abrir a rua de Jesus ao trânsito

rua de jesus - azulejo

Abrir ou não abrir a rua de Jesus ao trânsito é um daqueles assuntos que, de quando em vez, se aborda na cidade sempre que da sua revitalização se fala. Principalmente os comerciantes. Contudo, a nível público e oficial, esta é sempre uma daquelas matérias tratada pela rama. Dão-se umas opiniões vagas de forma a não haver comprometimento. A razão de tal acontecer só é justificável por incapacidade de se assumir uma posição clara que, acontecendo, vai necessariamente provocar algumas reações negativas. É o normal. Dificilmente se encontram soluções que agradem a todos. Infelizmente, este é mais um daqueles assuntos em que se prefere empurrar com a barriga para a frente em vez de o discutir abertamente, colocando em cima da mesa todas as alternativas possíveis, avaliando os benefícios e as desvantagens de cada uma delas e, no fim, optar e implementar a solução que melhor serve os interesses da cidade, da rua e dos empresários que nela investem. Tal nunca foi feito.

No artigo que aqui publiquei na semana passada sobre o mercado municipal da Praia levantei algumas questões que com ele estão relacionadas, mas que implicam diretamente com uma solução para a rua onde se localiza. Essas mesmas perguntas devem ser feitas quando olhamos para a rua de Jesus e tentamos descortinar uma alternativa para o seu atual estado.

Em primeiro lugar é imperioso saber-se se a rua de Jesus se deverá manter, ou não, como o eixo principal da cidade, aquilo a que noutras localidade se chama “a baixa da cidade”. À partida, pode parecer irrelevante esta questão por a resposta parecer evidente. “Claro que é a rua principal da Praia!” dirá a esmagadora maioria das pessoas. Será? Será que a rua de Jesus ainda é o centro da Praia? Ou este centro já se transferiu para a rua da cidade de Artesia ou para a rua da Graça? Se assim foi, que papel tem a rua de Jesus neste novo contexto? Centro histórico? Área comercial? Polo de atração cultural? Serviços? E como se levam as pessoas até lá? O que fará com que as pessoas saiam de sua casa e se dirijam ao “centro histórico” da Praia da Vitória? A este propósito, também não será descabido definirem-se os limites deste “centro histórico”, mesmo que aproximados e flexíveis.

Geográfica e toponimicamente a rua de Jesus começa no largo do Conde da Praia (da Luz) e termina na praça Francisco Ornelas da Câmara. Quando a rua estava aberta ao trânsito, o eixo da cidade começava no largo da Luz e terminava no largo José Silvestre Ribeiro, sendo possível percorrer todo o centro da cidade de uma só assentada. Contudo, a opção política de encerramento da rua ao trânsito fez com que a rua ficasse dividida em duas e a rua da Alfândega se transformasse numa artéria secundária. Situação esta que se agravou com o encerramento ao trânsito da nossa praça principal. Eu diria que esta é uma situação anti natura. Não é por acaso que, nas festas da Praia, os cortejos de abertura, marchas e todos os outros começam no largo da Luz, descem a rua de Jesus, atravessam a praça Francisco Ornelas, descem a rua da Alfândega e se dirigem à avenida. Este era, aliás, o percurso das urbanas quando, em tempos, atravessavam o centro da cidade. Este é o percurso natural da Praia.

Resta, por isso, pensarmos bem naquilo que queremos para este caminho. Com gente ou sem gente. Com comércio ou sem comércio. Com carros ou sem carros. Com urbanas ou sem urbanas. Coberto ou descoberto. Com rua ou sem rua.

Até lá a rua de Jesus vai-se arrastando e com ela a cidade e a sua vida.

Artigo publicado na edição de hoje do Diário Insular.

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