Até se ouvem as galinhas cacarejar no Parque Industrial das Lajes

Sem ser um desportista, nem usar fato de licra, de quando em vez gosto de dar uns passeios de bicicleta. As viagens não são muito longas. Não tenho pernas para isso. Fico-me pelas redondezas.

A estrada da pista, local de excelência para os passeios de sedentários como eu, é o meu trajeto de eleição. Com vista para a base e para o campo de aviação, traz-me à memória os meus tempos de adolescente quando vivia no outro lado da rede, para lá do Posto Um.

Por vezes, um ou outro avião aterra ou levanta voo. Longe vai a época em que havia congestionamento de tráfego aéreo, particularmente militar. Se o passeio for feito ao final do dia, a paisagem torna-se monótona. De manhã é mais bonito… tem o sol a nascer… os passarinhos a cantar… os homens a amanhar as terras… a bucólica paisagem campestre do Ramo Grande, agora sem searas de trigo.

Procuro outras paragens. E já que estamos em maré de Ramo Grande, cruzo a estrada regional, percorro uns metros na canada das vinhas, passo em frente à padaria das Lajes e entro pela rua que ostenta o nome do dito Ramo. Larga, espaçosa, ladeada por matos que outrora foram vinhas, dá-nos a sensação de estarmos no meio da natureza, amigos do ambiente, a percorrer trilhos, muito ecológicos e sustentáveis.

À esquerda, uma casa de pedra. Um palheiro. Imediatamente ao lado, uma canada com piso em terra e bagacina. A bicicleta começa aos saltos. Um teste à suspensão. Dou por mim a pensar que não trouxe as joelheiras, as cotoveleiras ou o capacete. Bem, também não podia trazer nada disso, mesmo que me tivesse lembrado. Primeiro teria que ter comprado o equipamento. Isto de querer ser um radical de fim de tarde tem o que se lhe diga.

Canada a fora e, de relance, dou uma espreitadela ao monumento que assinala o desastre aéreo do final dos anos setenta do século passado, envolvendo um avião venezuelano que não transportava Maduro. Não constituiu novidade. Já por diversas vezes por ali tinha passado.

A surpresa deu-se uns metros mais adiante. Não sabia que a portaria do Parque Industrial das Lajes já estava pronta. Fiquei impressionado. E já não me impressiono assim à primeira. Quis conhecer a infraestrutura. Finalmente! As Lajes já há muitos anos que esperava por tamanho investimento.

O senhor da portaria, naquele zelo habitual que quem tem um pequeno poder, mas que o quer exercer em toda a sua prepotência e arrogância, não me deixou passar. Além disso, não levava os meus documentos identificativos. Não tive outro remédio senão resignar-me e ficar do lado de fora.

Montado na bicicleta, circulei o parque em todo o seu perímetro, espreitando por entre a vedação e as árvores de copa larga que embelezam o espaço público por entre as fábricas, as oficinas e os armazéns que ali se instalaram. Por deficiência profissional, não pude deixar de reparar, no entanto, num pequeno grande detalhe: a qualidade urbanística e a beleza arquitetónica no edificado. Não sei como o conseguiram, nem quem concebeu tamanha maravilha. Confunde-se com a envolvente ao ponto de parecer que não tem lá nada. Mas tem. Perfeito. Até se ouvem as galinhas a cacarejar.

Nota: A imagem que ilustra este texto, eu sei, não corresponde ao parque industrial/empresarial das Lajes. Contudo, na página investinpraiadavitoria.com é desta forma que é promovido.

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