sexta-feira preta

Sexta-feira, ao início da noite, fui à Praia com os meus filhos com a intenção de os por aos saltos nos insufláveis montados na Praça Francisco Ornelas da Câmara, vermos a pista de gelo e dar uma volta pelo centro da cidade. Convenientemente agasalhados, passámos um bom bocado na secção de saltos para depois aventurarmo-nos pela rua de Jesus que, numa cidade com a dimensão da nossa, é um lugar perfeito para correrias. É a vantagem de vivermos num lugar pequeno. A praça estava um pouco escura. Falta vida naqueles edifícios à volta. Os privados, evidentemente, fazem o que podem, mas a maior parte deles é propriedade da autarquia e, por essa razão, deveria ter a mesma preocupação na sua decoração e manutenção como tem nos Paços do Concelho. No fim de contas, é tudo a mesma coisa. O dono é o mesmo. Os contribuintes também.

As lojas vestiram-se à altura da ocasião. Deram o seu melhore mantiveram-se abertas. Não sei se do ponto de vista comercial esta“sexta-feira negra” terá sido proveitosa. A este propósito, convenhamos que “black Friday” é uma expressão bastante infeliz. Está bem que a designação foi importada, mas ao menos que se façam as necessárias adaptações. Sexta-feira negra?! Só me faz lembrar coisas a correrem mal, sexta-feira treze ou sexta-feira santa, dia de crucificação… Mas mesmo não sendo proveitosa,serviu para mostrar as potencialidades de uma cidade de pequena dimensão onde as pessoas desistiram de estar.A cidade da Praia e a sua rua principal poderão ser o melhor centro comercial que algum dia existirá nos Açores com lojas abertas à noite, durante os fins-de-semana, todo o ano. Tem potencial para isso e a sua dimensão é única. Ninguém imagina fazer isto na rua da Sé… Para isso, no entanto, é preciso vontade. E não me refiro à vontade política que essa tem outros calendários, outras preocupações e outros objetivos. Refiro-me à vontade dos empresários e comerciantes da Praia que, de uma vez por todas, têm que perceber que, só unidos, é que conseguirão vencer, fazendo alguma coisa pelo coletivo. Já é mais do que tempo de estarmos constantemente à espera que os outros façam tudo por nós, que alguém venha resolver os nossos problemas ou que alguém nos venha ensinar o que devemos ou não fazer. Não somos estúpidos, mas temos grande dificuldade em nos entender e em nos unir em torno de uma causa comum. Se não for por bem do nosso vizinho, do nosso concorrente ou daquele que invejamos, ao menos que seja pelo bem da nossa cidade. Só no dia em que fizermos da cidade a nossa causa, os nossos problemas se resolverão. E no dia em que o negócio do nosso vizinho estiver bem, que o negócio do nosso concorrente prosperar, que a vida de quem mais invejamos estiver melhor, nesse dia, se trabalharmos e nos empenharmos e não ficarmos à espera que as soluções nos caiam no colo, nesse dia todos estaremos melhor. Queiramos nós ser humildes e falarmos uns com os outros.

Artigo publicado na edição de hoje do Diário Insular.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google photo

Está a comentar usando a sua conta Google Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s