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Mês: Julho 2017

under the bridge

Trabalhar com um cenário diferente. Pena é que o dia tenha amanhecido chuvoso e a mesa em pedra no pátio, sob a latada, esteja toda molhada. O escritório, por umas horas, e quem sabe uns dias, mudou-se para a costa norte. O contacto telefónico é o mesmo, o e-mail é o mesmo… sempre que houver rede!

Chama-se a isto, trabalhar debaixo da ponte…

o pescador

Depois de um dia a conhecerem novos lugares e a viverem essa experiência única que é tomar banhos de mar envolvidos pelo negrume do basalto, que mais se poderia pedir do que umas lulas à guilho acompanhadas por açorda de marisco no restaurante "O Pescador"? Teriam preferido bolonhesa ou nuggets de frango?! Tenho dúvidas… e comem como gente grande!

nova atração no jardim da Praia

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Todos falam nele e mais ainda passam ao portão e esquecem-se que ele existe. Está lá, aberto ao público, dia após dia, a maior parte das vezes… vazio. José Silvestre Ribeiro, no topo da coluna que lhe serve de pedestal, entretém-se com os pombos que lhe poisam nos ombros e na cabeça e vai apreciando aqueles que no mercado municipal, mesmo em frente, dão dois dedos de conversa sentados na esplanada do café da Lurdes ou os outros que vão ao peixe fresco, à carne e aos legumes e fruta que vão resistindo à concorrência feroz dos gigantes que se impõem selvaticamente.

O Jardim Municipal José Silvestre Ribeiro (da Praia da Vitória) ganhou agora nova atração. Um café/pastelaria – a Pastelaria da Graça – com esplanada. Os doces são caseiros tradicionais. Tem wi-fi – aquele que a autarquia disponibiliza gratuitamente em todo o centro histórico – e um relvado, o do jardim, que permite relaxar, deitados na relva, a ler um livro, a atualizar as redes sociais ou simplesmente fechar os olhos. Não sei se é permitido. Se não o for, é só mais uma daquelas regras para desobedecer. Merece uma visita.

mitigação do downsizing

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Não sei o que seria da cidade da Praia da Vitória se não tivesse o privilégio de ter à frente do governo dos Açores um executivo que se preocupasse tanto com este município e propusesse para ele tantas soluções arrojadas e fora-da-caixa.

Não estou a ironizar. De facto, desde o anúncio esperado da partida dos norte-americanos, os projetos apresentados têm sido muitos e variados tendo sempre como pano de fundo a importância geoestratégica comercial do porto da Praia e do aeroporto das Lajes. Desta forma, o governo tem demonstrado visão, iniciativa e reconhecimento público das potencialidades da ilha Terceira.

Uma plataforma logística no porto da Praia, um HUB Atlântico internacional no porto da Praia, um terminal de abastecimento de gás natural a navios… no porto da Praia, um cais de Cruzeiros… no porto da Praia, uma zona económica especial… no porto da Praia ou uma ligação aérea direta entre a Terceira e o Porto – não da Praia mas do norte de Portugal – no aeroporto das Lajes.

A “mitigação do downsizing” (em bom politiquês para dar aquele ar de pseudo-entendido em questões de política internacional e que sabe tudo sobre a base dos americanos) fica resolvida. Com estas propostas, nós, praienses, podemos voltar a respirar de alívio. As sementes estão lançadas, agora é só esperar que germinem e que deem frutos. Não podemos é ter pressas. Estas questões são complexas e levam tempo a serem implementadas e a darem resultados. É preciso termos calma, paciência, e, por exemplo, não corrermos o risco de criar uma ligação SATA entre a Terceira e o Porto e depois termos que acabar com ela porque uma companhia privada, que não receberá – digo eu – um único cêntimo de dinheiros públicos, será tudo do seu bolso, nos está a tirar os clientes e a encher os seus aviões. Seria irresponsável. E que jeito dariam aqueles aviões vazios para ir prestar serviço público para outras partes do mundo. A nossa companhia!

Mal posso esperar pela nova dinâmica que, logo logo, terá a baía da Praia. O aumento significativo de novas empresas, maioritariamente tecnológicas, a descida acentuada do desemprego, a aproximar-se do pleno emprego com todas as medidas já implementadas e com a reconversão dos ativos atualmente inscritos no centro de emprego. Com os projetos apresentados pelo governo regional, a Praia sairá rapidamente deste estado de crise profunda em que se encontra só atenuada pelo aumento significativo do turismo que, não só por estes dias, mas sobretudo por estes dias, enche os hotéis e o alojamento local e funciona como o balão de oxigénio desejado.

A “rua de Jesus” da imprensa escrita vai tirar umas férias.

Da próxima terça-feira a dois meses realizam-se as eleições autárquicas. Até à hora em que este artigo é escrito só é conhecido o projeto de um dos candidatos à Câmara da Praia. Certamente, durante esta paragem estival, serão dadas a conhecer as propostas das restantes candidaturas, bem como a composição das respetivas equipas.

Espero, que quando em setembro regressar, os projetos do governo regional para a Praia já tenham saído da esfera virtual e tenham começado a materializar-se. No entretanto, deixemos a discussão da política com os candidatos autárquicos.

No outono voltaremos a ver-nos. Boas férias e venham à Praia. Não há festas como estas!

Artigo publicado na edição de hoje do Diário Insular.

A imagem foi retirada da página da Câmara Municipal da Praia da Vitória.

 

sangue de dragão

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Sangue de Dragão. É assim chamada a seiva do Dragoeiro, um fóssil vivo, natural da Macaronésia, que pode ser visto um pouco por todas as ilhas e concelhos dos Açores, não sendo a Praia da Vitória exceção. O apresentado na fotografia cresce bem no coração da nossa cidade, na rua Aniceto d’Ornelas a escassos metros da nossa praça principal. Não é dos maiores, mas a sua imponência e beleza exótica, merecem uma fotografia.

sete e meia da manhã

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Sete e meia da manhã nas Lajes da Terceira. Aparentemente, este vai ser mais um dia quente de julho a contrastar com o prolongado, sombrio e chuvoso inverno açoriano. O verão é curto e, inconscientemente, no nosso cérebro, a divisa da Casa Stark transforma-se naquela nuvem que nos estraga a boa disposição de uma manhã como esta. “The winter is coming!” ou, adaptando à realidade local, “nunca se sabe como vai estar da banda da tarde!”.

O livro já leva largas semanas de leitura. Mas do que imaginava inicialmente. A disponibilidade não é muita. O tempo, o silêncio e o sossego escasseiam. Há que aproveitar as manhãs, especialmente as que nascem como a de hoje. Não consigo desistir deste livro, por muitos outros que aguardam a sua vez na estante e que anseio desbravá-los.

A história de Archie Ferguson, as quatro diferentes histórias de Archie, as três diferentes vidas de Ferguson agarraram-me de tal forma que nem as 872 páginas que o compõem me fazem desistir dele. Agora, seria morrer na praia… Nunca havia lido nada de Paul Auster mas, confesso, fiquei cliente. Já pouco falta para terminar. Mais uns dias, a este ritmo,…

A Amélia chora. Acordou. Vai demorar mais um pouco para terminar este “4.3.2.1”.

sol tórrido no norte da Terceira

MOINHO QUATRO RIBEIRAS

Regresso às Quatro Ribeiras. Pode parecer mentira, mas fazia tempo que não sentia aquele Sol tórrido que só existe nas Quatro Ribeiras pela manhã. O Sol, o silêncio e o murmurar da água a correr na ribeira. Apeteceu-me tirar férias permanentes ou, pelo menos, férias enquanto estiver bom tempo. Infelizmente, não é possível. O trabalho e o dever chamam… Devia voltar mais vezes à paróquia de Santa Beatriz. Todos devíamos passar por lá com maior frequência. Bem, não só passar, mas sobretudo, ficar.

défice democrático

A propósito de défice democrático, deixo-vos uma apresentação proferida por Jorge Ramos, jornalista mexicano radicado nos Estados Unidos, em que ele defende, nesta conferência TED Talks, a necessidade dos jornalistas desafiarem o poder político, questionando-os, confrontando-os com as suas contradições e não se limitarem a serem eco ou, no extremo, veículos de propaganda. Claro está que isto se refere à realidade que atualmente se vive em terras de Tio Trump!

avenida marginal

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Mais ligeiros ou mais enferrujados, elegantes ou com algumas gordurinhas – poucas – localizadas, vestidos de fato de licra fluorescente ou calção lasso conservador, a marginal da Praia, por volta das oito e meia da noite, transforma-se num arraial de tourada na areia no que à quantidade de transeuntes diz respeito.

Preocupados com a sua saúde e a sua aparência física, os praienses aderiram com entusiasmo a este novo espaço da cidade já calcorreado até pela própria Rosa Mota que, numa manhã de agosto, o inaugurou e amadrinhou.

Bicicletas, esses veículos não poluentes e tão em voga pelas estradas da nossa ilha, poucas, pelo menos a essa hora. A verdade é que, apesar da pista e beleza inigualável do circuito, os acessos da ciclovia à marginal propriamente dita (onde há circulação automóvel) não é o melhor. Não tem rampa. Faz-se através de um degrau. Ou melhor, sai-se da ciclovia por uma pequena rampa e desemboca-se num degrau. Tudo em contínuo. Não são raras as quedas. A rever este detalhe por parte de quem tem competência para tal.

O passeio marginal está cheio. As esplanadas, também. Aliás, em contraste com o que se tem passado no areal onde não se têm observado muitos banhistas. De cada vez que passo junto às nossas zonas balneares urbanas, uma mais-valia da nossa cidade só comparável à praia artificial sobranceira à cidade património, pergunto-me a mim mesmo o que será feito daquelas pessoas que habitualmente enxameavam o nosso extenso areal. Para onde terá ido toda aquela gente?

Terão todos assumido a consciência de que o Sol do meio-dia e da tarde é perigoso? Terão todos construído piscina em casa? Estarão a viajar pelos muitos festivais de verão que acontecem um pouco por todo o arquipélago? Não encontro resposta. A verdade é que as praias, este ano, não têm tido a enchente de outros tempos. A não ser, hipótese minha apoiada em notícias publicadas na imprensa escrita local, que estejam com medo das balas da Segunda Guerra Mundial enterradas na areia ou das alegadas bombas e demais material nuclear perdido algures no oceano. Repito, hipótese baseada em notícias publicadas na imprensa escrita local, habitualmente através de fonte anónima ou de alegados especialistas em tudo quanto seja militar, bota-abaixo e americanos.

As esplanadas estão cheias. Não só de turistas, mas de muitos locais que só saem de casa quando o tempo aquece esquecendo-se que cafés, bares e restaurantes também funcionam de inverno e que nas estações frias também os seus proprietários têm que pagar ordenados, rendas, água e luz, sob pena de, no verão seguinte, já não existirem esplanadas onde nos possamos refastelar, exibir as pernas brancas ou os óculos-de-sol comprados para o estilo.

Percebe-se que as festas já estão à porta. A iluminação de Natal já está montada e os constrangimentos no trânsito também começaram.

Para terminar, repito a sugestão aqui deixada num artigo anterior:

“o que acham da ideia de, nos fins-de-semana à tarde, durante o verão, fechar ao trânsito o troço em frente aos bares permitindo, assim, dar maior espaço às esplanadas, possibilitar maior circulação de pessoas e fazer uma maior ligação destes bares e restaurantes ao areal? Não é nenhuma novidade, eu sei. E por não o ser e por se saber que resulta, fica aqui a sugestão.”

Aproveitem o Sol e as longas tardes…

fonte das sete bicas

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FONTE DAS SETE BICAS é aquele restaurante/casa de pasto um pouco mais acima da igreja da Fonte do Bastardo com toldo amarelo. Já lá tinha ido, de passagem, mas no sábado passado, meu pai e meu sogro, frequentadores habituais do estabelecimento, aconselharam-se a lá ir comer alcatra de polvo.

Como bom filho e bom genro que sou, acedi à sugestão e hoje, quarta-feira, em jeito de almoço de férias, de calções e chinelos, meti-me no carro, enviei uns SMS, e fomos à Fonte do Bastardo almoçar. Quatro pessoas. Alcatra de polvo, alcatra de feijão, uns queijinhos de cabra com massa malagueta, pão (muito pão para molho) e um jarro de vinho tinto. Foi de comer e chorar por mais. Aquelas alcatras estavam uma delícia e com aquele sabor a forno que só uma boa alcatra consegue conter. Pagámos, cada um, seis euros e meio.

Conclusão: é fácil engordar barato!

bordalo do fundo dos mares

adolfo mendonça

Bordalo do Fundo dos Mares! Podíamos chamá-lo assim, mas estaríamos a ser injustos ao escondermos a verdadeira identidade deste artista plástico que, inspirado na riqueza do fundo oceânico que nos circunda, fez da cerâmica a sua arte.

Já tinha ouvido falar no seu nome através de uma referência feita por uma amiga minha que o sugeriu para um trabalho de design de interiores. Depois, um acaso, ou talvez nem tanto, soube que tinha um stand na feira de artesanato das Sanjoaninas deste ano.

Quis conhecer a sua obra e fui lá. Tenho a dizer que as expectativas eram muito baixas. Conheço os principais ceramistas da ilha Terceira, tendo até frequentado alguns workshops nesta área, e nenhuma vez ouvi falar do nome deste jovem. Pensei, do alto da minha arrogância, que seria um curioso das artes do barro e das pastas.

Fiquei surpreendido. Positivamente surpreendido e fiz questão de o dizer-lhe diretamente.

O trabalho dele é muito bom!

Não se limita à reprodução de elementos tradicionais com a habitual paleta de cores e vidrados que nos caracteriza e identifica. Arrisca e inova. Utiliza os elementos dos nossos mares como inspiração e transporta-os para as peças cerâmicas que cria.

Não resisti a comprar uma.

Chama-se Adolfo Mendonça, é terceirense, vive na Terceira e o seu trabalho pode ser visto na sua página do Facebook e nas Festas da Praia deste ano.

da cor do Rubble

IMG_4931É um daqueles lugares por onde tu passas todos os dias, pelo menos uma vez, e nunca reparaste que existia até que o teu filho, à saída do colégio aponta para uma árvore e diz “Rubble!”, a palavra utilizada por ele para te dizer “amarelo”. Não sei o nome da espécie, nem da família botânica a que pertence. Mas que a aquela espécie arbórea nos conquistou, lá isso conquistou. E sempre que uma lufada de vento, mesmo a mais ténue das brisas, agitava os seus ramos, choviam flores. Pequenas flores da cor do Rubble!

essência dos Açores

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Não têm sido poucas as vezes em que aponto o dedo à desertificação da rua de Jesus e à sua lenta, mas profunda, decadência. É uma constatação factual.

São muitas as vezes – e é o que mais se comenta aqui pela terra – a notícia de encerramento de espaços comerciais. Sempre que fecha uma loja, toda a gente fala no assunto. De cada vez que abre um novo espaço, é o silêncio. Eu me incluo nesse grupo.

Recentemente abriu um novo estabelecimento no centro histórico da Praia, mais precisamente na rua Conselheiro Nicolau Anastácio, a meia dúzia de metros da rua de Jesus e com estacionamento gratuito de 15 minutos mesmo em frente.

Chama-se “Essência dos Açores” e, tal como o nome sugere, dedica-se à venda de produtos locais e tradicionais de grande qualidade. Chás, licores, vinhos, artesanato, conservas, leite, iogurtes, gelados, entre outras coisas, são o que a nova boutique da Praia tem para oferecer. Uma agradável surpresa. Um espaço que não pretende servir só os turistas, mas todos quantos gostam daquilo que é nosso.

Muito sucesso à Anaisa Estrela é o que daqui se deseja!