praia links

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A página da incubadora de empresas PRAIA LINKS foi lançada no início desta semana. Para além de toda a componente ligada ao apoio às empresas aí sediadas, prevê-se a realização de um grande número de iniciativas ligadas à formação de novos empreendedores e empresários. Este é um projeto a acarinhar, não só pelos habitantes deste concelho, mas por todos quantos olham para o futuro com esperança e otimismo.

faz acontecer na Praia

faz acontecer mafalda

Deixei propositadamente passarem alguns dias para poder escrever sobre o “Faz Acontecer” do André Leonardo que se realizou no passado sábado no Auditório do Ramo Grande da Praia da Vitória. Tratou-se de uma injeção concentrada de energia positiva, naquela dose certa, que nos torna mais otimistas e com vontade de fazer coisas.

É impossível ficar indiferente ao sorriso e à vontade de viver da Mafalda, que nos faz sentir pequenos, tendo a capacidade de transformar os nossos grandes problemas em minúsculas insignificâncias e a valorizar os pequenos passos e as pequenas conquistas. É impossível não escutar atentamente as histórias, conselhos e lições de vida do Tim, alicerçadas numa longa experiência onde nem sempre tudo foram rosas. Como é impossível não embarcar no entusiasmo do Marcos, identificarmo-nos com ele e rirmo-nos de nós próprios, dos contratempos da vida de quem é pai, das nossas angústias e do desespero de quem não sabe o que fazer quando nada parece ter solução, acabando por as encontrar nos pequenos gestos e nas pequenas coisas.

É motivador perceber que “fazer acontecer” não é só ganhar dinheiro, ter grandes negócios e sermos todos multimilionários. “Fazer acontecer” é também proporcionar aos outros e à comunidade uma melhor vida, ajudá-la a ultrapassar os seus problemas e alertá-la para aquilo de achamos por vezes ser o óbvio. “Fazer acontecer” é mudar. É transformar o impossível em conquista, mesmo que a passo de caracol. Na sua grandiosa sapiência o nosso povo costuma dizer que “devagar se vai ao longe”. Eu acrescentaria “o que é preciso é ir!”

Não conheço pessoalmente o André Leonardo, nem fazia ideia quem ele era, mas quero com este texto deixar-lhe o meu agradecimento por me ter proporcionado esta experiência e o meu testemunho de que valeu a pena!

Praya Music Resort 2017

Poderá ter sido lançado há mais tempo, mas só esta manhã é que vi. Trata-se do vídeo promocional do cartaz musical das festas da Praia 2017 que, contrariamente aos vídeos produzidos para a BTL e para a página pessoal do candidato único à câmara, consegue transmitir do nosso concelho uma imagem de modernidade e inovação. Parabéns à equipa que o idealizou e criou!

não é impossível

Não tem o dramatismo nem a agressividade do toiro de Wall Street que aqui apresentei há algumas semanas atrás, mas também representa a coragem de alguém que, personificado por uma frágil menina, enfrenta o monstro, a besta, seja ela um toiro enlouquecido ou um cavalo atacante.

Se, com o toiro, a menina está de peito aberto, mãos na cintura, a desafiar o animal, com o cavalo, a menina prefere fechar os olhos e, numa espécie de “seja o que Deus quiser!”, amansa a fera.

A alegoria é perfeita. Pena que seja só uma obra escultórica, petrificada no caso do cavalo, metalizada no caso do toiro, por muito bons que sejam estes trabalhos. Pena que estas meninas não sejam Pinóquios e que se transformem em seres humanos com a sua coragem.

Enfrentar as feras e amansá-las é uma missão difícil, mas não é impossível.

Esta escultura gigantesca é da autoria de Claudia Fontes que representa a Argentina na Bienal de Veneza deste ano.

As fotografias são de Christopher Jobson.

só podem vir melhores dias!

better days

Depois de bater no fundo, tal como numa piscina, só há que aproveitar a força exercida no pavimento, confiar nas leis de física, e aproveitar esse impulso para voltar à tona, de preferência reforçados.

Nas perspetivas mais pessimistas, o que pode acontecer é permanecermos no abismo durante mais tempo, faltar o ar, sucumbir de vez e abrir caminho a uma nova alternativa, seja ela qual for, o que nem sempre é positivo. Veja-se o que anda a acontecer um pouco por todo o lado onde o espaço deixado livre anda a ser ocupado por movimentos extremistas e populistas. Não é que por cá o populismo já não esteja enraizado. A diferença é que por estas terras o discurso e a ação são adaptados à nossa realidade e para nós parece ser algo de muito normal, música para os nossos ouvidos que nos inebria, cega e nos cala.

Falta-nos massa crítica e gente. Falta-nos democracia e debate de ideias sem linhas vermelhas e enquadramentos pré-formatados. Infelizmente, ainda não acreditamos na discussão como forma de procurar a luz. Preferimos apresentar a ideia e depois encontrar uma forma de legitimá-la. Tudo ao contrário. Fechamo-nos no nosso mundo e fazemos dele a realidade suprema e a solução divina, sem nos preocuparmos que possam existir outras soluções e alternativas. Somos arrogantes. Quem quiser que se adapte a nós, que pense como nós e siga o nosso exemplo. Como eu gosto do meu espelho. Infelizmente, o espelho não revela a realidade. Mostra-te um “eu” simétrico. Uma visão distorcida de quem tu és e, quando vez uma fotografia tua, não te reconheces a ti próprio e preferes acreditar que o fotógrafo não presta em vez de condenar o espelho.

É urgente voltarmos a acreditar em nós próprios e no potencial da nossa terra. É necessário que os decisores voltem a acreditar no eleitorado, nos cidadãos e os procurem e escutem. Que se organizem plataformas de debate, nem que seja em período pré-eleitoral. Mas sem rótulos, sem constrangimentos e sem o objetivo de vender ideias ou comprar votos, antes procurando soluções e alternativas. Há por aí tanta gente com vontade de fazer coisas, de partilhar ideias e projetos – muitos deles autênticas utopias criativas – mas que não quer compromissos partidários ou ficar com rótulos colados na testa que os façam ficar conotados com esta ou aquela tendência. Querem simplesmente participar e colaborar na construção de um melhor futuro para a ilha Terceira, que acreditam ser possível. Contudo, muita dessa massa crítica, particularmente jovens, retrai-se, acabando por se perder todo esse potencial de opinião, criativo e empreendedor.

Para vencermos o futuro é necessário que abracemos o conhecimento e o saber. Temos a geração mais qualificada de sempre. Nunca como agora tivemos tanta gente, tantos jovens, com formação superior, conhecimento técnico e científico num vastíssimo leque de disciplinas e atividades. É preciso dar-lhes condições para desenvolverem esse potencial sem que para isso tenham que integrar uma juventude partidária, um partido político ou terem que fazer parte de uma lista de candidatos, tantas vezes contrária aos seus valores e princípios ideológicos. Ao fazer-se isto, está-se a prestar um mau serviço à democracia e à comunidade. Esses jovens acabam por ter que defender ideias que não são as suas, moldando-se a uma realidade com a qual não se identificam, tornando-se peças de um sistema viciado que reprime e não abre espaço à novidade.

Já batemos no fundo e temos que sair de lá o quanto antes.

descontaminar a política

Com políticos desta maneira não vamos a lado nenhum. A verdade é que quando um assunto sai do âmbito da propaganda e não é resolúvel com um anúncio miraculoso, um beijinho a uma velhinha ou uma fotografia de felicidade retocada com photoshop nas redes socias, o desespero entra pela porta dentro e os inábeis pistoleiros desatam a dar tiros em todas as direções, exceto naquela onde se encontra o supremo líder que tem a capacidade de os destituir do cargo que não dá direito a fundo de desemprego, a não ser que resulte numa nova nomeação. 

É sempre assim e a história repete-se. Quando as coisas correm bem, o mérito é dos próprios, quando correm mal, a culpa é dos outros. A receita é conhecida e peca por repetitiva.

Contudo, desta vez, houve dificuldade em encontrar esses “outros”. Não era possível chutar o problema para Lisboa até porque estamos a falar da mesma confraria, da mesma irmandade. Gostava de dizer loja, mas o comércio está pelas ruas da amargura e foi melhor economizar nas palavras. Em vez disso, os socialistas açorianos – e praienses – preferiram juntar-se à linha radical do mecanismo extremista da capital e atirarem-se ao “El Diavolo” americano, só reforçando o chavismo do falecido Hugo que há longa data embaraça e manipula os incautos e desprotegidos habitantes destas nove ilhas e deste concelho que ironicamente ostenta a “Vitória” do liberalismo e da modernidade política. Mas isto da liberdade é chão que já deu uvas e passaram quase duzentos anos desde que D. Pedro IV daqui saiu vitorioso. Quem diria?! Hoje, em pleno século XXI, quem por aqui passar julgará que Dom Miguel terá sido o grande vencedor dessa distante batalha de 11 de agosto ou que Salgueiro Maia nunca terá nascido. Em todo o caso, manteve-se o carácter mais ou menos hereditário da sucessão no poder. Erros da história…

O pior cego é aquele que não quer ver e, ofuscados pela bebedeira partidária, os responsáveis políticos regionais recusam-se a constatar o óbvio: o Governo da República está-se nas tintas para nós, mesmo que por cá os seus emissários continuem a anunciar um mundo novo ou as maravilhas de mezinhas e unguentos milagrosos.

Quantas promessas, soluções e projetos já foram anunciados para a Terceira? Dezenas. Quanto foi cumprido? Népia!

Quantas exigências e quantos milhões foram exigidos ao Governo da República anterior para reduzir o impacto do, permitam-me o politiquez, “downsizing” da presença norte-americana nas Lajes? Centenas. Quanto se exige agora? Niente!

Não podemos continuar a viver de promessas e ilusões, de terminais de abastecimento de gás a navios que, afinal, deverão ir para Sines (assim entende o Governo da República) ou de Air Centre’s (ou Center’s) que ninguém garante virem para os Açores e muito menos para as Lajes, a não ser os pregoeiros do costume que, como Baltasar e Blimunda, se alimentam das “vontades” dos terceirenses para construírem a máquina voadora, o mito do progresso.

Marcamos passo e somos embalados ao sabor dos espíritos contaminados que pululam pelas instituições do poder que preferem ficar à espera de um novo adversário para guerrilhar em vez de lutarem e exigirem a Lisboa que se limite a fazer aquilo que é o seu dever enquanto Governo de Portugal inteiro, incluindo esta ilha. Não é necessário despirem a camisola partidária, tantas vezes vestida à pressa, mas não se deixem contaminar pelos interesses que não são os nossos. Assumam as vossas responsabilidades e defendam-nos! É isso que se espera, mas com verdade.

Publicado hoje no Diário Insular.

iscas de fígado

QUILHADOS

Os cartazes emoldurados e pendurados nas paredes do restaurante evocam uma Praia que já não existe. Contudo, no meio do bolor do passado que se vai agarrando aos vidros que protegem aquelas memórias, é possível vislumbrar-se o futuro num período da nossa história recente em que se acreditava no amanhã, eramos utópicos e não sonhávamos que algum dia viéssemos a ocupar quaisquer cargos públicos ou de nomeação política.

Ao olhar para aqueles cartazes assaltaram a minha mente as saudades desses tempos e que me recordam o passar dos anos e a velocidade com que o mundo pode mudar. A ingenuidade e a ignorância relativamente ao funcionamento interno dos partidos políticos e dos processos de tomada de decisão, quer no poder quer na oposição, deixavam-me acreditar que eramos livres para sermos quem quiséssemos e que podíamos defender as nossas ideias, mesmo contra os detentores do poder, sem represálias e sem termos que olhar à volta preocupados com quem pudesse estar a ouvir-nos para de imediato ir encher os ouvidos chefe e desta forma mostrar serviço que prontamente seria recompensado. “O triunfo dos bufos”!

Nem sempre foi ali a morada daqueles anúncios de festivais, concertos e peças de teatro. Vítima do progresso desejado e ambicionado, o restaurante deu lugar àquilo que hoje é a Praceta das Artes e o Passeio d’Os Sombras convenientemente decorados com a obra do Ramiro Botelho, o artista plástico praiense cuja vida foi tragicamente interrompida por altura da sua inauguração.

O antigo Garça era mais do que um restaurante. Era o ponto de encontro para aqueles que se dirigiam ao antigo Salão Teatro Praiense (mais tarde ao Auditório) por ocasião do Festival do Ramo Grande, de uma peça d’A Teia, do Alpendre, da Ilha Décima e de tantos outros eventos de excelência que por aqueles palcos passavam. Era o espaço onde o Luís Bettencourt promovia cafés concerto para acolher os professores novos que chegavam à Praia a cada ano letivo, proporcionando-lhes aquele acolhimento caloroso que só nós sabemos dar. Era aquilo a que hoje se chama um “spot” e que ainda não encontrou substituto, talvez porque a lógica da organização e dinâmica culturais da Praia dos dias de hoje seja completamente diferente daquela que existia há alguns anos. Deixou de ser “laica”, no que às tendências partidárias diz respeito, inquinando desta forma todo o sistema. É com dificuldade que se veem nascer movimentos culturais verdadeiramente independentes com condições para sobreviver e sem terem que pedinchar por apoios, tantas vezes atribuídos de forma tão pouco transparente e sem critérios claros, fazendo com que as iniciativas acabem na gaveta. Todos ficamos a perder.

“Qu’ilhados”. Assim se chamava a peça d’A Teia cujo cartaz me fez viajar no tempo e escrever este artigo. As cores já não são as originais. A intensidade do Sol e a crueldade do tempo encarregaram-se de as desgastar, embora deixando ainda visíveis os nomes dos atores: Evandro Machado, José João Angeiras, Judite Parreira, Verónica Bettencourt e Walter Peres (o “W” não é gralha, é assim que está no cartaz). Fiquei a observá-lo durante algum tempo e a recordar os beliches no palco, a juventude inocente de nós todos, recitais de poesia camoniana nos Paços do Concelho e passeios de Almeida Garrett pelas ruas de Angra.

Acordei! Regressei ao local onde a minha família se encontrava à minha espera. Sobre a mesa, aguardava-me um belo prato de iscas de fígado com batatas fritas como só o Garça sabe fazer. Não sobrou nada.

 

engodo perfeito

aircentreHoje está Sol, a rua de Jesus está vazia (o que não é uma novidade), a cidade não cheira a dejetos de porco e a ilha Terceira vai regressar à sua função de centro do mundo universal e da via Láctea com a instalação, nesta terra abençoada por Deus e com a pior aerogare da Europa, do Air Centre. Pelo menos é o que diz, repete e insiste a Deputada Lara Martinho em todos os artigos de opinião, comunicados de imprensa, “postagens” no facebook e provavelmente terá a casa forrada a “post its” amarelo-fluorescente com a frase “Air Centre” para não se esquecer de a dizer sempre que tenha oportunidade. Por vezes até se fica com a ideia de que já aqui aterra o space shuttle ou de que a NASA, à semelhança da SATA, mudou para cá as suas instalações ou passaram a ser cá fabricados aviões. Curiosa e infelizmente é que, por parte de quem de direito e de quem toma as decisões e tem a capacidade para as implementar, ninguém dá por garantida a instalação na Terceira, nem sequer nos Açores, deste falado e previamente aclamado Air Centre. Já é mais do que tempo de dizer a verdade e nada mais do que a verdade aos terceirenses e, neste caso concreto, aos praienses em particular.

Vivemos num mundo de ilusões e do entretenimento puro em jeito de programa de domingo à tarde dos canais de televisão. A política tornou-se num desenrolar de estórias ficcionadas, uma atrás da outra, com final feliz anunciado, mas que se vai arrastando temporada atrás de temporada sem que se vislumbre esse encerramento épico. Vai-se alimentando o povo com notícias aparentemente avulsas, mas milimetricamente planeadas, sem que alguém as coloque em causa, sem que se levante a dúvida ou as contradiga. Uns ficam à espera dos outros e ninguém quer ser o desmancha-prazeres, o que vem estragar uma festa em que ninguém vai ficar até ao fim para ver o fogo-de-artificio, se houver.

Enquanto isso, as novelas do passado recente que serviam para arremessar ao Governo da República anterior ficam esquecidas e o Porto da Praia continua como está e a implementação do PREIT, no que a assuntos sérios diz respeito, fica por fazer deixando de ser importante e obrigação do Governo Central transferir para os Açores milhões e muitos milhões de euros ou descontaminar os aquíferos que saciam a sede aos habitantes do Leste da Terceira.

Tudo é relativo. A importância e dimensão dos problemas também é facilmente relativizada. Tudo depende dos interesses partidários do momento, independentemente do verdadeiro interesse das populações. Veja-se o que se passa a nível nacional com o fraturante Bloco de Esquerda ou com o ortodoxo Partido Comunista Português para quem o 25 de abril ou o 1º de maio passaram a ser meros feriados nacionais para se passear nas avenidas de Lisboa sem que se reivindiquem as pertinentes bandeiras de sempre e não se ouçam palavras de ordem contra o governo como se vivêssemos num país perfeito. Os tempos mudaram. As ideologias esbateram-se e as siglas partidárias deixaram de coincidir com o pensamento a que tradicionalmente lhes atribuímos. Expressões como esquerda e direita tornaram-se chavões e armas de arremesso no ringue da luta partidária onde o importante é sair-se vencedor, ou melhor, o importante é derrotar.

Senhora Deputada Lara Martinho, mais do que palavras, precisamos é de ações reais que mudem, para melhor, a vida das pessoas. Espero verdadeiramente que os seus escritos se materializem e o Air Centre se torne rapidamente uma realidade. Enquanto isso, com pena minha, são só palavras.

Publicado na edição de hoje do Diário Insular.