hibernar não é solução

tourada areal praia da vitória 2015

Quando falamos do potencial da Praia, acabamos sempre por bater na mesma tecla. Não me canso disso nem desisto, nem mesmo quando tudo à volta parece desmoronar-se, nem mesmo quando todos criticam.

Uma cidade não se constrói só com as ideias de quem nos governa ou lidera quando se dá o caso de existir um líder. Colocar o nosso futuro nas suas mãos é desresponsabilizamo-nos, tornando deste modo mais fácil a nossa vida e dizer que a culpa é toda dele. Ele é que foi eleito, ele que se desenrasque. O povo escolheu, está escolhido. Pilatos pensou o mesmo. Pese embora seja este o fundamento do sistema democrático que faz das eleições um momento de responsabilidade para logo a seguir desresponsabilizar, isto não invalida que entre atos eleitorais nos demitamos dos nossos deveres de cidadãos, principalmente quando a governança municipal não revela capacidade de levar por diante, por iniciativa própria, os destinos no concelho, estando totalmente dependente das vontades e dos projetos de terceiros, nomeadamente do Governo Regional.

Os problemas que infelizmente existem são conhecidos, bem conhecidos. Os praienses conhecem-nos, convivem com eles diariamente e não falar deles não os vai resolver. De pouco servirá varrê-los para debaixo do tapete ou escondê-los na gaveta da tralha lá de casa. Mais cedo ou mais tarde vão aparecer e dizer estamos aqui. Nesta matéria, sabemos bem o que é fazer de conta, mesmo não existindo nenhum grupo de teatro em atividade. A nós, aos que aqui vivem, cabe-nos, por isso, fazer parte da solução. Ser solução.

Três anos – o tempo que falta para as próximas eleições autárquicas – é muito tempo para que novas soluções apareçam. Não podemos continuar a pensar a nossa terra em função dos ciclos eleitorais ou do calculismo individual que vê na vida política a única forma de promoção social ou de carreira. Os praienses não hibernam durante quatro anos. Os comerciantes não têm as portas fechadas durante quatro anos. Os empresários não deixam de investir durante quatro anos. As contas da água e da luz, as prestações ao banco ou a necessidade de comermos não ficam suspensas durante quatro anos. Por que razão as propostas e as soluções só aparecem a cada quadriénio?

Numa altura em que as palavras remodelação e renovação estão na ordem do dia, num período em que toda a gente já percebeu que é urgente quebrarem-se ciclos, alterarem-se rotinas e redefinirem-se princípios, é urgente passar-se das palavras aos atos e fazer do tradicional discurso oco e sem consequências a mudança que todos queremos e precisamos. De nada adianta mudar equipas se as pessoas só passam de um lado para o outro. De nada adianta mudar de líderes se, na essência, as pessoas se mantêm. De pouco adianta reescrever-se o passado quando ele está lá para quem o quiser revisitar.

Urgente é reescrevermos o futuro de forma a que seja diferente daquele que se perspetiva com este presente. É uma tarefa difícil que não pode ser deixada à responsabilidade de meia dúzia de pessoas. Nós, que somos muitos mais e sabemos o que queremos para as nossas vidas e para a nossa terra, também temos responsabilidade nisso. O futuro tem que ser construído também por nós, os que cá vivemos e os que, por aqui e por ali, à boca pequena, apresentam soluções ou conhecem outros caminhos. Hibernar não é seguramente solução. Se o fizermos, também a Praia adormecerá… até quando? Só depende nós.

Crónica publicada na edição de hoje do Diário Insular.

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