vamos agarrar 2019

Continuamos sem saber o que queremos, continuamos sem saber quem somos. Por isso, definir quem somos e que destino será o nosso deverá ser a prioridade para o ano de 2019. Esta deverá ser uma discussão que tem de ser feita da forma mais alargada possível para que se desenhe um programa de intervenção profunda que devolva à cidade uma alma que, tenho esperança, não se perdeu, mas tão só está adormecida.

Para isso, é preciso fazer-se um debate amplo e descomplexado em que o foco seja a cidade e não a promoção de pessoas, empresas ou organizações. Um debate que comece por iniciativas à porta fechada com grupos de trabalho especializados em diversas áreas com o objetivo de se criar cidade, de se fazer cidade e definir-se uma identidade.

Pese embora a sua importância, a discussão não pode resumir-se ao trânsito, aos lugares de estacionamento ou aos parquímetros, nem sequer à abertura ou encerramento de ruas. Não podem existir vacas sagradas. Nada é imutável. Há que ser politicamente incorreto, provocar discussão, e não ter medo de enfrentar aquilo que sempre achámos ser a verdade ou mexer no que sempre, para nós e para a nossa curta memória que nos atraiçoa, foi de determinada forma porque assim sempre conhecemos. Não há que ter medo de questionar. E se fosse diferente? E se em vez de branco fosse preto? E se em vez de estar aberto estivesse fechado? E se? E se?

Um exemplo: Terceira Tech Island. Um projeto em que acredito e que poderá ser um motor de desenvolvimento da cidade e do concelho. Tem criado emprego qualificado e ocupado espaços devolutos e degradados do centro da cidade. A Praia já tem outra dinâmica. Veem-se novas caras nos cafés e algumas lojas ganharam vida. Ótimo! Contudo, daqui por um ou dois anos, as empresas tecnológicas que agora se instalaram na Praia – concretamente na rua de Jesus – vão ser transferidas para as casas dos americanos junto à Base. Resultado, os empregos irão manter-se ou, preferencialmente, aumentar, mas os espaços da rua de Jesus vão voltar a ficar vazios. O que fazer a seguir? Aí está algo que tem que começar a ser pensado e preparado.

Queremos ser o quê? Uma cidade tecnológica? A cidade dos livros? Uma cidade mar? Uma terra que aposta forte no turismo? Na cultura? Um hub marítimo? Seja qual for o nosso objetivo – e poderá ser qualquer um destes – temos que saber qual é e, em função disso, traçar um rumo e delinear uma estratégia séria e arrojada para que esse objetivo possa ser atingido.

Acima de tudo temos que ser diferentes e não estarmos constantemente a copiar ou a repetir o que os outros fazem. Enquanto não soubermos o que nos distingue dos demais, iremos continuar a marcar passo e ficar eternamente à espera que alguém venha resolver os nossos problemas e dizer-nos o que fazer. Tem sido isso que temos feito, tem sido isso que continuamos a fazer e ainda não percebemos que enquanto não formos nós a agarrar o futuro com as nossas próprias mãos, a Praia não passará daquilo que é. Claro que esse pode também ser um caminho. A opção é nossa.

Votos de um bom ano de 2019!

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