descontaminar a política

Com políticos desta maneira não vamos a lado nenhum. A verdade é que quando um assunto sai do âmbito da propaganda e não é resolúvel com um anúncio miraculoso, um beijinho a uma velhinha ou uma fotografia de felicidade retocada com photoshop nas redes socias, o desespero entra pela porta dentro e os inábeis pistoleiros desatam a dar tiros em todas as direções, exceto naquela onde se encontra o supremo líder que tem a capacidade de os destituir do cargo que não dá direito a fundo de desemprego, a não ser que resulte numa nova nomeação. 

É sempre assim e a história repete-se. Quando as coisas correm bem, o mérito é dos próprios, quando correm mal, a culpa é dos outros. A receita é conhecida e peca por repetitiva.

Contudo, desta vez, houve dificuldade em encontrar esses “outros”. Não era possível chutar o problema para Lisboa até porque estamos a falar da mesma confraria, da mesma irmandade. Gostava de dizer loja, mas o comércio está pelas ruas da amargura e foi melhor economizar nas palavras. Em vez disso, os socialistas açorianos – e praienses – preferiram juntar-se à linha radical do mecanismo extremista da capital e atirarem-se ao “El Diavolo” americano, só reforçando o chavismo do falecido Hugo que há longa data embaraça e manipula os incautos e desprotegidos habitantes destas nove ilhas e deste concelho que ironicamente ostenta a “Vitória” do liberalismo e da modernidade política. Mas isto da liberdade é chão que já deu uvas e passaram quase duzentos anos desde que D. Pedro IV daqui saiu vitorioso. Quem diria?! Hoje, em pleno século XXI, quem por aqui passar julgará que Dom Miguel terá sido o grande vencedor dessa distante batalha de 11 de agosto ou que Salgueiro Maia nunca terá nascido. Em todo o caso, manteve-se o carácter mais ou menos hereditário da sucessão no poder. Erros da história…

O pior cego é aquele que não quer ver e, ofuscados pela bebedeira partidária, os responsáveis políticos regionais recusam-se a constatar o óbvio: o Governo da República está-se nas tintas para nós, mesmo que por cá os seus emissários continuem a anunciar um mundo novo ou as maravilhas de mezinhas e unguentos milagrosos.

Quantas promessas, soluções e projetos já foram anunciados para a Terceira? Dezenas. Quanto foi cumprido? Népia!

Quantas exigências e quantos milhões foram exigidos ao Governo da República anterior para reduzir o impacto do, permitam-me o politiquez, “downsizing” da presença norte-americana nas Lajes? Centenas. Quanto se exige agora? Niente!

Não podemos continuar a viver de promessas e ilusões, de terminais de abastecimento de gás a navios que, afinal, deverão ir para Sines (assim entende o Governo da República) ou de Air Centre’s (ou Center’s) que ninguém garante virem para os Açores e muito menos para as Lajes, a não ser os pregoeiros do costume que, como Baltasar e Blimunda, se alimentam das “vontades” dos terceirenses para construírem a máquina voadora, o mito do progresso.

Marcamos passo e somos embalados ao sabor dos espíritos contaminados que pululam pelas instituições do poder que preferem ficar à espera de um novo adversário para guerrilhar em vez de lutarem e exigirem a Lisboa que se limite a fazer aquilo que é o seu dever enquanto Governo de Portugal inteiro, incluindo esta ilha. Não é necessário despirem a camisola partidária, tantas vezes vestida à pressa, mas não se deixem contaminar pelos interesses que não são os nossos. Assumam as vossas responsabilidades e defendam-nos! É isso que se espera, mas com verdade.

Publicado hoje no Diário Insular.

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