assumo, sou bairrista

Tudo serve de justificação para se retirarem serviços à Terceira. É a baixa ocupação dos voos, a dimensão do mercado, a falta de escala. Tudo serve para centralizar serviços. É a necessidade de dinamizar a economia, de se criar emprego ou porque dinamizar a economia “aqui”, significa dinamizar a economia do conjunto. Balelas. Engodo. Centralismo. Bairrismo. Isso sim é bairrismo. Diria mesmo, imperialismo. O problema será outro. Não é necessário investir na Terceira porque, faça o que se fizer, sejam quais forem os candidatos, podia até ser o António da Casa da Ribeira (que Deus o tenha num bom lugar) e o resultado está garantido… na mesma. E eles nem reclamam.

A verdade é que a alternativa não é melhor. E viu-se agora no caso da supressão da ligação Terceira-Porto realizada pela transportadora aérea regional. Ao invés de se defender a permanência dessa rota a partir das Lajes e de se reivindicarem outras, preferiu-se atacar o mensageiro e ridicularizá-lo. No caso, a deputada Mónica Oliveira. É mais fácil. Não estou a defender a senhora deputada, até porque prestou um mau serviço à ilha priorizando a defesa do partido político pelo qual foi eleita. Compreende-se. No final de contas, é o que todos, ou quase todos, fazem. E se não o fazem, bem podem dizer adeus a um lugar na próxima lista e à reeleição. Não acontece só no partido da maioria e é por isso que se prefere atacar as pessoas em vez das suas ideias. Não há lugar para todos.

O centralismo geográfico e partidário é uma realidade indesmentível e à vista de todos. Não haverá açoriano, incluindo os terceirenses, que não ache que para se ser candidato a presidente do governo regional tem de se ser de São Miguel. É factual.

Os Açores e o seu sistema político correm um sério risco de se desagregarem. É um exagero, eu sei, mas a realidade diária prova que o que temos não nos está a servir. O poder foi transferido de Lisboa para Ponta Delgada e isso está a fazer com que as restantes oito ilhas estejam a ser tratadas como periferias. A sua população não justifica grandes investimentos públicos. Não faz sentido os passageiros entrarem pela Terceira ou pela Horta ou pelo Pico ou por Santa Maria se a maioria das pessoas vive em São Miguel e se é nesta ilha que a maior capacidade hoteleira está instalada. Não faz sentido criar-se uma plataforma logística na Praia da Vitória porque o maior volume de mercadorias não se destina à Terceira. Não faz sentido transferirem-se as operações da SATA para as Lajes porque… porque não faz sentido transferir-se o que quer que seja para outra ilha mesmo que isso seja única e exclusivamente uma opção política.

A deputada Mónica Oliveira defendeu o seu partido. Também não estranho que tenha sido ela e não um dos outros deputados mais experientes a defender o indefensável. Contudo, também nunca vi uma posição clara sobre os temas referidos acima por parte PSD. O CDS-PP, honra lhe seja feita, já o fez. Talvez por o seu líder ser da Terceira e não ter de prestar contas a São Miguel no momento em que se recandidatar e querer renovar o seu mandato de deputado. Enquanto isso, pode-se rever o estatuto político-administrativo, o regimento da assembleia ou que quer que seja que vá servindo de entretenimento e tudo fica na mesma. Não são os papéis que fazem os sistemas, mas aquilo que se as pessoas querem fazer com eles.

Se ser bairrista é defender a sua terra, que mal há nisso? Sejamos então bairristas. Os outros, ao que se vê, não têm nenhum problema com isso.

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