de parque de diversões a lixeira regional

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Há minutos, abri a minha rede social de eleição, e vi uma postagem do meu amigo Alvarino sobre a vinda de lixo de São Miguel para a Terceira. Este post trouxe-me à memória um artigo que escrevi a 27 de agosto de 2010, publicado no Diário Insular. Poderia ter sido escrito hoje, não fossem os intervenientes outros e, à época, São Miguel ter ficado excluída do projeto. O artigo intitulava-se “de parque de diversões a lixeira regional”. Já lá vão mais de sete anos…

“Transformar a ilha Terceira na lixeira dos Açores parece ser o novo rumo que Roberto Monteiro e Andreia Cardoso pretendem dar a esta terra. Em junho último, os dois autarcas, juntos como que a tentarem passar a imagem de que os dois concelhos vivem momentos de grande unidade, anunciaram a criação, agora em setembro, de uma empresa intermunicipal – e eles a darem-lhe com a criação destas empresas sorvedouras de todos os recursos – que teria por objetivo o tratamento de resíduos sólidos urbanos não só da Terceira mas das restantes ilhas do arquipélago, à exceção de São Miguel. A Terceira funcionará, assim, como o depósito de lixo de oito das nove ilhas açorianas.

Já posso imaginar… A frota de batelões carregados de lixo a entrarem pela baía da Praia, qual Invencível Armada. Dirão os mais distraídos que D. Miguel voltou para tomar a cidade de assalto e expulsar os liberais. Só que, desta vez, não é o absolutista D. Miguel que vem invadir a Praia, é o lixo carregado e desembarcado nestas potentes e belas caravelas do século XXI, acompanhado pelo bailado e pelo som das gaivotas que, em torno deste novo El-Dorado, se vão deliciar a catar tudo aquilo que os humanos, do alto da sua inteligência superior, rejeitaram das suas vidas para depois depositarem sabe-se lá onde, no quintal de quem…

Aquilo que os Açores deitarem para o lixo será depositado na Terceira.

Este anúncio, apesar da sua elevada relevância e apesar de mexer com uma área que habitualmente provoca grandes tumultos entre as populações, por cá, não gerou qualquer tipo de reação. É certo que o anúncio foi feito estrategicamente em período pré-festivo. Estávamos em véspera das Sanjoaninas 2010 e a sociedade civil – e a outra – andavam mais preocupadas com os gastos das festas, com o cortejo de abertura e com a ausência de fogo-de-artifício. Todos deixámos passar isto.

Bem sei que um assunto como este não tem a importância e a dimensão de um campo de treino de caças, de um cais de cruzeiros, da contaminação de aquíferos ou da sorte de varas. Bem sei que transformar a Terceira na lixeira dos Açores é coisa pouca. Apesar de tudo isso, pergunto: onde andam as forças vivas desta terra? As associações ambientalistas? Os responsáveis políticos? As organizações que habitualmente discutem os problemas da ilha? O que andamos nós, terceirenses, a fazer?

Este é o novo rumo desta ilha de Jesus Cristo. De parque de diversões a lixeira regional. Merecíamos melhor! Muito melhor…”

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