a Praia bateu no fundo

DI E FOTO_PARA RUA DE JESUS

publicado na edição de hoje do Diário Insular.

Chegou-se a dizer que viriam mais 10.000 pessoas para a Praia. O número era insano, mas tudo tem valido no reino da propaganda, caindo na esparrela até mesmo muita gente esclarecida. Ainda se pensou que toda esta gente viesse em contentores, de para-quedas ou estivesse guardada num qualquer armazém secreto americano ainda por encontrar e desativar. Agora, ainda haverá a perspetiva que venham de outro planeta, já que a aventura espacial nas Lajes estará prestes a começar, nem que seja só em mais um comunicado ou conferência de imprensa.

Tudo aconteceu em 2006, quando o presidente do município praiense quis ir mais além do que o seu antecessor. A sua falta de visão não conseguia arranjar para a cidade mais do que um mísero aumento de quatro mil habitantes (só?!), na sequência da duplicação da área da cidade prevista no plano de expansão apresentado em setembro de 2005, um mês antes de deixar o cargo.

De facto, o papel aceita tudo, bastando para tal haver criatividade, imaginação e, condição essencial, não ter vergonha de dizer todo e qualquer disparate que passe pela cabeça de quem quer mostrar serviço e ser amado.

Quando se previu esse aumento absurdo de uma dezena de milhar de pessoas – qualquer coisa como metade da população do concelho – apresentou-se também aos praienses aquela que seria uma cidade “moderna, atraente e funcional”, nas palavras do presidente de 2006. Garantiu-se, à época, que a câmara municipal faria uma aposta forte na criação de “quatro grandes polos de desenvolvimento”: a zona da Beira-mar, a Praça Francisco Ornelas da Câmara, a zona do largo da Luz/rotunda do Cemitério e o Parque Desportivo. A par disto, seriam também criados três espaço de lazer: a praça FOC, o largo do BCA (depois BANIF, depois SANTANDER, depois nada) e o largo da Luz. Tudo isto estaria concluído em 2008…

Quem conhece a cidade, sabe que tudo isto não passaram de meras intenções e que pouco saiu do papel. Aliás, como tantos outros planos e anúncios mais ou menos feitos para encher os ouvidos e fazer de conta que se fez. A cidade não se modernizou, não está mais atraente, nem se tornou mais funcional. Antes pelo contrário…

De facto, a componente estética do projeto ficou concluída. Passeios novos, iluminação pública nova, floreiras novas, papeleiras novas… enfim, tudo aquilo que é comprável por catálogo foi concretizado. O que não depende da capacidade financeira e que vai para além da mera compra ou encomenda, ficou por se fazer: tudo o que dá trabalho e que depende da política e da capacidade de implementar planos de requalificação, expansão ou revitalização.

E se algum plano de expansão foi executado, esse plano passou simplesmente pela consolidação do poder – quanto mais tentacular melhor – e da afirmação partidária. A cidade foi remetida para segundo plano. O aumento de população para terceiro. O aumento de militantes e dependentes para primeiro, a prioridade da ação camarária.

Desta estratégia de crescimento, tida como “modelo de desenvolvimento socialista”, fazia ainda parte a criação de três parques empresariais: Lajes, Agualva e Boavista, sendo que neste último havia uma garantia de investimento por parte da PT e de investidores que o edil angariaria nos Estados Unidos. Nem o primeiro viu a luz do dia, nem o segundo saiu do papel e nem mesmo o terceiro, com todos os investidores premium anunciados, foi criado. O modelo de desenvolvimento socialista falhou. A Praia caiu! A Praia bateu no fundo!

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google photo

Está a comentar usando a sua conta Google Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s