mais engodo

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A Região quer ficar com as 400 casas dos bairros americanos fora da Base. Estamos a falar daquelas geminadas junto ao antigo snack-bar. Não das 100 de Santa Rita, ilegais, que, embora seja um imbróglio criado e mantido por sucessivos governos da República e alimentado pela Região, dessas ninguém fala nem quer falar…

A Região querer essas casas, para mim, não vem mal de maior ao mundo. A questão é o que se pretende fazer delas e com elas e se já se recebeu, por parte de Lisboa, a garantia da sua posse futura. Se tal ainda não aconteceu, é mais fácil escrever ou dizer o que quer que seja, uma vez que o discurso já está ensaiado e, sobre o que não existe, sem compromisso e à responsabilidade dos outros, podemos idealizar o mundo perfeito que alguém há de pagar. Exagero? Basta ver, ouvir e ler os manifestos à roda do Plano de Revitalização Económica da Ilha Terceira, do Air Center, do(s) Cais de Cruzeiros ou da Plataforma Logística do Porto da Praia. Tudo é possível no mundo da ilusão e fantasia. É claro que, mantê-las fechadas, ao abandono e a degradarem-se, à espera do regresso dos americanos numa manhã de nevoeiro, não me pareça ser uma solução, mas somente um argumento contra o Governo, porque sim, e porque não se tem uma alternativa ou não se tem a coragem de a assumir. Enquanto o objetivo for o sim porque sim ou o não porque não, quem ganha é a Universidade do Minho, o Porto de Ponta Delgada ou o turismo do Triângulo. Para trás fica a Terceira e a Praia da Vitória, em particular.

Este talvez seja o momento de juntar todas as partes, incluindo forças políticas e a chamada sociedade civil, discutir o problema em jeito de brainstorm e procurar soluções. Estes encontros só teriam que obedecer a uma regra: deviam ser uma espécie de conclave, sem contacto com o exterior, sem acesso à internt, sem comunicação social, sem entrevistas, sem comunicados ou conferências de imprensa e sem se saber quem disse o quê ou quais as suas propostas. Desta forma, evitava-se a procura de protagonismo ou a humilhação derivada do amuo por não se ter sido o autor da melhor ideia e não se ficar obrigado a ser contra, mais uma vez, porque sim, ou mesmo a ter que assumir uma posição, por mais politicamente incorreta que pudesse ser.

Passados quarenta anos, pensamos que vivemos a democracia de forma plena, adulta e evoluída. E não falo do compadrio ou da censura que, sendo um cancro enraizado no nosso sistema político e na nossa sociedade, não é um exclusivo de quem está no poder, é também uma forma de exercer o poder na oposição e em muitas instituições. Refiro-me à incapacidade de dialogarmos, de discutirmos ideias e de procurarmos soluções, em concreto, para a Praia e para a Terceira, sem estarmos preocupados em procurarmos soluções exclusivamente para o nosso umbigo e para os nossos amigos.

A questão das casas dos americanos e de muito do que se passa em torno das questões relacionadas com a Base são disso um bom exemplo. Uns usam-na como pretexto para a propaganda e criação de cenários paradisíacos, outros usam-na para desculpar falhas e incompetências, outros ainda que preferem falar da Base do que falar das centralidades do Porto, da Universidade, do Aeroporto ou mesmo da Cultura.

Enquanto isso… basta olhar à volta.

Artigo publicado na edição de hoje do Diário Insular.

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