a culpa é dos comerciantes

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Tem sido frequente ouvirem-se as maiores críticas ao comércio local da cidade da Praia da Vitória quando o tema de conversa é a desertificação ou a falta de atratividade da rua de Jesus. É recorrente dizer-se que os comerciantes deveriam investir mais, melhorar as suas lojas, ter melhor produto ou mesmo que investissem em novos negócios, nomeadamente através de franchising. Diz-se também que a Praia deveria captar lojas âncora e as grandes cadeias de comércio a retalho ou de alimentação fast-food.

Tudo isso é verdade. Dever-se-ia poder fazer tudo isso. Deveria haver “criatividade” para tudo isso. Já explico as aspas da criatividade.

Este tipo de discurso é típico de quem não é comerciante ou que nada percebe do assunto e se limita a ser consumidor. Habitualmente estas tiradas são apresentadas pelas pessoas como se elas próprias tivessem descoberto a pólvora e pretensamente tivessem a solução para todos os problemas do comércio da cidade. “Como é que ninguém pensou nisto?” “Como é que nenhum empresário da cidade e do concelho teve semelhante rasgo de criatividade?” Estas pessoas pensam mesmo que é assim. Que nenhum empresário teve a inteligência e o arrojo suficientes para investir mais, para melhorar a sua loja, para ter melhor produto ou trazer um franchising para a Praia. Haverão certamente alguns que o não têm tido, que isto de falta de iniciativa e de se deitar à sombra do coqueiro à espera que o coco caia é coisa que existe em todas as atividades profissionais e o comércio não é exceção. Contudo, muitos já o pensaram e quiseram fazer. Existe um pequeno e simples detalhe: no Money! E eu acrescentaria: no clientes!

A realidade é que muitos destes criativos não fazem compras na Praia. Não frequentam a Praia, nem sequer para polir um pouco mais a calçada branca escorregadia. Tudo se desenrola à distância de um clique ou de um bilhete de avião em companhia low-cost, com dormida em pensão de uma estrela e almoço em rede fast-food. Quanto dinheiro tem ido para a Irlanda e para Lisboa? Rios dele e que tanta falta fazem na economia local. Dizem que se a Primark viesse para a Praia já não era preciso irem a Lisboa. Quem diz uma conversa destas revela em absoluto a sua ignorância sobre este assunto. Devem achar que trazer uma dessas lojas para a Praia é como abrir um chinês. Aliás, chinês que vê a sua clientela aumentar, mesmo que não assumida.

Esta “criatividade” de bancada não passa disso mesmo. Falar para não estar calado. Se realmente essas pessoas têm a solução para o comércio, peço encarecidamente que a partilhe com os demais concidadãos, talvez até conseguissem uma medalha de mérito no próximo dia da cidade ou mesmo uma rua com o seu nome. Em alternativa, podiam ainda fazer diferente, que fossem os próprios a implementarem as brilhantes ideias que têm. Se são assim tão boas e fantásticas é coisa para ficarem ricos em menos de nada. Atirem-se! Sejam ousados e criativos. A Praia precisa mesmo de gente como você! Fico à espera!

Artigo publicado na edição de hoje do Diário Insular.

2 pensamentos sobre “a culpa é dos comerciantes

  1. “Diz-se também que a Praia deveria captar lojas âncora e as grandes cadeias de comércio a retalho ou de alimentação fast-food.” Isto não é solução para a praia nem para cidade nenhuma açoriana. O produto nacional é de excelência, esse sim é que deve estar nas nossas montras.
    O meu pai, comerciante praiense, chegou a ter três lojas abertas na praia e vendia muito mais do que em angra. O que mudou desde os anos 90 para agora??
    A maior culpa é política. Mas esses não estão para a olhar para os próprios umbigos e assumir a culpa. Até Porque a sua única solução chama-se betão, é como é óbvio a praia já tem bastante.
    Como já me disseram : “És de Angra o que é que vens fazer para a Praia?!”…apenas desejo que os praienses encontrem o seu caminho já que não precisam de mais ninguém.

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  2. Não gosto muito de comentar artigos, mas adoro comentar alguns comentários, neste caso julgo falar dos dois, como qualquer pessoa que vive na Praia e vive a Praia vê, que ninguém tem culpa. E se alguém a tem serão os próprios praienses, pediram gabinetes para as freguesias para tratarem dos seus problemas ao pe de casa, pediram medicos nas freguesias, pediram ginasios, tudo lhes foi dado senão ninguém ganhava eleições. Pediram hippers, e coko é lógico lá foram meia duzia de lojas à falência ou fecharam, etc,etc. Somos uma cidade com poucos habitantes, não podemos esperar ter muita gente pelas ruas e comercio todos os dias. Têm havido dezenas de iniciativas por parte da Câmara, de louvar, umas melhores outras piores,, por parte de comerciantes poucas iniciativas, talvez por não poderem suportar, A Praia da Vitória tem o que qualquer cidade tem, só que tem mito pouca gente. E se alguém não tem culpa é a Praia da Vitória. Como nota final tenho ido a Angra do Heroísmo a diversas horas e em diversos dias e permitem me que vos diga que a diferença não é de palmo.

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