vítima de si própria

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Vítima de si própria, a Câmara da Praia vive um dos períodos mais negros de toda a sua história. Um verdadeiro pesadelo. Já há quem diga que estamos a assistir à Terceira Queda da Praia. Uma catástrofe saída de uma profecia bem conhecida pelos mais antigos. E nada tem que ver com a saída dos americanos, o chamado downsizing da Base, que mais não fez do que servir de cortina de fumo para uma gestão desastrosa do Município praiense. E nada tem que ver com desastres naturais de dimensões bíblicas que uniriam o mar da Praia ao mar da Caldeira. Tudo tem que ver com ganância. Com poder. Com a necessidade de o manter e tudo fazer para o perpetuar. Promete-se tudo a todos. Dá-se tudo a todos. Oferece-se o que se tem, mas prefere-se dar o que não se tem ou não se sabe se vai ter. Vale tudo. Não há coragem para se definirem prioridades.

As dívidas acumulam-se. Alguém as há de pagar. “Pagar a dívida é uma ideia de criança”, dizia José Sócrates no longínquo ano de 2011. Nessa altura já o FMI tinha entrado porta adentro, já as medidas de austeridade começavam a ser aplicadas, já o país, finalmente, percebia que o regabofe na gestão das finanças públicas iria levar Portugal a uma crise sem precedentes com os resultados que todos hoje conhecemos. Depois do sacrifício veio a bonança. Ou parece vir a bonança. Mas foi penoso chegar-se até aqui. Se valeu a pena? Ainda ninguém sabe. Mas uma coisa todos sabemos, o governo da Câmara da Praia da Vitória nada aprendeu com isso. Cometeu os mesmos erros. Repetiu as receitas. Inovou modelos. Reinventou uma gestão que acabou por nos levar à ruína.

Não há dinheiro. As Juntas de Freguesia queixam-se por tão baixas serem as transferências de receitas do Município para os seus orçamentos, apesar das cada vez maiores delegações de competências de uma entidade para outra. Os pagamentos a fornecedores sofrem atrasos consideráveis e não se lançam concursos faz algum longo tempo. Nem o dia da criança se comemora a céu aberto, na cidade, para todos, com todos. A Praia tornou-se um feudo de alguns. Uma terra para alguns. A cidade e o concelho estão parados. Sucumbem. O Tribunal de Contas aponta falhas graves na gestão dos dinheiros públicos municipais e a Câmara procura defender-se como pode e sabe. A decisão na justiça ainda não foi tomada, é verdade, mas os factos e a frieza dos números estão lá, preto no branco, para quem os quiser ver, ler e conhecer. Como sempre, dão espaço para todo o tipo de leituras. Só dependendo da habilidade e engenho de quem os analisa. Tudo é justificável. Só depende do resultado e objetivos que se pretendem atingir.

Procuram-se culpados. Todos, menos os verdadeiros responsáveis, são um alvo possível. Culpabilizam-se decisões anteriores. Contratam-se agentes políticos e vestem-lhes uma capa de isentos, apartidários. O objetivo é um. Defenderem-se a si próprios, os que tomam decisões, os que fazem promessas, os que faltam ao prometido. Não conseguem assumir compromissos. O Povo, mais uma vez, vai-se deixando levar no engodo das manobras de diversão. É preciso desviar as atenções do essencial, das causas verdadeiras.

É este o modelo de desenvolvimento aplicado na Praia ao longo dos últimos anos. Empurrar com a barriga para a frente. Fazer de conta que se é rico. Desperdiçando. Esbanjando. Alimentando clientelas e bolsas de votos. Até quando permitiremos isto? Já é mais do que tempo de exigirmos responsabilidades. Até lá, rezemos para que a eletricidade não falte em nossas casas.

Artigo publicado hoje da edição do Diário Insular.

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