um mercado vazio

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O mercado municipal da Praia da Vitória é um daqueles lugares onde a negligência dos decisores públicos é bem evidente. Não me refiro às meras operações de limpeza ou de lavagem de cara, tão simples de se fazerem, bastando para tal incluí-las no circuito de laboração da Praia Ambiente. Refiro-me àquilo que poderia ser e não é. Refiro-me à vontade de fazer qualquer coisa com aquele espaço. Refiro-me à necessidade de se avaliar a pertinência da sua existência enquanto mercado.

A praça do mercado é o retrato da terra que o acolhe. É inconcebível idealizar a vida de uma cidade sem um local onde se comercializem os produtos frescos, locais, tradicionais. Em tempos foi o local onde a esmagadora maioria dos praienses ia comprar as hortaliças, a carne, o peixe ou a fruta, em complemento com a Tamar, o Super Luso ou a Casa Costa, onde se vendiam os produtos de mercearia e utilitários para o lar.

Com o tempo a praça foi perdendo importância, que foi sendo ganha pelas modernas superfícies comerciais como o Modelo Continente ou o Supermercado Guarita, restando ao centro histórico o supermercado da Graça com o seu mercadinho de rua, que vai animando o triste largo de Jesus em dias de bom tempo, ou a Essência dos Açores, junto ao mesmo largo moribundo, e que comercializa os nossos produtos locais.

O mercado municipal, mesmo com as obras de modernização realizadas no início do século, tem tido grande dificuldade em reafirmar-se ou em reconverter-se. O estacionamento é difícil e, apesar de se procurar a diversificação do espaço e dos espaços, algo parece não funcionar e as opções nem sempre têm sido as mais adequadas. O local é agradável, acolhedor e também não chove lá dentro. Alguns espaços teimam em continuar vazios e mesmo a existência do simpático Café da Praça não faz com que as pessoas se sintam atraídas a lá entrar. Valha-nos o dia de São Valentim ou o de Finados para ver a nossa praça cheia de gente com o Tiago a não ter mãos a medir na venda de flores e grinaldas.

A verdade é que o centro urbano tradicional tem visto a sua área a reduzir-se progressivamente e, hoje, falar da rua da Jesus e da sua dinamização é falar do troço entre a Praça Francisco Ornelas da Câmara e o antigo BCA que, com o seu encerramento, corremos o risco de ver o centro histórico ficar ainda mais reduzido. Urge uma aposta forte e de inovação para a principal rua da cidade onde o mercado municipal seja parte integrante e não um fardo que tem de ser carregado até se autodestruir sem que ninguém olhe por ele. Atualmente, é um daqueles sítios que, ao passarmos por ele, nem olhamos, como se de um mendigo se tratasse. Preferimos fazer de conta que não existe.

Há uma dúzia de anos, houve até quem já tivesse proposto a sua transferência para outra zona da cidade tornando-o ainda mais periférico. Felizmente, tal não aconteceu. É ali que deve manter-se. No centro da cidade. Na rua de Jesus. Resta saber, no entanto, se é vontade de todos que a rua de Jesus se mantenha como o centro da cidade, se a rua de Jesus continue a ter início no largo da Luz ou se deva permanecer fechada ao trânsito. Ninguém sabe…

Quanto ao mercado municipal, parece tratar-se de um não assunto, sem soluções e sem propostas. Também é só mais um…

Artigo publicado na edição de hoje do Diário Insular.

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