na primeira pessoa


Nem chegou a meia-hora o tempo em que afagou no colo o filho já sem vida. Havia nascido há
pouco mais de uma hora, mas não teve forças para sobreviver. Deus não estava do seu lado
nesse dia e não hesitou em levá-lo para junto de si. Não teve direito a um funeral religioso
porque não houve tempo para o batizar. Mas teve direito a um nome, a uma família e a um
lugar junto ao bisavô, na sua pequena urna branca, transportado ao colo para o seu eterno
sono. Deixaram-na destrancada. As almas inocentes querem-se livres. Os anjos querem-se
libertos.  

Passados pouco mais de quatro anos, a chave daquela pequena caixa branca sem qualquer má
cula de pecado ainda se encontra guardada junto à Coroa do Espírito Santo exposta no orató
rio improvisado lá de casa. Naquela triste tarde de segunda-feira, a terra perdeu uma criança,
um bebé que Deus achou por bem não ficar neste mundo, ficou uma família destroçada e sem
pé caminhando para o abismo. Mas o céu ganhou um anjo que, tenho a certeza, olha por nós
e, apesar da tenra idade com que partiu, tudo fará para nos proteger.  

Foram os tempos mais difíceis e duros da minha vida. Um tempo em que aprendi que tinha
forças escondidas vindas não se sabe de onde. Forças para aguentar aquela dor profunda e ter que manter uma frieza aparente para que tudo à nossa volta não se desmorone e possamos
ser o ombro das lágrimas da mãe que quer desistir, dos nossos próprios pais que nos dizem
que dariam o seu lugar em troca do neto perdido e não compreendem a inversão da ordem
natural das coisas, dos nossos irmãos que têm filhos e que se questionam porque razão Deus
cometeu esta injustiça, e de toda a família que olha para ti, te veem como um cubo de gelo
que tudo suporta, e espera que sejas tu a encontrar uma solução para o que não tem remédio.
Alguém tem que fazer esse papel. Não há que ter medo de chorar nem de pedir ajuda. A vida
continua e temos que olhar para a frente com a ajuda dessa mesma família que é a tua e que
não te abandona nunca e dos amigos que estão sempre presentes, até nos momentos de
alegria!  

Nove meses depois, precisamente o tempo necessário à gestação de uma criança, os pais
desse menino que nem a cor dos olhos chegaram a ver, perderam o emprego. Um processo
também ele doloroso, salvas as devidas diferenças, e que acabou relativizado, precisamente
por causa disso. O Universo conspirava contra nós. Deus tinha-nos abandonado. Em tão pouco
tempo o mundo que conhecíamos ruía por completo e aprendi que nada na vida é garantido,
nem mesmo aquelas arrogantes certezas absolutas.  

Nesse mesmo ano, a 8 de junho de 2014, por voltas das seis horas da tarde, dirigi-me ao largo
da igreja das Lajes, onde decorriam as habituais festividades do Pentecostes – 1.º Bodo do Espí
rito Santo – e subi a pequena escadaria do Império. Tinha uma promessa para cumprir e dei o
meu nome para tirar pelouro para o ano seguinte. Quis o Divino que ficasse responsável pela
Coroação do 2.º domingo de 2015. Começaram de imediato os preparativos. Entretanto, em
novembro, nasceu o meu segundo filho que batizei no dia da Função e em 2016 nasceu a minha filha. Ao mesmo tempo, criávamos a nossa própria empresa que já leva quase dois anos
de existência e segue no bom caminho. 

Porque vos digo isto completamente a despropósito daquilo que têm sido os meus escritos?
Porque quis partilhar convosco este meu testemunho de fé no Espírito Santo que tanto me
Utem guiado e ajudado. E se Ele vos pedir alguma coisa, confiem, não digam que não. Vai valer a
pena! 

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