cortejo infantil

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Houve um tempo, um longo tempo, em que as questões da mobilidade em ambiente urbano me passavam um pouco ao lado não fosse a convivência diária com aqueles que por obrigação profissional têm que lidar com o tema, os arquitetos. Para mim, o regime das acessibilidades aplicado a edifícios era uma necessidade que visava exclusivamente os indivíduos com mobilidade reduzida, entendendo-se por estes os idosos ou os portadores de uma deficiência física que não se encontrem possuidores de todas as faculdades e meios que lhes permitam deslocar-se com facilidade de um ponto A para um ponto B sem terem que subir degraus ou passeios e abrirem portas com abertura para o exterior, exigência, aliás, dos regulamentos de segurança contra incêndios que têm por objetivo facilitar a evacuação rápida dos edifícios em situação de catástrofe.

Como referi no início, esta era uma preocupação que me passava um pouco ao lado, felizmente. Significando com isso que as questões da circulação nunca se me colocaram nem a mim, nem aos que me estão mais próximos. Contudo, nos últimos tempos, diria mesmo que nos últimos dois anos e meio, por uma boa razão, a minha mobilidade e a da minha família ficou fortemente condicionada. Não que tenhamos tido um acidente. Não. Não que tenhamos ficado doentes e necessitados de ficar presos a uma cadeira de rodas ou a um par de muletas. Também não. Única e simplesmente tivemos que começar a usar como acessório um elemento essencial para que toda a família possa sair à rua ao mesmo tempo: um carrinho de bebé. No caso, dois carrinhos de bebé.

Como a esmagadora maioria dos terceirenses também fomos às Sanjoaninas. Faz parte e diz-se que está no sangue. Não tantas vezes como desejaríamos, precisamente porque a logística é complicada e não há ordenado que pague todos os balões do Panda e da Patrulha Pata pedidos, mesmo que falsificados e não atendidos. O carro que nos transporta a nós os quatro e aos dois carrinhos tem que ficar, no mínimo e com sorte se chegarmos à festa às seis da tarde, junto ao Liceu ou nas imediações do Fanal ou de Santa Luzia. A pé já é o que é… Depois há que fazer todo o percurso até chegar ao centro da cidade. Para além dos carros mal estacionados, das tascas e dos vendedores ambulantes em todos os cantos é preciso ter em conta os mastros da iluminação estrategicamente colocados para que, de cada vez que é preciso contornar um sem passar por cima das pessoas, é preciso fazer uma gincana. Com sorte, não esbarramos num candeeiro público e, vá lá, em boa hora, já não temos as cadeiras em permanência a complicar ainda mais a coisa.

Dir-me-ão: não precisas ir no passeio, vai pelo meio da rua. É verdade! Posso sempre ir para o meio da rua, mas o problema é que esta coisa dos mastros nos passeios não são um exclusivo das festas. Infelizmente, é uma questão de quase todo o ano, até porque agora entende-se que as nossas cidades devem estar engalanadas de arco e balão praticamente todo o verão e ainda no Natal e no Carnaval.

Já agora que tanto se tem falado de abrir ou fechar ruas ao trânsito, fica uma sugestão para a Câmara da Praia: o que acham da ideia de, nos fins-de-semana à tarde, durante o verão, fechar ao trânsito o troço em frente aos bares permitindo, assim, dar maior espaço às esplanadas, possibilitar maior circulação de pessoas e fazer uma maior ligação destes bares e restaurantes ao areal? Não é nenhuma novidade, eu sei. E por não o ser e por se saber que resulta, fica aqui a sugestão.

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