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Mês: Outubro 2017

curiosa

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Não haverão muitas crianças que sejam tão fanáticas pela Patrulha Pata como o Jorge é, especialmente pelos cones que o Chase transporta no seu carro azul. Como que por magia, o cão polícia deixou no nosso quintal três desses cones laranja que rapidamente se tornaram no seu brinquedo favorito. Ainda por cima, quando colocados sobre as lâmpadas do pavimento que iluminam a rua, os cones transformam-se em verdadeiros candeeiros que bem poderiam constituir uma iluminação de noite de bruxas que agora tanto está em voga.

Entretanto, a Amélia não se deixou ficar e, percebendo que algo de novo se passava à sua volta, teve que ir meter o nariz e perceber como é que, do pé para a mão, a luz da rua se tornou avermelhada. Não quero ser acusado de sexista mas, o que é certo, é que nada lhe escapa!

falta tempo para a aguardente

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Chega o dia em que decides fazer limpeza à garrafeira, neste caso, à “secção” de licores, aguardentes, whiskeys, gins, vodkas e de outras bebidas ditas brancas, mas com um tom cromático mais semelhante ao do chá, e adocicadas mais apropriadas para um calicezinho de mijinha do Menino Jesus ou de um “after-party” em noite de Terço ao Divino Espírito Santo.

Apercebes-te que tens acumulado bebida que é um “desparate” e durante muito tempo, como testemunham as teias de aranha e o pó que se foi depositando na superfície exterior do vidro das garrafas. E concluis: estou a tornar-me um ser antissocial. Já ninguém bebe isto. O que vale é que os miúdos estão maiores e não, não vão beber o arquivo morto, mas vão dar-nos mais tempo para os amigos. Tempo que tanta falta nos faz. Não me julguem mal, quem tem filhos desta idade percebe bem o que aqui escrevo…

Estou para ver quando tivermos de catalogar os vinhos! O melhor vai ser irmos dando cabo deles!!

olaria de São Bento

OLARIA DE SÃO BENTO

Numa manhã invernosa como a de hoje, haverão certamente muitos outros lugares para visitar ou para estar, nem que seja na cama. Por necessidade, a isso o trabalho me obriga, tive que me deslocar a Angra e fazer aquela travessia da Via Vitorino Nemésio que, nesta manhã, bem poderia ter servido de mote para o seu “Mau Tempo no Canal”. Acontece que, no seu tempo, “Se bem me lembro”, aquela via não era mais do que a calcetada e ladeada de hortênsias reta da achava, a distância mais curta entre dois pontos, Angra e Praia.

Parei na “olaria de São Bento”, a primeira espécie de “molha” desta manhã. Fiquei rendido às abóboras em barro que lá se vendem e a toda a panóplia de trabalhos de cerâmica tradicional que enchem as prateleiras. Gosto daquele ambiente de olaria. Do cheiro a barro crú, da luz difusa e das sombras por ela provocada. Ali, a tradição da sabedoria ancestral é preservada.

Quando olho para as peças de cerâmica em exposição, fico com a sensação de que estou a ver a minha avó, sem que vinte anos de idade tivesse, a comprar alguidares e salgadeiras para levá-los para a sua cozinha acabada de estrear, no dia do seu casamento. Estou certo que não teria comprado as abóboras. O neto comprou e quer fazer as delícias dos bisnetos.

Na Olaria de São Bento guardam-se e reavivam-se memórias… merece uma visita.

um bom mexerico

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Durante muito tempo foi coisa que não me preocupei muito. Com o futuro. Vivia o presente, gozava o presente e isso bastava-me. Nunca planeei um futuro ou desenvolvi uma estratégia para o que quer que fosse. Se me apercebia de uma oportunidade, aproveitava-a e disfrutava dela. Tantas me terão passado ao lado sem que delas me tivesse dado conta. Se a vida nos corre bem, para quê andarmos com calculismos ou estratégias maquiavélicas que mais não fazem do que infetar a nossa vivência serena, transformando-a num inferno que nos afasta do mundo aprisionando-nos às redes sociais cuja dinâmica nos afeta ainda mais. Passamos a viver a vida que os outros querem que nós pensemos que vivem, mesmo que aquela fotografia captada numa qualquer festa ou praia paradisíaca ou restaurante gourmet tenha sido o único momento de felicidade (ou aparente felicidade) das suas míseras vidas. Passamos a viver aquele momento virtual que não o é só para nós, também o será para muitos que o partilham. E sentimo-nos felizes, instantaneamente felizes, causando-nos ansiedade e mesmo um pouco de inveja. Deitamo-nos mais tristes e culpamos os outros por não podermos ser como aquelas pessoas das redes sociais. Como aquelas pessoas que vemos em faustosas mansões, com grandes carros e acompanhados de belas mulheres como as das revistas. Sim, como as das revistas cor-de-rosa que nós, urbanos, cultos e modernos, tanto desdenhamos. A verdade é que não compramos nem lemos revistas cor-de-rosa porque não somos consumidores de lixo informativo, não queremos saber da vida de cada um, nem somos pessoas fúteis. Dizemos nós… Aquelas revistas, tal como os jornais sensacionalistas, não fazem parte das nossas leituras. Nem sabemos os seus títulos. Nem sequer da sua existência. Somos pessoas seletivas com um nível intelectual e cultural superior à média. A nossa ambição. Mas o que são as redes sociais? Não serão elas próprias revistas cor-de-rosa e local de sensacionalismo? Papamos tudo o que lá vem. Sem filtros. Consumimos informação falsa sem termos a capacidade de verificar a sua veracidade. Acompanhamos e, porque não dizê-lo, mexericamos a vida dos outros, mesmo que não o façamos de forma deliberada, e tornamo-nos amplificadores da mensagem quando comentamos com alguém o que vimos e lemos, uma fotografia, uma frase ou um gatinho. Quantos equívocos, quantos boatos, quantas criações já foram feitas a partir de uma fotografia ou de um comentário. Passámos a fazer juízos sobre tudo e todos. Discutimos toda e qualquer matéria e até comentamos. Frases retiradas do seu contexto. Fotografias captadas há anos e apresentadas como se tivessem sido tiradas na manifestação desta manhã. Indignamo-nos de imediato. Choramos o cão que está para ser abatido. Partilhamos a fotografia da menina que precisa de um transplante, mesmo sem sabermos quem é e se realmente existe. Ali, nas redes sociais, conseguimos ser tudo. Cidadãos ativos. Solidários. Voluntariosos. Amigos do seu amigo e dos que nem sabe quem são. Opinativos e indignados. Cheios de ideias e com vontade de fazer alguma coisa para mudar o mundo e a sociedade em que vivemos. Fosse a vida real este mundo virtual…

Artigo publicado na edição de hoje do Diário Insular.

a conquista da Praia

Não são as tropas de D. Miguel a tentarem conquistar a Praia, nem hoje é 11 de agosto. Mas esta é uma imagem rara. Três navios da Armada Portuguesa fundeados no interior desta majestosa baía.

obrigado

FRASE_HÉLIO ROCHA

Uma deputada regional do Partido Socialista, Catarina Moniz Furtado de seu nome, escreveu, no dia em que cessou funções na Assembleia Legislativa, que tinha “entrado micaelense e saído açoriana”. Foi desta frase escrita nas redes sociais que me veio à memória quando tomei consciência de que hoje cesso, oficialmente, as minhas funções de membro da Assembleia Municipal da Praia da Vitória.

Não que eu tivesse, há doze anos, entrado lajense e agora saído praiense, mas hoje tenho uma visão do concelho completamente diferente daquela que tinha quando lá cheguei. Hoje, a Praia é muito mais do que a cidade, a rua de Jesus ou até a rua da igreja, a canada do poço ou a canada das vinhas nas Lajes. A Praia é muito mais do que o aeroporto, a base, a escola Vitorino Nemésio ou a avenida Marginal. A Praia é muito mais do que o presidente da Câmara, a Assembleia Municipal, as Juntas de Freguesias ou as direções das Casas do Povo ou da Sociedades.

A Praia é, acima de tudo, as pessoas que nela vivem, muitas delas completamente alheadas dos processos eleitorais, das lutas partidárias e das disputas de lugares. E ainda bem. Gente que tem problemas por resolver, ambições e sonhos por realizar. Gente que aqui vive porque quer e gosta desta pequena parcela de território português que é nosso e que tanto amamos ao ponto de desculparmos todas as falhas de quem tem a nobre tarefa de cuidar dele.

Não fosse a minha passagem pela Assembleia Municipal e pela Concelhia do PSD, talvez nunca tivesse passado por praticamente todas as ruas e canadas do concelho, visitado a grande maioria das instituições, conversado com centenas e centenas de pessoas e percebido que, por muito mundo que percorra, não há no mundo povo como este.

Um povo que ri e chora como nenhum outro no Carnaval, que se comove ao ver desfilar a sua filarmónica, que reza e se penitência pelo Divino Espirito Santo, que come e bebe ao estoirar de um foguete e que nem precisa de ver a cor do toiro para poder dizer que se consolou naquela tarde de touros.

Foi este povo, o meu povo, a minha gente que passei a conhecer melhor.

No entanto, nada disto teria sido possível sem a ajuda de muitas pessoas que me ajudaram ao longo destes doze anos. Gente que me abriu as portas das suas casas sem sequer me conhecerem, mas que confiaram em mim e me deram o benefício da dúvida. Pessoas que nunca mais me esquecerei delas e que marcaram um período importante da minha vida.

Quero agradecer, por isso, a todos quantos, de forma mais direta, me ajudaram e me apoiaram ao longo destes doze anos: Adalberto Couto, Alberto Laranjeira, António Gonçalves, Berto Cabral, Borges de Carvalho, Carla Forte, Carla Parreira, Carlos Andrade, Carlos Cardoso, César Toste, Cláudia Silva, Clélio Meneses, Délia Nunes, Diamantino Melo, Diana Lopes, Fábia Toste, Fernando Perpétua, Filomena Canedo, Francisca Toledo, Francisco Ávila, Francisco Costa, Francisco Freitas Costa, Francisco Homem Mendonça, Francisco Martins, Francisco Roberto, Francisco Santos, Hélder Luís, Humberto Machado, Jorge Freitas, Jorge Gomes, José Carlos, José Fernando Gomes, José Gabriel Martins, José Hildeberto, Judite Parreira, Lisa Bettencourt, Lourenço Ferreira, Luís Pinheiro, Manuel Humberto, Manuel Pires Luís, Marco Ivo, Marco Sousa, Martinho Diniz, Mercês Monteiro, Nélia Ávila, Nelson Pires, Nuno Pereira, Nuno Branco Pereira, Paulo Homem, Paulo Luís, Paulo Noval, Paulo Soares, Paulo Toledo, Roberto Carlos, Roberto Sousa, Rui Espínola, Rui Martins, Susana Silva, Teresa Quadros, Vanda Simões e a Vânia Figueiredo, sem esquecer o Eutimo Azevedo e o José Duarte Costa.

Se algum nome falhar, resta-me, com humildade, pedir desculpas.

A todas elas, às que estão na lista e a todas as outras que se cruzaram comigo neste meu percurso ao serviço da nossa Praia, deixo o meu profundo agradecimento e mantenho a minha disponibilidade para os servir sempre que o entenderem.

Obrigado a todos!

A frase que ilustra este artigo foi retirada da entrevista que Hélio Rocha – o novo Presidente da Junta de Freguesia da Agualva – concedeu ao Diário Insular e que foi publicada na sua edição da passada sexta-feira.

Roberto Monteiro… 12 anos depois

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Quando há 12 anos Roberto Monteiro se tornou presidente da Câmara da Praia, estava longe de imaginar que o maior desafio do seu mandato seria a questão da redução da presença norte-americana nas Lajes e a descontaminação dos aquíferos.

Aliás, o primeiro mandato e grande parte do segundo foi direcionado para a obra que faz vista e para uma política de cariz populista que tinha por objetivo a conquista do voto fácil através da atribuição descontrolada de subsídios e apoios (quem não se lembra das sessões hollywoodescas de assinaturas de protocolos), da distribuição de cabazes de Natal sem outro critério que não o eleitoralista, dos passeios de idosos a outras ilhas dos Açores ou da abertura, a quase tudo e a quase todos, das portas das empresas municipais e demais satélites oferecendo dezenas de empregos sem concurso e nem sempre tendo o mérito e o currículo como critério principal. Ao menos, foram criados empregos na Praia.

Roberto Monteiro teve a inteligência para chamar para junto de si muita gente com fortes ligações ao PSD, inclusivamente de natureza familiar, quadros recentemente formados, e colocá-los em lugares chave da administração autárquica. Muitos deles, vieram a aparecer, mais tarde, em listas de candidatos aos mais diversos órgãos locais ou regionais e vieram a ocupar lugares importantes em várias áreas, incluindo o setor empresarial regional. Esta é, sem dúvida, a estratégia mais eficaz para garantir a permanência no poder. Ao mesmo tempo que se abre o partido, conquistam-se novas lealdades e alarga-se a base eleitoral. Resultado, mais duas vitórias consecutivas por larga margem e, ainda, a garantia de eleição do seu sucessor que, pelas notícias que têm vindo a público, está a fazer precisamente o contrário. Espero que não passem de rumores infundados. Seria um mau começo. Como jovem que é, de uma nova geração, espera-se que corte com aquilo que todos condenam na política e que mostre, desde o primeiro dia, que tem essa capacidade e nos leve a ter “confiança no futuro”…

O legado de Roberto Monteiro não será aquele que o próprio gostaria de ter deixado. O curso dos acontecimentos trocou-lhe as voltas. A crise financeira entrou de rompante pela praça Francisco Ornelas da Câmara como se fosse um furacão. A autarquia, endividada como estava, passou a não ter dinheiro para o que quer que fosse e obrigou-se, ela própria, a recorrer à ajuda externa proporcionada pelo governo da República. Em simultâneo, a economia do concelho cai a pique arrasada pelo terramoto com epicentro na Base que se torna, aliás, a grande causa do consulado de Roberto Monteiro. Foi a tempestade perfeita. Diga-se o que se disser, com coragem e alguns excessos que sempre acontecem, bateu-se por isso. Infelizmente para todos nós, não foi bem sucedido. Mas não foi só ele que falhou. Falhámos todos nós que preferimos muitas vezes assobiar para o lado e atirar as culpas para cima dos outros à espera que um alguém imaginário encontrasse a solução. Falhámos quando o nosso discurso foi mudando ao sabor das alterações no governo de Lisboa. Falhámos quando fizemos exigências aos governos de cor contrária e pactuámos com governos da mesma cor. Um clássico…

Doze anos depois a Praia está como o que está à vista e enfrenta desafios talvez só comparáveis com o do povoamento ou das suas duas caídas.

Desta “rua de Jesus” que consegue ter mais gente que a verdadeira, só posso desejar ao cidadão Roberto Monteiro as maiores felicidades pessoais e os maiores sucessos profissionais. A política, essa, é outra mundo e, neste contexto, é o que menos me interessa…

sugestão

GLUWEIN

Agora que o tempo começa a arrefecer, apresento-vos uma proposta outonal para o fim-de-semana. A forma original de apresentar a receita é da autoria do fotógrafo dinamarquês Mikkel Jul Hvilshøj.