as causas de félix rodrigues

Felix-Rodrigues

Conheço o Prof. Félix Rodrigues há 30 anos. E há três décadas que tenho por ele um respeito e uma admiração que não consigo ter por todos os professores que tive. Era eu um adolescente de dezasseis anos quando o Félix, aquele professor franzino e pequenino que se confundia connosco nos corredores do liceu, me apareceu pela frente no dia de apresentação da aula de físico-química do 11.º ano.

Apesar da fragilidade aparente e da baixa estatura – até parece que sou um gigante de 1,80m – aquele professor tornou-se grande como poucos que conheci ao longo dos muitos anos de escola que tive. Essa grandeza reforçou-se no ano seguinte quando, depois de iniciar funções na universidade, podia ter-nos abandonado e não o fez. Colocou os nossos interesses de alunos de Física do 12.º ano à frente dos dele próprio.

Para sempre lhe ficarei grato.

Anos mais tarde cruzámo-nos por diversas vezes. Desde o Desambientado ao Ilhéu do Norte ou em causas como a redução militar nas Lajes. Mas a vida tem as suas próprias ironias. Um sábado à tarde, eu e a Márcia resolvemos ir conhecer o complexo megalítico do Espigão. Andávamos nós perdidos no meio da mata e ouvimos a voz do Félix. Viu-nos e convidou-nos a integrar o grupo que ele acompanhava. Foi uma experiência inesquecível que fez com que eu passasse a olhar aquela questão numa perspetiva completamente diferente.

Não se trata de acreditar ou não acreditar. Não é uma questão de fé. Trata-se de apurar a verdade e não ter medo do resultado. Em história não existem dogmas e se houve ocupação humana pré-portuguesa, qual é o problema? Seremos menos portugueses por isso? Ou, pelo contrário, passaremos a ser mais ricos porque do passado também se cria riqueza? Ou então isto é tudo uma treta e de facto por cá não andou mais ninguém.

Só há uma forma de saber. Estudar. Investigar. Apurar a verdade. Ter coragem de parecer ridículo.

Por tudo isto, e pela paixão com que vejo o Prof. Félix Rodrigues dedicar-se às suas causas na busca da verdade, ontem, quanto assisti ao documentário da National Geographic, senti-me feliz como se fosse eu próprio o investigador.

Ao menos lá por fora ousam ouvi-lo e têm a coragem de levantar questões.

Parabéns professor!

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