os moderados e a 3.ª lei de Newton

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Quando um lado estica demasiado a corda, o mais natural é que o outro também o faça. Não é bem assim que a Terceira Lei de Newton é formulada, mas é isto que, aplicada à argumentação humana, quer dizer.

O discurso político, não necessariamente partidário, tem vindo a extremar-se sem que ninguém se preocupe com as consequências. Chegámos a um ponto em que temos de ser totalmente a favor disto ou totalmente contra aquilo. Muitas vezes só porque sim ou porque achamos que não gostar de branco é gostar-se de preto. Esquecemo-nos de que podemos não gostar de branco e gostarmos de amarelo, verde ou azul e termos ou apresentarmos uma solução alternativa que não seja extremista ou, ainda pior, que seja cinzenta e deixe de ser alguma coisa, sendo a posição do politicamente correto sem compromisso.

“Se um objeto exerce uma força sobre outro objeto, este outro exerce uma força de mesma intensidade, de mesma direção e em sentido oposto.”

Os radicalismos não nos levam a lado nenhum. Nunca levaram. Ou melhor, os radicalismos, habitualmente, levam-nos ao extremismo oposto. Veja-se o que está a acontecer com o movimento de refugiados ou com as posições inflexíveis da União Europeia relativamente à economia e que nos estão a levar para uma Europa fechada ou à vontade popular de se abandonar o projeto europeu. Veja-se o que está a acontecer com a questão das touradas em que uma ministra de um país democrático e com fortes tradições taurinas se permite a tratar todos os apreciadores da arte como incivilizados e selvagens. Veja-se o que está a acontecer com a descontaminação. Radicalizou-se o discurso do “vamos todos morrer por causa das radiações” levando ao “está tudo bem” por parte de quem tem responsabilidades.

Perdemos a noção das soluções intermédias e de consenso. Ou é preto ou é branco não é solução. Exigem-nos que estejamos de um dos dois lados e não conseguimos, nem queremos, perceber as razões do outro lado. A razão raramente está do lado de um. Se estiver, é meio caminho andado para o totalitarismo.

Diz-se que a culpa é das redes sociais. Não o será de todo. A culpa é dos seus utilizadores que aí encontram uma possibilidade de se fecharem numa bolha conveniente onde as suas posições são validadas. Um pouco como fazem os marginalizados ou grupos de exclusão e de risco. Juntam-se uns aos outros porque, naquele universo, todos pensam e agem como eles. Logo, o mundo é exatamente como eles idealizam. Um mundo de fazer de conta.

No mundo real tenho amigos que se posicionam em vários quadrantes políticos, tendo inclusivamente alguns que se extremam em determinados assuntos. Por que razão, nas redes sociais, haveria de ser diferente? Procuro não ver o meu mundo virtual só com gatinhos ou lindos pensamentos de dor de corno. Faço questão que o meu mundo seja diversificado. Tenho por lá socialistas, pseudo-socialistas, comunistas, bloquistas, anarquistas, social democratas, militantes do PSD, e gente que não faço a mínima ideia de onde são, o que, na realidade, pouco importa. Esse mundo não tem só uma cor. O Mundo não tem só uma cor.

Por formação profissional tive que estudar e aplico até à exaustão a Terceira Lei de Newton. Indica-nos os limites. É uma Lei universal como o deveriam ser todas. Obriga-nos a ser moderados. É pouco democrática. Se falharmos, castiga. A estrutura colapsa.

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