a culpa é do Churchill

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Esperava-se que o São Martinho deste ano nos trouxesse, para além do verão, alguma novidade. Que as palavras deixassem de ser simplesmente discursos ocos e se transformassem em ações concretas traduzidas na defesa e na resolução dos problemas que se vão arrastando no tempo e sem fim à vista.

Infelizmente, para nós, Martinho assim não o quis fazer. Antes pelo contrário. Preferiu continuar a defender o indefensável e a seguir a cartilha da propaganda num discurso carregado de falsidades dando tiros para todos os lados na esperança de ver cair algum pato que enfie a carapuça da incompetência e da incapacidade de resolver problemas. Vivemos numa época da caça, só que sem presa. Já não existem coelhos, tomaram-lhes a toca, mas procura-se a todo o custo envolvê-los em tudo o que neste país se mexe e corre mal.

É a propaganda no seu melhor. Martinho, que teve uma oportunidade linda para mostrar de que lado está, optou por se reduzir ao triste papel de porta-voz de uma retórica em tudo semelhante a um Goebbles ou um António Ferro em que a realidade é apresentada de forma distorcida com o único objetivo de ludibriar a populaça. É um estilo, um triste estilo adotado por este governo que, na história recente, só tem paralelo com o período anterior ao pedido de ajuda externa efetuado pelo então governo de José Sócrates quando tudo parecia estar bem, quando todos os portugueses pareciam estar ricos, quando, afinal, só alguns encheram os bolsos e bem cheios.

O processo de descontaminação dos aquíferos da Terceira tinha como principal responsável, para os socialistas açorianos, o anterior governo. Mudaram-se os tempos, mudaram-se os responsáveis. Nem outra coisa seria de esperar habituados como estamos a estas mudanças súbitas de posição que vão variando ao sabor dos ditames de Lisboa. Agora, não dando jeito responsabilizar a Câmara da Praia (PS), o Governo Regional (PS) ou o Governo da República (PS/BE/PCP/PEV), só sobrava a Junta de Freguesia (PSD) ou, melhor ainda, outra entidade qualquer que nem sequer saiba o que por cá se diz ou faz. Não seria a primeira vez que nos Açores se assumiriam responsabilidades de outros sem que eles soubessem que as tinham… Responsabilizar a Junta seria demasiado ridículo. Optou-se, por isso, por exigir tudo o que era possível e impossível aos americanos. Pelo menos, foi isso que Martinho fielmente nos transmitiu. No entanto, e para não ser diferente, os ministros, quando confrontados com a realidade, não sabiam de nada, não viram nada, não ouviram nada. Um clássico.

Resta, por isso, apelar ao chefe supremo. Não ao das Forças Armadas, mas ao de um governo que faz de conta que não existe nos momentos maus e só aparece para entregar computadores Magalhães às escolas, mesmo que os alunos sejam só figurantes. As semelhanças são muitas, até os protagonistas se confundem…

Pelo andar da carruagem, quando a administração americana vier dizer que ninguém lhes disse nada, o Governo da República terá de encontrar outro bode expiatório. Já sobram poucos e, em última instância, atirarão as culpas ou para quem autorizou a utilização das Lajes por uma potência estrangeira ou para a própria potência. Na linha da demagogia habitual, será mais fácil responsabilizar Salazar. Por outro lado, culpabilizando o Reino Unido, sempre se chuta a bola para fora.

Quanto a Martinho, esperemos que não espere pela próxima campanha eleitoral para voltar a ser terceirense…

Artigo publicado na edição de hoje do Diário Insular.

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