hoje (ontem) é o dia da Praia

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Hoje – o dia em que escrevo esta crónica – comemoram-se 37 anos desde a elevação da Praia da Vitória à categoria de cidade. Dez anos mais nova do que eu, já há muito que atingiu a maioridade e, nem por isso, deixou de viver na incerteza e na angústia de não conseguir vislumbrar um futuro ou um caminho a seguir. Esperarão certamente que este seja o momento para apontar defeitos, levantar problemas ou apontar o dedo a este ou àquele, àquela ou aqueloutra, que isto de responsabilidade, competência ou falta dela não tem género nem idade. É verdade que nunca na sua história a Praia da Vitória teve uma mulher como presidente de câmara, mas também é verdade que a presença de senhoras em lugares de vereação, membros da Assembleia Municipal ou em outros cargos de nomeação e confiança política tem sido uma evidência e a sua influência nas tomadas de decisão dignas de serem registadas. Para o bem ou para o mal…

Contrariamente ao que se tem verificado nas últimas semanas, a manhã de 20 de junho nasceu cinzenta. Já não é feriado e os praienses não poderão ir a Angra às compras como já se havia tornado tradição. Será, por isso, uma boa oportunidade para celebrar a Praia, a cidade e o seu dia percorrendo o comércio dito tradicional, frequentar as esplanadas, jardim e paúl e dizer com confiança e determinação “estamos aqui!”. Se a cidade precisa de nós, estamos aqui para o que der e vier. No entanto, só vos pedimos uma coisa: sejam sérios e leais. Sérios com os praienses e leais com o povo. Não nos traiam. Não nos usem como joguetes neste xadrez de poderes efémeros em que, no final da partida, tomba sempre o mesmo. Neste caso, a mesma. Neste caso, a Praia.

Que rumo pretendemos seguir? Que Praia queremos para o futuro? Como este texto está a ser escrito antes das cerimónias oficiais e no dia em que a comunicação social estará a fazer eco do discurso do Presidente da Câmara, é muito provável que nas páginas deste jornal, ou mesmo na primeira página com grandes parangonas e fotografia, a solução para a cidade e o concelho esteja apresentada. Uma cidade voltada para o mar e o turismo. Uma cidade que terá um cais de cruzeiros. Uma cidade que será um centro inter-geracional com forte aposta nas crianças, na criação artística e dinamização cultural. Uma cidade que fará uma profunda alteração ao sistema de trânsito e apostará nos transportes públicos elétricos como forma de aceder ao seu centro tradicional. Uma cidade que apostará na modernização das suas estratégias de animação de rua e de promoção do seu comércio. Uma cidade que transformará a sua praça principal no centro nevrálgico de toda a vida social e cultural do concelho. Uma cidade que começará a pensar em si e por si sem que esteja preocupada com o que os outros possam pensar ou decidir. Uma cidade que renasça, em primeiro lugar, a pensar nos praienses, para os praienses e nas gerações futuras. A Praia da Vitória não pode ser pensada exclusivamente em função dos ciclos eleitorais, das suas festas ou das carreiras políticas que se transformam em profissionais dos seus dirigentes, quer estejam no poder ou na oposição.

A Praia da Vitória tem que se valer por si própria, pela cidade que é, independentemente de interesses pessoais ou partidários de ocasião e de curto prazo. Daqui por 100 anos a Praia continuará a abraçar a sua baía. Provavelmente sem o areal que lhe deu nome, mas com praienses que olharão para a sua história e a julgarão. Resta saber que papel, nós, em 2018, queremos desempenhar.

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