só podem vir melhores dias!

better days

Depois de bater no fundo, tal como numa piscina, só há que aproveitar a força exercida no pavimento, confiar nas leis de física, e aproveitar esse impulso para voltar à tona, de preferência reforçados.

Nas perspetivas mais pessimistas, o que pode acontecer é permanecermos no abismo durante mais tempo, faltar o ar, sucumbir de vez e abrir caminho a uma nova alternativa, seja ela qual for, o que nem sempre é positivo. Veja-se o que anda a acontecer um pouco por todo o lado onde o espaço deixado livre anda a ser ocupado por movimentos extremistas e populistas. Não é que por cá o populismo já não esteja enraizado. A diferença é que por estas terras o discurso e a ação são adaptados à nossa realidade e para nós parece ser algo de muito normal, música para os nossos ouvidos que nos inebria, cega e nos cala.

Falta-nos massa crítica e gente. Falta-nos democracia e debate de ideias sem linhas vermelhas e enquadramentos pré-formatados. Infelizmente, ainda não acreditamos na discussão como forma de procurar a luz. Preferimos apresentar a ideia e depois encontrar uma forma de legitimá-la. Tudo ao contrário. Fechamo-nos no nosso mundo e fazemos dele a realidade suprema e a solução divina, sem nos preocuparmos que possam existir outras soluções e alternativas. Somos arrogantes. Quem quiser que se adapte a nós, que pense como nós e siga o nosso exemplo. Como eu gosto do meu espelho. Infelizmente, o espelho não revela a realidade. Mostra-te um “eu” simétrico. Uma visão distorcida de quem tu és e, quando vez uma fotografia tua, não te reconheces a ti próprio e preferes acreditar que o fotógrafo não presta em vez de condenar o espelho.

É urgente voltarmos a acreditar em nós próprios e no potencial da nossa terra. É necessário que os decisores voltem a acreditar no eleitorado, nos cidadãos e os procurem e escutem. Que se organizem plataformas de debate, nem que seja em período pré-eleitoral. Mas sem rótulos, sem constrangimentos e sem o objetivo de vender ideias ou comprar votos, antes procurando soluções e alternativas. Há por aí tanta gente com vontade de fazer coisas, de partilhar ideias e projetos – muitos deles autênticas utopias criativas – mas que não quer compromissos partidários ou ficar com rótulos colados na testa que os façam ficar conotados com esta ou aquela tendência. Querem simplesmente participar e colaborar na construção de um melhor futuro para a ilha Terceira, que acreditam ser possível. Contudo, muita dessa massa crítica, particularmente jovens, retrai-se, acabando por se perder todo esse potencial de opinião, criativo e empreendedor.

Para vencermos o futuro é necessário que abracemos o conhecimento e o saber. Temos a geração mais qualificada de sempre. Nunca como agora tivemos tanta gente, tantos jovens, com formação superior, conhecimento técnico e científico num vastíssimo leque de disciplinas e atividades. É preciso dar-lhes condições para desenvolverem esse potencial sem que para isso tenham que integrar uma juventude partidária, um partido político ou terem que fazer parte de uma lista de candidatos, tantas vezes contrária aos seus valores e princípios ideológicos. Ao fazer-se isto, está-se a prestar um mau serviço à democracia e à comunidade. Esses jovens acabam por ter que defender ideias que não são as suas, moldando-se a uma realidade com a qual não se identificam, tornando-se peças de um sistema viciado que reprime e não abre espaço à novidade.

Já batemos no fundo e temos que sair de lá o quanto antes.

Um pensamento sobre “só podem vir melhores dias!

  1. Vou discordar de ti, Paulo. Não creio que nos falte, assim tanto, massa crítica e gente. Temo-la. Efectivamente. Mas vou concordar contigo, a 100%, é preciso contar com todas as pessoas – não só os jovens – que não têm cores políticas… Até porque essas pessoas, querendo ou não, são eleitorado. Aprecio a forma como defendes a Praia. E entristece-me constatar o óbvio: apagou-se. Basta-nos ir a Angra para ver a diferença. Será que conseguiremos recuperá-la? Há dias em que me parece simples. E outros não. Que memórias estamos a construir para os nossos, vossos filhos? Certamente, a de uma Praia que não será aquela de que nos lembramos todos.

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