silicon bay

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Da comitiva que se deslocou aos Estados Unidos nas últimas semanas, faziam parte o
Presidente da Câmara e dois dos três Vereadores a tempo inteiro da Câmara Municipal
da Praia da Vitória. Faltou a Vice-Presidente. Alguém tinha que ficar atrás para abrir e
fechar a porta.
A aposta é forte e o executivo camarário, nesta reta final do mandato, tem que
mostrar aos munícipes que está verdadeiramente empenhado em retirar a Praia do
fundo do abismo onde a deixou e onde se encontra presentemente.
É louvável esta vontade, mas, infelizmente, faltam cerca de seis meses para que
Roberto Monteiro deixe a presidência da autarquia, não tendo tempo para levar a
cabo esta empreitada, nem tão pouco terá tempo para ver os frutos que, sabemos,
levam o seu tempo a maturar.
Estará Roberto Monteiro a preparar-se para daqui a a quatro anos regressar para a
colheita? Pura especulação da minha parte. Mas só assim se justificará todo este
empenho em fim de ciclo.
A promoção do concelho como polo atrativo de investimento foram, e bem,
apresentar-se aos Estados Unidos, ao coração das maiores empresas tecnológicas da
atualidade onde trabalham jovens lusodescendentes com ligações familiares aos
Açores e à Terceira.
Não sendo original, já outros o fizeram no passado recente, o Município da Praia da
Vitória passou a olhar o capital humano da chamada diáspora não só como elemento
de interesse etnográfico e de fonte de apoio financeiro para festas, mas como
potencial de investimento na economia local que gera emprego e cria riqueza, o que a
Praia verdadeiramente necessita.
Contudo, estou consciente de que eu próprio esteja a ser, com este artigo, mais um
veículo de propaganda. Mas quero acreditar na boa vontade de quem tem a
responsabilidade de gerir os destinos do concelho e que não quererá ficar para a
História como o homem que viu a Praia afundar-se e nada fez para a salvar. Não
bastam edifícios novos, nem placas com o nome inscrito, nem tão pouco ganhar
eleições com votações expressivas. É preciso fazer a diferença, a longo prazo, na vida
das pessoas e do concelho. A curto prazo tudo é aparentemente um sucesso, antes dos
verdadeiros resultados, muitas vezes maus, começarem a aparecer.
Se a incubadora de empresas Praia Links, a dar os primeiros passos, vier a revelar-se
um sucesso e tiver a capacidade de nos transformar numa espécie de Silicon Bay, não
da Terceira, não dos Açores, mas do Mundo, todos ficaremos a ganhar, principalmente
as gerações futuras para as quais devemos empenhar todos os nossos esforços.
Posso estar a ser ingénuo neste discurso e neste pensamento, principalmente depois
de conhecer os resultados de acordos com a PT para a criação do parque tecnológico,
com a Finlândia para o desenvolvimento de projetos agroalimentares, enfim, com um
sem número de instituições e organizações que acabaram por não dar em nada ou até
mesmo com a criação, em 2014, de um fundo de capital de risco do qual nunca mais se
ouviu falar.
O resultado, agora, espero que não, pode ser exatamente o mesmo. Mas não é por
isso que vou deixar de acreditar que existe um futuro para a minha cidade. Um futuro
que será certamente melhor e que poderá passar por iniciativas como esta.
Nesse futuro cabem projetos como este e como outros que tenho a certeza irão surgir
nos próximos meses e anos, tenham os responsáveis pelo nosso destino enquanto
comunidade a capacidade e o engenho de ouvir a sociedade, de estar do seu lado e
trabalhar em prol do nosso futuro coletivo e das próximas gerações.
artigo publicado na edição de hoje do Diário Insular.
a fotografia é de Carlos do Carmo.

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