valha-nos a nossa câmara

Depois da tempestade, a bonança. E os investimentos e apoios públicos regressaram ao concelho da Praia da Vitória. Já não era sem tempo! Finalmente, parece que há dinheiro e a autarquia, como convém nas grandes apostas estratégicas, não hesitou em divulgar o seu feito. Divulgar e redivulgar e voltar a anunciar ao mundo que a crise acabou no Município da Praia da Vitória. Ao fim e ao cabo, o momento é de celebração.

Não consegui apurar se o apoio foi comunitário, se foi com dinheiros vindos do orçamento do Estado ou se foi ao abrigo do PREIT ou se uma contrapartida por nos terem roubado o voo da Delta Airlines para o levarem para a capital do Império, a verdade é que a Câmara da Praia conseguiu a proeza de arranjar 7500 euros para podar as árvores do caminho que nos habituámos a designar pelo das mesmas. Para os que não são de cá, é aquela estrada cheia de árvores de um lado e de outro – fazem falta outras como esta – e que passa junto àquele edifício plantado ao lado do cemitério, com uma chaminé, e que um dia, quem sabe, será um crematório ou, talvez, uma padaria, já que a obra tarda a ser inaugurada.

…e ficámos descansados. A intervenção fez-se antes da passagem da tempestade Diana e as cúpulas municipais, com aquele zelo que lhes conhecemos em todas as frentes, rapidamente vieram congratular-se por terem prestado aos munícipes um valioso trabalho de prevenção. Por esta ter sido a única vez que o vi fazer, fico preocupado. E das outras tempestades e furacões?!

É bem verdade que aquelas árvores têm de ser podadas e tratadas. Mas também é verdade que a uma Câmara Municipal se pede muitos mais do que isso. É quase como se a autarquia viesse a público se vangloriar de fazer a leitura dos contadores da água, abastecer as casas-de-banho com papel higiénico ou abrir todos os dias as portas dos serviços municipais. É o mínimo! Se fosse uma Junta de Freguesia a fazer isso, dava-lhes os parabéns. É o tipo de trabalho que se exige a uma Junta que o faça, desde que tenha dinheiro,claro.

Para isso é que a Câmara lhes delega competências, para se poder ocupar das grandes questões, definir estratégias de desenvolvimento e resolver os grandes problemas a que as autoridades de freguesia não conseguem acudir pela natural falta de capacidade técnica ou financeira.

Fico com a impressão de que este elenco municipal tem outro tipo de ambição. A outro nível. Se, por um lado, é evidente a utilização dos cargos para se dar o salto para patamares superiores do poder, por outro, gere-se uma Câmara com a ambição de quem gere uma Junta. O resultado está à vista e a questão da poda das árvores é, para o caso, só um exemplo. Claro que poderia falar da recente guerra da transferência de verbas ao abrigo da delegação de competências em que fica bem claro que, para a Câmara, esta é uma luta de igual para igual. Infelizmente, a edilidade prefere estar em permanente guerrilha com as Juntas de Freguesia do concelho em vez de se juntar a elas, unir esforços, e bater o pé perante o Governo Regional e da República como seria de esperar de uma vereação responsável e que coloca os interesses do Município à frente das suas ambições pessoais e partidárias.

Quanto a nós, os que por cá vão vivendo, esperamos, como é o nosso costume. Não exigimos, como é o nosso hábito.

Publicado na edição de hoje do Diário Insular.

A fotografia foi retirada da página oficial da autarquia.

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