“Nós” e “eles”, o dérbi da democracia

O mais difícil seria concentrar em quinze minutos todas as propostas e ideias que, ao longo dos últimos anos, tenho vindo a pensar e a desenvolver para que o centro da Praia se torne mais dinâmico e atrativo. Falhei. Ultrapassei claramente os quinze minutos que me foram atribuídos

para a apresentação e, nem de longe nem de perto, consegui apresentar todas as sugestões que gostaria. Apesar disso, dei a minha missão como cumprida. Foram atingidos os objetivos.

Quando há umas semanas me convidaram para participar neste fórum, achei que seria prematuro da parte do Município fazê-lo. As eleições foram há dias e seria de esperar que o que havia a discutir já o teria sido na campanha eleitoral. Um sinal de fraqueza, pensei na

altura. No entanto… e porque não?! Ouvir a sociedade civil, ouvir as pessoas e as suas propostas, correr o risco de escutar críticas e comentários desagradáveis é sinal de fraqueza? Penso que não. Mas é a chamada faca de dois gumes.

Por um lado, é uma forma de se receberem sugestões de forma graciosa e poder aproveitar o que é bom e tomar-lhe a propriedade ou até mesmo aceitar sugestões menos populares, aplicá-las, e dizer que foi uma sugestão da sociedade civil. Maquiavélico, mas inteligente. Por outro, despois destes fóruns, a Câmara Municipal não se pode queixar que as pessoas não participam ou não fazem sugestões ou não há ideias. Cá estaremos para avaliar os resultados.

Alguém me disse que eu não deveria participar neste fórum. E não foi só uma pessoa. Argumentaram que eles estão falidos. É verdade. Disseram-me que eles não têm ideias. Não iria tão longe. Sugeriram que eu os estava a ajudar e que eles não mereciam. Meus amigos, aqui não há “eles” nem “nós”. Aqui há a Praia. E “nós” e “ele”, sejam lá quem forem, têm mais é que se preocupar com o futuro da cidade e do concelho, contribuir para a solução e não ficar à espera que tudo corra mal, desejar que tudo corra mal, na esperança que o lugar lhes caia no colo de mão beijada. Compreendo que ser Presidente de Câmara seja um “sonho de menino” de muita gente. Mas a minha experiência diz-me que o último que ocupou o cargo na

busca da concretização deste sonho, tornou a vida da cidade e do concelho um verdadeiro pesadelo. Se o sonho se concretizou para o próprio, não passou de uma experiência individual, egoísta. O que precisamos neste momento não é de narcisismos, nem buscas fratricidas de

poder. O que é necessário é pensar no bem comum, no coletivo e na sociedade no seu todo.

Venha quem vier. Sejamos “nós”, sejam “eles”, seja até o Bloco de Esquerda, se entenderem que o meu contributo é válido, cá estarei. Se entenderem que posso contribuir de alguma forma para encontrar uma solução para o nosso futuro coletivo, também cá estarei. Se precisarem de

alguém para criticar, então aí é que não me ponho mesmo de fora. O que importa é que se abram caminhos, que se encontrem alternativas, que haja entendimento, que se concretize democracia. Não basta dizer que os outros não são democratas, não basta andar a falar pelos cantos, não chega ter todas as soluções e não as partilhar. É urgente fazer parte da solução. Assim queiramos “nós”, assim o queiram “eles”.

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