passar dificuldades. Tanta gente a precisar de ajuda.

Gosto da vida política. Fui deputado e gostei da experiência. Gostava de poder repeti-la, mas sei que não vai ser possível. A lógica partidária e da formação de listas não se coaduna com a minha forma de estar na vida e na política. Não ambiciono ser presidente de câmara. Não é coisa para mim. Respeito muito quem tenha essa vontade e ambição. É preciso gostar-se e ter jeito. Não é coisa para qualquer um.

Quero continuar a ser um cidadão ativo e livre. Não quero que as minhas opiniões me privem de quaisquer direitos cívicos, de ter acesso a determinado concurso, de conseguir determinado contrato, de andar na rua de cabeça erguida e, tão simples, não quero que a minha opinião faça com que as pessoas me virem a cara na rua só porque penso diferente delas.

Tenho 46 anos e quero continuar a ser como sou. A crescer. A evoluir. A envelhecer. Mas quero continuar a ser quem sou.

Hoje optei por partilhar uma fotografia, não dos meus bebés, mas dos meus pais. Eu teria quatro ou cinco meses e era gordo como um leitão. A eles lhes devo quem sou. Obrigado!

renascer no cemitério

Sad lonely pensive old senior woman

Quis voltar. Um dia quis voltar. Voltar para a minha mãe, para o seu colo, para o meu pai. Quis voltar para junto dos meus irmãos. Para a minha casa, para o meu quarto. Quis voltar a acordar na minha cama com o meu cão a lamber-me a cara e ansioso por me ver abrir os olhos. Quis voltar para junto daqueles que me tratam pelo meu primeiro nome ou me chamam pelo nome do meu pai. Quis voltar para aquela rotina inocente de todos os dias. Que nos cansa. E que me fez partir.

Quis ser outro homem. Fui outro homem.

O tempo passou. Quero voltar. Quero voltar à campa do meu pai. À casa da minha mãe. Acompanhá-la nos seus últimos dias. Quero estar com os meus irmãos. Ver fotografias antigas. Falarmos das brincadeiras de quando éramos pequenos e os nossos pais ainda eram jovens. Sempre as mesmas de cada vez que nos encontramos. Quero estar com os meus sobrinhos e ver neles quem fomos. Quero voltar para a minha cama. Encontrá-la como sempre foi. Pequena. Abrir o guarda-fato e ver as minhas antigas roupas. Mexer em papéis velhos perdidos na mesinha-da-cabeceira e encontrar memórias e aventuras proibidas. Nada está fora do seu lugar. Quero ver os fatos do meu pai. Sentir aquele odor adocicado das coisas antigas e da humidade que nos consome os ossos. A minha mãe não teve coragem de se desfazer deles. Quero abrir as gavetas e sentir o cheiro do passado e as histórias que revelam.

Quero ver a casota do meu cão. A coleira ainda está presa à corrente. Vazia. Vazia como aquela imensa casa onde a minha mãe passa os dias à espera de voltar a encontrar o meu pai. Dias longos à espera que eu lhe telefone.

Queria falar-lhe mais vezes. E dizer-lhe o quê? Que a vida não me corre bem. Que os sonhos se sumiram por entre os meus dedos? Que falhei? Ou então mentir-lhe. Contar-lhe histórias de sucesso e felicidade. Falar-lhe dos meus filhos. Dos seus netos. Dizer-lhe como estão uns homens e como têm a vida encarreirada. Ela ficaria feliz. Mentia-lhe.

Tenho saudades da sua voz. Da sua gargalhada espontânea e da forma simples como vê a vida. Tenho saudades da minha mãe.

Quero voltar para ouvir as pessoas chamarem-me pelo meu primeiro nome. Com aquela pronúncia que só as gentes da minha terra sabem fazer. Estou farto de ser um estrangeiro a fazer de conta que que sou americano. Como gostava de voltar a ser português. Com um nome português. Dito em português.

Das raras vezes que regresso, e têm sido cada vez mais raras, já poucos me reconhecem. Envelheci. Eles também. Perguntam-me de quem sou filho. “Tu não és…?” “Sim, sou!” “Estás para a América, não estás?” “já lá estou há trinta anos” “Por quanto tempo vais cá estar?” “Duas semanas” “Gostei de te ver. Manda visitas À tua mãe!”

Já não conheço muita gente. Passeio pelo cemitério. Recordo caras. Vidas. Histórias passadas. Estão todos ali. Amigos, familiares, conhecidos.

Quis voltar. E volto sempre. E sempre, naqueles quartos vazios, ouço a voz e as gargalhadas do meu pai. E sempre encontro a minha mãe. Mas sei que um dia, quando eu voltar, só restarão as suas vozes, as suas sombras, as suas roupas, os retratos na parede, a história das suas vidas…

a revolta dos verdes

 

revolta verde

Não sei se consistiu em alguma espécie de revolta contra os verdes, mas a verdade é que as nabiças e as alfaces foram atiradas porta fora pelo Jorge. Logo ele que tanto gosta de comer e apreciava, até há precisamente uma semana, este tipo de alimento, coisa que o pai só passou a comer mais amiúde depois dele ter nascido. Como o compreendo…

Isso mesmo, apreciava. Não sei o que aconteceu – desconfio, mas, de sábado para cá, o destino das verduras da sopa e do segundo é a beira do prato ou então, de forma mais criativa e original, o copo de vidro transparente onde deveria estar a água que, por vezes, partilha o espaço numa espécie de mistura verde em jeito de smoothie. Em bom rigor, não é criatividade por aí além, até porque, em tempos, chegou a ser canja ou sopa de massa ou sopa de qualquer coisa que estivesse no prato da refeição. Só que nessa altura, em vez dos sólidos irem fazer companhia à água, era o precioso líquido que se sentia atraído por um prato raso.

Em ambos os casos, a minha desconfiança recai nos avós… um dia explico!

A manhã na quinta de 0,000001 alqueires tinha sido calma. Uma manhã de colheitas que acabaram no meio do chão, ao sol.

a Praia bateu no fundo

DI E FOTO_PARA RUA DE JESUS

publicado na edição de hoje do Diário Insular.

Chegou-se a dizer que viriam mais 10.000 pessoas para a Praia. O número era insano, mas tudo tem valido no reino da propaganda, caindo na esparrela até mesmo muita gente esclarecida. Ainda se pensou que toda esta gente viesse em contentores, de para-quedas ou estivesse guardada num qualquer armazém secreto americano ainda por encontrar e desativar. Agora, ainda haverá a perspetiva que venham de outro planeta, já que a aventura espacial nas Lajes estará prestes a começar, nem que seja só em mais um comunicado ou conferência de imprensa.

Tudo aconteceu em 2006, quando o presidente do município praiense quis ir mais além do que o seu antecessor. A sua falta de visão não conseguia arranjar para a cidade mais do que um mísero aumento de quatro mil habitantes (só?!), na sequência da duplicação da área da cidade prevista no plano de expansão apresentado em setembro de 2005, um mês antes de deixar o cargo.

De facto, o papel aceita tudo, bastando para tal haver criatividade, imaginação e, condição essencial, não ter vergonha de dizer todo e qualquer disparate que passe pela cabeça de quem quer mostrar serviço e ser amado.

Quando se previu esse aumento absurdo de uma dezena de milhar de pessoas – qualquer coisa como metade da população do concelho – apresentou-se também aos praienses aquela que seria uma cidade “moderna, atraente e funcional”, nas palavras do presidente de 2006. Garantiu-se, à época, que a câmara municipal faria uma aposta forte na criação de “quatro grandes polos de desenvolvimento”: a zona da Beira-mar, a Praça Francisco Ornelas da Câmara, a zona do largo da Luz/rotunda do Cemitério e o Parque Desportivo. A par disto, seriam também criados três espaço de lazer: a praça FOC, o largo do BCA (depois BANIF, depois SANTANDER, depois nada) e o largo da Luz. Tudo isto estaria concluído em 2008…

Quem conhece a cidade, sabe que tudo isto não passaram de meras intenções e que pouco saiu do papel. Aliás, como tantos outros planos e anúncios mais ou menos feitos para encher os ouvidos e fazer de conta que se fez. A cidade não se modernizou, não está mais atraente, nem se tornou mais funcional. Antes pelo contrário…

De facto, a componente estética do projeto ficou concluída. Passeios novos, iluminação pública nova, floreiras novas, papeleiras novas… enfim, tudo aquilo que é comprável por catálogo foi concretizado. O que não depende da capacidade financeira e que vai para além da mera compra ou encomenda, ficou por se fazer: tudo o que dá trabalho e que depende da política e da capacidade de implementar planos de requalificação, expansão ou revitalização.

E se algum plano de expansão foi executado, esse plano passou simplesmente pela consolidação do poder – quanto mais tentacular melhor – e da afirmação partidária. A cidade foi remetida para segundo plano. O aumento de população para terceiro. O aumento de militantes e dependentes para primeiro, a prioridade da ação camarária.

Desta estratégia de crescimento, tida como “modelo de desenvolvimento socialista”, fazia ainda parte a criação de três parques empresariais: Lajes, Agualva e Boavista, sendo que neste último havia uma garantia de investimento por parte da PT e de investidores que o edil angariaria nos Estados Unidos. Nem o primeiro viu a luz do dia, nem o segundo saiu do papel e nem mesmo o terceiro, com todos os investidores premium anunciados, foi criado. O modelo de desenvolvimento socialista falhou. A Praia caiu! A Praia bateu no fundo!

o orlando do jardim

jardim-principe-real_LX

Tratava o José Silvestre Ribeiro por tu. Considerava-o um amigo, quase um membro da família. Desde que a sorte – ou a má fortuna – o fizera ir viver para aquele sótão da rua de Jesus, era a sua companhia, o seu confidente. Todas as manhãs, antes de descer a escada íngreme de madeira, olhava pela janela, cumprimentava-o e contava-lhe os pesadelos daquela noite. Jurava a quem o quisesse ouvir que a estátua rodava sobre si própria, o olhava nos olhos e lhe retribuía um sorriso. Era a gargalhada geral. O Orlando do Jardim, como era conhecido nos cafés da Praia, a princípio, quando cá chegou e a Praia ainda era uma vila, ficava furioso e insistia na sua verdade o que provocava ainda mais troça e escárnio. Agora, passados todos estes anos, deixou de fazer caso da reação deles. Mais importante seria garantir que continuasse a ter parceiros para uma partida de dominó ao fim da tarde no Bar Vouga.

Ninguém sabia ao certo quem era aquele homem. Não havia notícia de que alguém alguma vez tivesse entrado na sua casa. Eu próprio já o tentara fazer mas, quando o abordei, o bom Orlando esquivou-se, apressou o passou e seguiu rua de Jesus acima sem sequer se despedir ou olhar para trás.  A sua idade era uma incógnita. A sua origem, um segredo muito bem guardado. Na rua e no café procurava-se adivinhar que passado estaria aquele homem a esconder. Que vergonha guardaria. Procuravam-lhe pistas no rosto, nas mãos e na forma de vestir. As rugas contavam uma história por decifrar. Adivinhava-se uma vida de sofrimento tão bem refletida no olhar e que contrastava com a delicadeza das mãos e dos modos. Apesar da roupa usada e gasta pelos anos, o Orlando apresentava-se sempre impecavelmente vestido e com asseio imaculado. Aquela manhã não foi exceção.

Como habitualmente fazia, fechou a porta só no trinco e, ao contrário da rotina diária a que acostumara os vizinhos, em vez de descer, subiu a rua.

(a fotografia que ilustra este testo foi retirada do sapo magazine de cinema e representa o realizador João César Monteiro no Jardim do Príncipe Real em Lisboa)