vender gato por lebre

SONY DSC

Gosto de ver a minha terra ser notícia por bons motivos. Já nos cansámos de ver a Praia falada sempre pela negativa. Parece que nada de bom acontece por estas bandas.

Recentemente, descobrimos que, para o sector turístico, a Terceira passou a ser o tesouro escondido do Atlântico elogiado pela imprensa internacional. Não foi novidade. Todos que cá vivemos já sabíamos disso, mas para variar, tivemos de ter alguém de fora que o confirmasse. Ficamos prezados com isso. Faz parte do nosso ser. Está no nosso sangue. Temos agora é que cuidar deste nosso tesouro. Não dar cabo dele transformando-o em pechisbeque ou joia de imitação. Temos de o manter autêntico e apostar na qualidade. Sendo que qualidade não significa luxo, novo-riquismo ou querer parecer o que não se é. Somos gente simples e humilde no que de mais nobre esta palavra encerra. Ser humilde não é ser pobrezinho ou pobretanas. Ser humilde também não é humilhar-se. Quando se tenta passar por aquilo que não se é, na maior parte dos casos, ao primeiro obstáculo, o verniz estala, a máscara cai, e aquilo que parecia bem transforma-se numa fraude. Levámos anos até nos encontrarem e demorou tanto tempo até que alguém passasse a falar bem de nós. Construir uma imagem positiva demora anos, décadas. A sua destruição pode ser feita em escassos segundos. Não podemos correr esse risco. Não temos de ser humilhados. Temos que ter juízo e a capacidade para aprender com os erros dos outros. Ver o que eles fizeram bem e adaptarmos essas soluções à nossa realidade. Olharmos para os seus erros e más práticas e não as repetirmos. É a vantagem de não partir em primeiro lugar. Dá tempo para que seja os outros a fazerem as experiências.

É importante também tomarmos decisões. Não termos medos. Usarmos a nossa coragem e definirmos balizas. Reconhecer os nossos limites e não darmos passos maiores do que as pernas só porque há dinheiro disponível e o momento parece ser de crescimento e oportunidade. Devemos pensar num todo e não embarcamos no sustento de egos e umbiguismos fáceis. Devemos pensar no futuro e na sustentabilidade dos nossos investimentos financeiros e do novo edificado. Que destino será o dele daqui por vinte anos? A experiência que temos nesse sector é traumática. Sabemos bem o que acontece quando a fonte de todas as riquezas e virtudes seca. Basta olhar no que se tornaram a Estrada 25 de Abril, os Bairros de Santa Rita ou os Bairros Novos Americanos depois da redução americana na Base.

Relativamente aos Bairros Novos, esta também foi uma semana em que fomos notícia positiva, particularmente porque fugiu aos sectores tradicionais como a agricultura e o turismo ou de crescimento mais evidente. Fomos falados porque também queremos ser parte do futuro. Ou melhor, também já somos futuro. O projeto Terceira Tech Island começa a dar resultados visíveis. As empresas do setor da programação informática já cá estão a instalar-se e bem no centro da Praia. É uma situação provisória, bem sabemos, mas, num futuro próximo, irão para os Bairros Novos Americanos.

A Praia pode deixar de ser uma cidade que se tem vindo a estagnar no tempo e cuja população, comércio e instituições perderam a esperança. Nós todos precisamos voltar a acreditar que é possível e que não é uma fatalidade termos caído nas malhas da irresponsabilidade e dos sonhos de grandeza que não eram reais. A Praia pode voltar a ser a cidade do futuro. Basta para isso que não nos estejam a vender gato por lebre.

Artigo publicado na edição de ontem do Diário Insular.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google photo

Está a comentar usando a sua conta Google Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s