sorrisos de pedra

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Com alguma dificuldade – e muito lentamente – tenho procurado retomar alguma vida social e recuperar hábitos que, com o nascimento dos meus filhos, deixaram de o ser. Ir ao cinema, ao teatro, a conferências ou visitar exposições tornou-se uma extravagância, algo que exigia, e ainda exige, embora de uma forma mais ligeira, uma logística bem montada e oleada onde o apoio e a paciência de terceiros (particularmente os avós) são condição essencial.

Ontem fui a uma exposição, a uma conferência e assisti a uma peça de teatro. Não há fome que não dê em fartura. Reencontrei pessoas. Conheci outras. Partilhei. Mesmo que seja aquela partilha individual na plateia de um teatro onde, apesar de não falares com a pessoa que está ao teu lado, partilhas emoções, ris-te, emocionas-te e revês-te em pequenas coisas que vão acontecendo no palco.

As exposições (era um “dois em um”) foram “Sorrisos de Pedra” da escultora Helena Amaral e o respetivo registo fotográfico pelo fotógrafo Pedro Silva seguido de uma conferência promovida pela Mais Jazz Produções com a participação de Carlos Bessa (IAC), Rogério Sousa (Burra de Milho), Terry Costa (MiratecArts), Helena Amaral (escultora), Pedro Silva (fotógrafo) e moderado por Daniela Silveira (+Jazz). Isto tudo na Biblioteca Pública de Angra (eu sei que o nome oficial não é este). No Teatro Angrense, num evento promovido pelo Alpendre – Grupo de Teatro, assisti à peça “Elas Sou Eu” com um texto escrito e interpretado por Eduardo Gaspar e encenado por Hugo Sovelas.

Escrever sobre as coisas depois de elas terem acontecido não adianta muito. Já aconteceram e não podem ser vistas novamente, quando se tratam de eventos únicos como é o caso da conferência ou da peça de teatro. Mas apeteceu-me partilhar esta experiência convosco, talvez porque, para mim, foi como regressar à normalidade agora enriquecida com esse fenómeno que é a paternidade.

Tantas vezes nos isolamos e mergulhamos num mundo que se torna único e absorvente, mas, tal como aqueles seres marinhos que passam grande parte do seu teu tempo imersos nas profundezas oceânicas gozando daquela beleza que é só deles e de mais ninguém, por vezes é preciso regressar à tona de água e respirar. E que falta faz esse ar que nos enche os pulmões e nos alimenta a alma.

Os “Sorrisos de Pedra” e as fotografias de Pedro Silva vão continuar em exposição na Biblioteca de Angra até 31 de maio (as fotografias só até 28 de abril). No teatro Angrense vai haver hoje mais teatro com a peça “Gisberta” interpretada por Rita Ribeiro.

A foto foi retirada da página de Terry Costa.

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