não vou ao congresso

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Não vou ao congresso do PSD-Açores. Mas, se fosse, seria mais ou menos isto que lá iria dizer, mesmo correndo o risco de me tornar um proscrito e não me convidarem para cargo algum.

Os recentes processos eleitorais internos puseram a nu as profundas divisões existentes no seio da chamada família social-democrata. Porém, o que ao de cima se evidenciou foi que as divergências e cisões daí resultantes, nada têm que ver com posicionamentos ideológicos ou vias programáticas. Se assim fosse, significava que o partido estaria vivo, dinâmico, e concentrado naquilo que verdadeiramente interessa. Mas já lá vamos.

Infelizmente, o que sobressaiu destes confrontos internos foram as habituais e permanentes lutas entre pessoas, entre apoios, só para se determinar quem ficará mais visível ou disponível para ocupar lugares, os poucos lugares que poderão ser disputados e remunerados, principalmente nas próximas eleições regionais – as que, a este nível, são as que verdadeiramente interessa – e as eleições para a República e Europa que se avizinham. É curioso que, a nível autárquico, ninguém sequer se quer pronunciar.

Verificou-se que, à exceção dos “cabeças”, ninguém quer saber do seu concelho, da sua ilha ou mesmo dos Açores. O que importa é conquistar os apoios internos necessários para garantir o lugar almejado. O seu, só o seu. E não adianta dizer que só os outros é que estão agarrados e querem é tacho. A verdade, é que a grande maioria daqueles que usam e abusam desse discurso já cá anda há muitos anos, não arreda pé, mesmo que nunca ninguém tenha ouvido a sua voz numa intervenção em congresso, em conselho regional, em assembleia de ilha ou em qualquer outra plataforma onde a exposição à crítica constitua um risco. Claro que há sempre a hipótese de se dizerem uma enormidade de generalidades que não provocam qualquer tipo de reação… e lá se vão aguentando.

O PSD deve definir-se ideologicamente. Atualmente, é um barco que navega à vista, limitando-se a reagir ou a ser contra tudo aquilo que os outros fazem ou propõem. É verdade que o partido da maioria que apoia o governo faz o mesmo, mas não é copiando os maus exemplos que se ganha a confiança dos açorianos.

Quem somos? O que queremos? Que projeto temos para os Açores? São estas as três grandes questões a que urge dar resposta. Sem ela, não adianta continuarmos a dizer que somo alternativa, mesmo que seja necessário uma. Não adianta dizermos que somos um partido do arco da governação, mesmo que tenhamos orgulho no nosso passado já distante.

Conheci o Alexandre Gaudêncio durante o processo eleitoral para a liderança da JSD-Açores aí há uns anos. Não consigo precisar quantos. Nessa altura, apoiei um jovem irreverente, com vontade de romper com o sistema instalado, viciado e que não se conformava em estar por estar ou em se ir ajeitando e moldando ao oportunismo do momento. Recordo-me de o ver enfrentar Berta Cabral numa altura em que ninguém ousaria fazer. Fê-lo. Lutou pelas suas convicções e pelos seus princípios.

Contrariamente àquilo que os seus maiores apoiantes fazem transparecer, espero que esse jovem não tenha desaparecido e que o Gaudência que enfrentou o imobilismo daquela Jota e os líderes do PSD, volte e resgate este partido daquilo que ele sempre combateu.

Não é só o PSD que precisa de um novo fulgor. São os Açores que precisam urgentemente, para bem da nossa Autonomia, de alguém com capacidade de sacudir o sistema e de lhe dar um novo impulso. Saiba o PSD estar à altura desse desafio.

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