Arrota das Adegas

 

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Com o Donatário, verdelho da Casa Agrícola Brum (Museu do Vinho), começou esta participação n’Arrota das Adegas, para mim, a primeira. Munidos com as nossas taladeiras penduradas ao pescoço (as tigelinhas de barro), seguimos caminho pela freguesia dos Biscoitos na busca das adegas, do vinho que se produz a partir da uva nascida por entre a rocha negra do norte da ilha Terceira e de uma experiência nova que se pretende seja única ou, pelo menos, diferente.

Por detrás das moradias de veraneio da capital do Norte, existem trilhos escondidos que nos levam a lugares que se tornam remotos pela total ausência de casas, carros e asfalto, apesar de estarmos rodeados pela obra do homem materializadas naquelas pequenas curraletas que por ali se encontram às centenas. São os Biscoitos escondidos e que, pouco a pouco, muito lentamente, se vão dando a conhecer ao exterior. Que continuem assim, sem se mostrarem muito, misteriosos.

A paragem seguinte foi na Adega Bicharedo onde nos esperava um vinho de cheiro que, ao primeiro drago, nos avisava que aquilo era coisa para ter cuidado. A massa sovada da senhora Délia, os ovos com massa malagueta, os torresmos e o bolo fatiado ajudaram a minimizar aquele primeiro embate com aquela realidade vínica afastada dos circuitos turísticos e comerciais.

Alguns metros mais à frente, numa adega minúscula paredes-meias com a ermida de Nossa Senhora do Loreto, o convívio faz-se com aguardente de mel. Ui! Segue-se o vinho abafado tinto… depois o branco… e, para finalizar, aguardente de tangerina. Felizmente, a distância a percorrer entre a Adega Oliveira e a seguinte era foi suficiente para amenizar os efeitos do álcool.

Na Adega Manuel Amaral provou-se mais verdelho e o pão demolhado no azeite aromatizado com azeitonas, alecrim, sal e alho fizeram as delícias de quem já suspirava por algo mais consistente no estomago. Ainda havia muito caminho a percorrer.

A penúltima etapa da visita faz-se novamente por entre curraletas e algum mato que ainda persiste em existir por entre a paisagem biscoitense que se vai reabilitando. Agora, o mar está mais próximo de nós, sente-se a sua presença. Dirigimo-nos à Adega Simas e ficamos com a certeza de que progresso, paisagem e tradição podem coexistir e partilhar o mesmo espaço. Prova-se Simas, o verdelho da casa.

Cerca de três horas e meia depois, é tempo de descanso e de tirar as últimas fotos do dia. O Sol está a pôr-se no horizonte, lá para os lados da Graciosa. Pensamos se valeu a pena o dinheiro despendido nesta atividade de sábado à tarde. Sem dúvida que sim. Valeu a experiência, o contacto com outra realidade dos Biscoitos, o convívio com os amigos, o reencontro com outras pessoas e os vinhos que são a razão de ser de toda esta experiência. Esperava-se mais dos petiscos, mas também já aprendi que nesta vida não se pode ter tudo. Para concluir, uma palavra de apreço ao Steven: parabéns pela ideia e pelo evento. Voltarei! Voltaremos!

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