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imoralidades de fim de ano

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A dificuldade de entendimento entre si por parte dos partidos políticos é conhecida. Não são raras as vezes que propostas que beneficiariam os cidadãos e o país se vão arrastando nos parlamentos nacional e regional à espera da negociação de detalhes, de desamuos ou, simplesmente, do momento certo para serem aprovadas, tornadas públicas e alguém colher os louros para beneficio eleitoral, a prioridade das prioridades.

Este final de 2017 não foi exceção, à exceção do entendimento entre as forças partidárias, excluindo-se o PAN e CDS-PP. Sim, trata-se de uma exceção que só é possível quando se legisla em benefício próprio. Um clássico.

À porta fechada, sem atas ou quaisquer outros registos, PS, PSD, BE, PCP e PEV, acordaram em alterar-se a lei de financiamento dos partidos. E não foram precisas muitas reuniões. Bastaram nove. É verdade que foi de abril a outubro deste ano o que significa que, enquanto o país estava a arder e enquanto, em público, havia acusações mútuas, incluindo referências a caráter e seriedade, na sombra, fora da vista dos cidadãos, estas cinco forças partidárias conseguiam conciliar propostas e pontos de vista com o intuito de alterar uma lei que os permita financiarem-se como quiserem e sem limites e, pasme-se, pedirem a restituição total do IVA para todas as aquisições de bens e serviços. A nova lei permite, ainda, que pessoas particulares possam pagar despesas de campanha a título de adiantamento.

Sou favorável ao financiamento dos partidos. Sem eles, apesar de tudo, o sistema democrático não funcionaria. Logo, por isso, têm que ter condições para fazer o seu trabalho. Divulgar a sua mensagem, debater a causa pública com os eleitores e estarem em permanente contacto com eles. Claro que este dinheiro não deve ser usado para comprar carros de alta cilindrada, pagar motoristas particulares, ter chefe de gabinete, adjuntos e assessores, nem tão pouco pagar as chamadas despesas de representação de luxo. Isso é para a Raríssimas e, quero crer, na minha infinita ingenuidade, que tal não acontecerá nos partidos que conheço ou julgo conhecer.

Esta foi a pior forma de acabar 2017. Mas o momento de aprovação desta alteração legislativa terá sido meticulosamente escolhido e acertado entre as partes. O período de festas natalícias em que toda a gente anda distraída com presentes e viagens, com a família, as crianças e a confeção de guloseimas, bacalhau e peru é o melhor para se fazerem coisas destas. Imorais e de afrontamento aos portugueses que, contrariamente ao discurso oficial e de propaganda, ainda não saíram da crise, temendo pela chegada de uma nova. Enquanto o povo anda distraído, à socapa, a classe política, eleita por nós e por nós sustentada, não se coíbe de, mais uma vez, nos vir ao bolso – isto para usar uma expressão tão ao gosto do PCP, BE e PEV que tanto gostam de chamar nomes a tudo quanto se mexa.

Portugal tem que deixar de ser uma gigantesca Raríssimas onde se financia, com dinheiros públicos, luxos e mordomias. Os partidos políticos, infelizmente, têm sido disso um bom (mau) exemplo. Endividados até aos colarinhos, criam leis para resolverem os seus problemas e passarem a ter as suas contas a zero. O comum dos mortais, esse, tem mais é que pagar tudo o que deve ou, em alternativa, tem que vender a casa ou passar a viver abaixo das suas possibilidades.

Esta alteração à Lei ainda não foi aprovada pelo Senhor Presidente da República. Fiquemos à espera da sua sensatez.

Bom ano de 2018!

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