fazem-me falta as causas

Fazem-me falta as causas. Talvez por isso, ainda não tenha decidido em quem vou votar no próximo domingo. No entanto, tenho uma única certeza, vou votar e não será em branco. As campanhas eleitorais deixaram de ser esclarecedoras, pelo menos a dos maiores partidos, aqueles que com maior facilidade, força e frequência nos entram pela casa dentro. São folclore, reality-show ou programa televisivo da manhã onde tudo vale para ganhar audiências e atenção para a forma, enquanto o conteúdo se desvanece, tal é a sua fragilidade e inconsistência que se baseia na intriga, no diz-que-disse, no popularucho ou no puxar de galões passados e presentes tantas vezes de veracidade questionável. Parece que ainda não perceberam que não é isso que os eleitores querem, que não é isso que os abstencionistas e desiludidos pretendem ouvir e que é isso que tem feito com que, por toda a Europa, as pessoas tenham deixado de acreditar no sistema, nos partidos tradicionais e nos políticos. O resultado já é bastante evidente e abre caminho ao extremismo que, bem ou mal, vai defendendo alguma coisa, por muito abjeta que essa coisa seja. 

Sábado, se São Pedro assim o permitir, os meninos e meninas que frequentam as creches, jardins de infância e ATL’s da Santa Casa da Misericórdia da Praia da Vitória vão participar numa ação de sensibilização de limpeza da Prainha da nossa cidade. Por causa do tempo, a iniciativa já foi adiada uma vez. A sua ação será uma gota no oceano ou um grão de areia no processo de combate às alterações climáticas e à manutenção da saúde dos ecossistemas e do nosso planeta. A luta contra a poluição, designadamente o “lixo de plástico”, pode parecer à partida uma batalha sem glória. Muitos negam-na. Muitos ignoram-na deliberadamente. A realidade é que esta é uma guerra que vale a pena travar e abster-se aqui também não é solução. Por isso, amanhã, pelos meus filhos e por causa deles, lá estarei para dar o meu contributo para que este planeta, o único que temos, se aguente habitável por muitos e largos séculos.

Vivemos fechados na nossa bolha, no nosso pequeno mundo e ignoramos muitas vezes o que se passa à nossa volta. Fazemos dos nossos problemas individuais o centro das preocupações do Universo e a única razão para lutar ou desistir. Fui Imperador do Espírito Santo já por duas vezes. Para os que conhecem a tradição, sabem que uma das suas tarefas, principalmente quando há promessa, consiste na distribuição de esmolas por quem o responsável da Função entender. Procurei sempre distribuí-las a crianças pertencentes a famílias com graves problemas sociais e financeiros. Não conhecia muitas e pedi ajuda. Abriu-se-me todo um mundo que desconhecia. Na terra onde vivo, bem próximo da minha porta, existem pessoas que passam fome, que não têm o que comer e vivem dependentes da boa-vontade dos outros, muitas vezes com vergonha e parecendo estarem bem de vida.

Neste fim-de-semana, o Banco Alimentar Contra a Fome vai realizar a sua campanha semestral de recolha de alimentos pelas superfícies comerciais de todo o país, ilha Terceira incluída. Esta será a terceira vez que participo numa campanha desta natureza, a primeira vez com a Cáritas e depois com o Banco Alimentar. Serão cerca de duas horas, à porta de um supermercado a dar sacos de papel e a recolher aquilo que as pessoas querem e podem dar. As pernas, ao fim desse tempo de pé, ficam cansadas, mas depois vou para casa com a satisfação de que aqueles pacotes de arroz, aquelas caixas de leite ou aquelas latas de atum vão servir para alimentar alguém que precisa, nem que seja só uma refeição. É um ato de egoísmo? É. Mas sabe bem e ajuda quem precisa.

Entre uma atividade e outra, pela primeira vez, vou ler programas eleitorais de partidos que não os ditos grandes. Quero saber o que essa gente pensa e perceber o que os levou a ter a coragem e o trabalho para se meterem em tamanha empreitada. Algo me diz que ficarei surpreendido. Espero não me desiludir.

Sábado será um verdadeiro dia de reflexão. Domingo, exercerei, como sempre, o meu direito de cidadão. Ficar em casa não pode ser opção. É o futuro da Europa que está em jogo. É o nosso futuro que está em causa. O futuro dos meus filhos. O futuro dos vossos filhos.

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