“um Pavilhão Atlântico à nossa escala”

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As obras arrancavam em 2007 e o investimento era colossal. Nada menos que 3,5 MILHÕES de euros. Aqui as coisas não se fazem por menos. O pavilhão multiusos da Praia da Vitória ficaria concluído em 2009 e apresentaria condições para a realização de concertos musicais, hipismo, touradas de praça, circo e exposições diversas. Seria algo que os praienses, nem nos tempos de maior inspiração e utopia, ousariam sonhar. Era a época das coisas perfeitas. Eram os tempos dourados em que se nadava em dinheiro e tudo era possível.

Assegurava-se que não seria necessário recorrer-se a fundos comunitários. Seria criada uma empresa municipal – a Praia em Movimento, que Deus a tenha – que financiaria uma sociedade de empresas privadas para construir este complexo multiusos e a academia da juventude.

A Academia da Juventude e das Artes teria por objetivo ser um centro de cultura. Ministraria uma licenciatura em pintura com “dinâmica internacional” e lá se instalaria a Direção Regional da Juventude. Este equipamento cultural, apadrinhado pela primeira dama regional à época, veio a transformar-se e a crescer nos seus propósitos e objetivos, ultrapassando-se a si própria. É hoje, a nível da inovação e da promoção da cultura, só equiparável a outras instituições congéneres nacionais como o Centro Cultural de Belém ou a Casa da Música.

Mas é ao nível da juventude que esta agremiação praiense se transcende, correndo sérios riscos de ultrapassar de forma inequívoca a sua atividade cultural. Com esta pujança na dedicação aos jovens, quase que atinge o nível e o estatuto de uma AJITER.

Algo está mal, algo não funciona, mesmo tendo a Academia ótimas condições para se trabalhar e se poder implementar, em cooperação estreita com o Auditório do Ramo Grande e com todas as instituições do concelho, um projeto cultural e de juventude que projete a Praia na senda da modernidade e da verdadeira inovação.

Não existe um projeto cultural no concelho, nem uma programação digna desse nome. Gere-se este setor com demasiado amadorismo.

E a juventude? Que relação tem a Academia com a juventude? Limita-se a ceder espaços para encontros e workshops avulsos? Casamentos? É essa a ambição da autarquia para aquele espaço? Não se estará a transformar a AJAIT numa espécie de sociedade recreativa ou de clube de jovens amigos?

O “Pavilhão Atlântico à nossa escala”, que também já foi anunciado para a Boavista, teria um projeto arquitetónico “totalmente inovador”, no dizer do presidente. “Totally innovative!” “Totally different!”

De facto, a solução arquitetónica encontrada é francamente muito à frente, ao estilo minimalista. Nenhum arquiteto ousaria ir tão longe. Chapa verde canelada em jeito de tapume de estaleiro de obras, pavimento em asfalto de primeira e cobertura amovível que, ao contrário do habitual, só fecha no verão.

Este recinto está (in)convenientemente enquadrado no Parque Ambiental do Paúl que, apesar daquela nódoa, constitui uma zona de lazer de primeira qualidade, mas que permanece desconhecida para muitos praienses. O município deve sentir-se orgulhoso do seu parque. Permanece limpo, cuidado, com condições para ser, isso sim, um parque inovador e moderno digno de uma cidade deste milénio. Mas há coisas a resolver. Em primeiro lugar, o tal recinto multiusos. Depois, toda a área do clube naval e a ligação à estrada militar. Já agora, o que se pretende da chamada zona verde?

Academia, Multiusos e Paúl… três temas para não fugir.

artigo publicado na edição de hoje do Diário Insular.

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