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manhãs de pai… e de mãe

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Não é preciso despertador. A Amélia transformou-se num ótimo substituto. É a primeira. O seu choro, concentrado naquele pequeno corpo de bebé de quase dois anos, consegue encher a casa inteira e acordá-la. O pai e a mãe acordam logo a seguir. O Jorge, apesar de dormir a escassos metros da irmã, aguenta mais tempo. Adora a cama!

Habitualmente, a seguir ao choro agudo, vem a primeira palavra do dia “Mãe!” Quase sempre começa por aí, por vezes com variantes. “Mãe… mãe… mãe… pai!” Porra! Ela lembrou-se que eu existo. Faço de conta que não ouvi… “Pai!” Não ouvi nada. “Pai!” Tenho que ir à casa-de-banho. “Pai!” Vai lá tu que eu tenho de me vestir. “Pai!” Acabo por ceder.

Ainda descalço, com o cabelo amassado pela almofada e ramelas nos olhos, desço as escadas. Entro no quarto. Ela espreita por entre as grades da cama. Minha princesa! “Sai!!… Mamã…” Bem achava que não deveria ter sido eu. Da próxima nem me levanto… Que bela desculpa!

A mãe aparece. Tira-a da cama. Segura-a no colo. Troca de fralda. O quarto inunda-se de um odor pestilento. O pai já está longe. “Não quero!” ouve-se. Tem de ser. Choro. Tens que sair da cama. Berros. “Fico em casa.” Vamos comer. “Não quero comer.” A mãe vai fazer papa para a Amélia. “Não.” Então sai da cama e vem comer com a Amélia. “Ela não quer comer papa.” Sai da cama.

A irmã já tem à sua frente a tigela com a papa de cerelac. “Ela não come papa.” Tenta tirá-la. A mãe sai em socorro da filha. Gritaria. O pai ouve e vem ver o que se passa. O rapaz tem mau acordar. Pega na filha e dá-lhe a papa. A mãe prepara a papa para o irmão de três anos. “Não é essa!” Qual é então? “É a da Amélia!” A mãe pega no saco de cerelac e junta-lhe leite. “Essa tigela não é a minha.” A mãe vai buscar a tigela azul. “A papa está mole.” A mãe junta-lhe Nestum. Queres ajuda? “Não! Eu como sozinho.” Que porcaria. Limpa a boca!

E é hora de vestir. Vamos vestir. “Não quero vestir.” Tem que ser Jorge. “Vou assim para o colégio.” Não vais de pijama para o colégio. “Vou sim.” Não, não vais. O pai pega no Jorge. Ele grita, chora, esperneia. Dá-se início ao procedimento. Primeiro, despir. As calças, as meias, a camisola, a fralda. É só chichi. Menos mal. Depois, vestir. As cuecas, a camisola para começar a ficar quentinho, as calças, as meias, os sapatos… “Não quero os sapatos!” Jorge, tens que calçar os sapatos. “Não quero os sapatos!” Não podes ir descalço para o colégio. “Quero os croques.” Who cares!?!…

Pronto, vamos embora?! “Eu fico.” Sabes que temo que ir embora. “Quero ver o Bingo e o Rolly!” Agora não é altura para ver televisão. “Quero ver os PJMasks.” Temos que ir embora. “Quero ver os Super Wings.” Vamos chegar tarde. “Quero ver a Patrulha Pata!” Quando voltarmos do colégio, vês. “Quero ver a Lady Bug!” Jorge, o pai vai chegar primeiro ao carro. “Eu vou chegar primeiro ao carro do pai!” O pai abranda o passo. Deixa-o ir abrir a porta. O pai ajuda. Ele entra para o banco de trás. Senta-se. O pai ajuda a apertar os cintos.

O pai senta-se ao volante. Roda a chave. Pé no acelerador. O carro entra em andamento. A viagem não é muito longa. O Jorge conta-me as histórias do CatBoy, do Romeu, do Chase e da Lady Bug – que também dá saltos – transportando-me para o mundo dos seus super-heróis.

Chegamos ao colégio. Catboy, supersalto de gato! – diz o pai. O Jorge ri-se e, com aquele salto que só ele e o seu herói sabem dar, sai do carro. Vai feliz e já ninguém se lembra da birra da manhã.

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