marchar, marchar!

SANJOANINAS 2017

Daqui por umas horas, as ruas da cidade de Angra do Heroísmo vão encher-se de gente para assistir ao cortejo de abertura de mais umas festas Sanjoaninas, aquelas a que nós terceirenses, nos orgulhamos em dizer serem as maiores festas profanas dos Açores. Na realidade, tirando as da Praia, são-no, de facto. Aqui apetecia-me colocar um “LOL” ou um “emoji smile” em jeito de conversa de rede social para atestar o caracter de brincadeira que esta expressão pretende encerrar. É tempo de festa e tempo de celebrar a chegada do verão. Diria Antonieta Costa que é o solstício e a abundância e mais não sei o quê. Eu limito-me a dizer que, a pretexto de um santo “com os seus caracóis loiros e um cordeirinho aos pés”, arranjámos uma boa desculpa para sairmos de casa, enfrascarmo-nos e regressar ao lar ainda a tempo de ir trabalhar na manhã seguinte. Ah e a produtividade e a assiduidade e a pontualidade e essas “cenas” todas com que nos atazanam o juízo sempre que dizemos que fomos para a festa? Tudo se faz. É São João e ninguém leva a mal. Nem que só façam de conta e vão fechando os olhos. Bom bom era uma toleranciazinha…

Mas o grande dia é amanhã. Noite de São João e das já chamadas tradicionais marchas populares como se sempre tivessem existido. O dia em que Angra transborda pelas costuras e fica sem espaço para quem se atrasar quinze minutos que sejam e tenha que estacionar o carro muito para lá da Silveira. É a noite de todas as noites. Com transmissão em direto para o mundo inteiro através da RTP Internacional disseminando a nossa língua e a nossa cultura de terceirenses “prezados”. Hoje, falar de Sanjoaninas sem falar de marchas populares, seria como falar do Santo Cristo e levar o andor vazio. E se a grande manifestação religiosa da ilha de São Miguel teve como madrinha a Madre Teresa da Anunciada, as marchas populares das Sanjoaninas de Angra tiveram como padrinhos um grupo de cidadãos praienses que no ano de 1981, pela primeira vez, incluíram no programa das Sanjoaninas – realizadas esse ano na Praia da Vitória – um desfile de marchas populares que desceram a rua de Jesus três dias depois da então Vila da Praia da Vitória ter sido elevada à categoria de cidade.

A recém-nascida cidade introduzia na festa um toque de inovação que perdurou até hoje e que constitui na atualidade o seu principal polo de atração. Enumerar todos aqueles que, nessa altura, contribuíram para que isso acontecesse não seria tarefa fácil, até porque alguns certamente ficariam esquecidos. Mas vou correr o risco de destacar três nomes e, como sempre, o meu corpo aqui estará para aparar as balas que a ele forem atiradas. Uma pessoa vai-se habituando. E aqui vão três nomes: Carlos Parreira (o Parreira da Agência), Francisco Simões (o Chico da Sapataria) e Isabel Rodrigues (a professora). Sem estes três praienses, os que os acompanharam e sem todos aqueles que ao longo destes trinta e seis anos organizaram uma coisa tão complicada de organizar como é uma marcha, compuseram a música, escreveram as letras, ensaiaram, desenharam os fatos e os produziram e aos milhares de músicos e marchantes que desceram a rua de Jesus e descem a rua da Sé, sem esta imensidão de gente não seria possível que as marchas se tivessem tornado um cartaz da nossa ilha, uma tradição em praticamente todas as nossas freguesias e que a cada 23 de junho Angra se encha de forasteiros que têm como objetivo único divertirem-se, nem que seja só por uma noite. Ou duas…

Divirtam-se! Voltamo-nos a encontrar no dia de São Pedro!

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