cidade amiga das crianças

Em junho de 2006, por ocasião das comemorações do Dia Mundial da Criança, a Câmara Municipal da Praia da Vitória anunciava a criação de uma Assembleia Municipal das Crianças cuja primeira sessão se veio a realizar em fevereiro do ano seguinte. Não me recordo quantas sessões ocorreram, mas não terão sido mais que três. Com essa iniciativa, a autarquia procurava envolver os mais novos na definição dos destinos do concelho e educá-los para a participação cívica. Objetivos nobres, tenho que admitir.

Serve esta nota “histórica” para demonstrar que não basta existirem boas ideias e haver boa vontade. É preciso insistir, persistir e colocar as ideias em prática.

A cidade da Praia reúne excelentes condições para se tornar uma cidade amiga das crianças. Tem a dimensão certa e, à sua disposição, também possui equipamentos que, atualmente subaproveitados, têm tudo para, também eles, serem amigos das crianças.

Para isso, as políticas municipais terão de ser pensadas com o objetivo de integrarem os mais novos, envolvendo-os e criando dinâmicas permanentes para que estes sintam a cidade como sua, habituando-se a frequentá-la, a gostarem dela e a pensarem-na como se da sua própria casa se tratasse.

Sempre tenho defendido a criação de um parque infantil no centro da cidade. O que existe, no paul, há muito que precisa de manutenção. Também tenho defendido a existência de uma escola o mais próximo possível dos Paços do Concelho. Dizem que sou louco ao defender isso. A verdade é que um equipamento educativo, traria para a cidade os mais pequenos e com eles os mais velhos. É sempre assim. Faz parte da dinâmica social e familiar. Ao dizer “escola” não é necessariamente uma escola do primeiro ou segundo ciclo ou até mesmo um jardim de infância. Porque não um espaço dedicado a atividades lúdicas, de ensino de artes plásticas, de música ou performativas? Uma escola de ofícios com particular enfoque nas diversas vertentes do artesanato?

A cidade, a custo, diz que tem uma biblioteca. Diz que a tem, porque sim. Uma biblioteca no século XXI não é um quarto a abarrotar de estantes com livros por entre as quais mal se consegue respirar quanto mais circular. A cidade de Nemésio precisa de uma biblioteca dinâmica multifunções. Aberta ao mundo e polarizadora de atividades. Veja-se o que se passa em Angra… a biblioteca tornou-se parte integrante da dinâmica cultural da cidade.

As ações direcionadas para as crianças não podem ser a exceção na atividade municipal com eventos calendarizados em função de festas ou do calendário consumista. Menos ainda devem ser ações que visem encher calendário ou espaços que de outra forma estariam vazios. Tal pode ser entendido como “usar” as crianças. É condenável. Não só para os mais novos, mas também para os mais velhos que, bastas vezes, são transformados em figurantes de ocasião de baixo custo.

A iniciativa promovida em 2006 deverá ser retomada. As crianças do concelho deverão voltar a ser chamadas a dar a sua opinião sobre as mais diversas matérias e a apresentarem as suas propostas. Apesar da tenra idade e da reduzida estatura, os seus anseios e desejos não têm menos valor que os dos mais velhos. Antes pelo contrário, têm a vantagem e o mérito de não estarem contaminados com preconceitos e inseguranças de adulto.

A Praia deverá transformar-se numa cidade amiga das crianças em que estas deverão ser parte integrante da sua vivência. O futuro é delas. O da Praia, também.

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