ideias absurdas

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Tenho, ao longo dos últimos meses, procurado levantar questões, suscitar dúvidas e procurar pistas aqui e ali com o intuito primeiro de encontrar um caminho de desenvolvimento e crescimento para a cidade da Praia da Vitória e para todo o concelho. Tenho esta ambição estúpida de querer provocar o debate e a discussão sobre os problemas da cidade e o seu futuro sem que, no entanto, entenda que as minhas propostas não sejam passíveis de serem discutidas ou que não hajam outras melhores, equiparadas ou mesmo complementares. É assim que entendo ser uma democracia saudável e adulta. Capaz de debater ideias, até de forma calorosa, mas mais capaz, ainda, de encontrar consensos e descobrir soluções.

Desde que foram conhecidos os resultados das eleições autárquicas de outubro, acabaram-se as propostas. E o mais certo é termos de esperar para a próxima campanha autárquica para voltarmos a debater, publicamente, o nosso futuro coletivo e as especificidades de cada rua, de cada canada e de cada instituição. Até lá, se as coisas correrem como é hábito, a política da vida real será discutida entre portas, a coberto dos olhares curiosos do povo, não vá ser discutido algo politicamente incorreto, desautorizado o líder ou haver alguém que concorde com uma proposta vinda do outro lado da barricada e que, simplesmente porque vem assinada por outro partido, não se pode dizer que é bom, simplesmente porque sim. Infelizmente, é assim que as coisas funcionam. Se o partido do poder apresenta uma proposta, à partida, não se pode concordar. Se a oposição apresenta uma proposta, é chumbo certo. Dá-se o caso curioso de quando uma proposta é apresentada e recebe aprovação da oposição, quem a apresenta fica normalmente sem saber o que fazer… e aquilo que seria uma discussão para brilhar, acaba mesmo ali, para beneficio de todos, acrescento eu.

É urgente que a discussão saia dos gabinetes e das sedes partidárias e salte para a praça pública. Sem medos. Que se promovam debates e se troquem ideias com o único intuito de se encontrarem soluções e de se abrirem caminhos. Há uns anos, um experiente político açoriano dizia-me relativamente ao processo de discussão: “não andem à procura daquilo que vos opões, mas tentem encontrar aquilo que têm em comum”. Já lá vão muitos anos desde que o dito homem me disse isto, nunca mais me esqueci. Tenho feito desta frase uma espécie de lema de vida. Não é fácil. Os vícios são muitos. Mas tenho feito um esforço. E um esforço deste tipo que gostaria de ver na sociedade em que vivo. Uma vontade de construir e de unir, em vez de se ficar preso a ideias pré-concebidas, a bolhas que mais não servem do que dar importância ao que não se tem e a quem não a tem.

Exorto daqui o Município da Praia para que promova esta discussão pública. Sem outra bandeira que não a do leão rubro que é o da nossa Praia. Sem outro objetivo que não seja o da promoção de consensos, da busca de alternativas e da construção de uma melhor Praia. Fica o desafio. Façamos da Praia um concelho de debate e politicamente ativo onde todos têm lugar e onde a palavra de cada um tem a mesma importância, independentemente da sua origem social, formação, género ou filiação política.

É só mais uma ideia absurda.

Artigo publicado na edição de hoje do Diário Insular.

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