uma escola para o centro da Praia

rua de jesus - azulejo

Ninguém, ainda, ousou pensar numa cidade diferente daquela que sempre conhecemos. Quando pretendemos projetar uma Praia da Vitória do futuro, procuramos sempre replicar soluções do passado que, a esta distância e descontextualizadas da conjuntura daquele momento preciso, nos parecem, agora, garante de sucesso.

O contexto é outro, as pessoas são outras, a Praia é outra.

A Praia mudou. O concelho mudou. Nós mudámos.

Nada dá mais vida a uma localidade que a presenças de crianças. Com elas vem o desassossego, o movimento, a animação, os pais, os avós, os primos, os tios e o cão. Não é por acaso que os cortejos infantis nas festas de Angra e da Praia se tornaram num dos eventos que atrai mais gente às ruas das duas cidades.

Se assim é, porque razão as cidades – neste caso a Praia – voltaram as costas às crianças, às famílias e as retirou do seu centro? Porque razão a cidade da Praia da Vitória não se pode tornar numa cidade amiga das crianças e das famílias? Porque razão não se constrói, no espaço conhecido como “casa do Dr. Eugénio”, uma escola do primeiro ciclo, com creche, jardim de infância e ATL? O espaço é reduzido? Talvez seja, mas mesmo ao lado tem outro edifício municipal subaproveitado onde outrora fora a biblioteca e que agora está a funcionar no buraco que é a Casa das Tias sem que se consiga circular por entre as estantes.

É discutível? É absurdo? Talvez seja tudo isso. Mas mais importante é que não haja medo de se apresentarem propostas que não sejam do agrado de todos e que, à primeira vista, possam não fazer qualquer sentido. Importante é pensar, discutir, debater, exercer a cidadania e a democracia naquilo que ela tem de mais belo e que faz dela o melhor dos sistemas políticos alguma vez inventados.

“Uma escola na Praça!? Este gajo está-se a passar!” “O que ali ficava bem era um centro dia!” “Tás tolo! Aquilo ali merecia era um com hotel!” “Para estar fechado quase o ano todo?” “Bom mesmo era um museu!” “Ninguém lá ia.” “Um centro comercial é que! Com cinemas, montes de lojas, restaurantes.” “Mais um para ficar às moscas.” “Para ali deviam ir as Finanças!” “Mas isso o Presidente já disse que ia.” “Já disse?! Então se o Presidente já disse, é porque deve ser o melhor…”

É esta passividade que deve ser evitada. É urgente provocar. Fazer com que toquem campainhas. Que se obriguem as pessoas a tomarem uma posição que seja sua, pela sua própria cabeça, sem deixar que sejam a decidir tudo, mesmo quando esse tudo até nos agrada.

Devemos ser cidadãos a tempo inteiro e participar. Participar sempre. E não é só pertencendo a partidos políticos ou ir em listas eleitorais que se exerce cidadania ativa e participativa. É falando. É dando opinião. É dizer do que se gosta e do que não se gosta. É propondo-se alternativas e soluções.

Sim, eu acho que se deveria construir uma escola na praça principal da nossa cidade.

NOTA 1: Como eleitor, não residente na sede do concelho, continuo interessado em saber o que pensam os candidatos à CMPV sobre a centralidade da cidade (ou a falta dela) relativamente ao todo concelhio e da relação da sede do concelho com as freguesias.

NOTA 2: Como contribuinte, estou preocupado com o que por aí se diz relativamente às contas da Câmara e gostava que me dissessem se pensam, ou não, propor uma auditoria financeira.

NOTA 3: Aquele crematório… aquela chaminé… não havia necessidade. Quem não se lembra do que se disse do jardim sem flores de há 12 anos?!

Artigo publicado na edição de hoje do Diário Insular.

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