quando se ama a Praia

Na sexta-feira à noite, quando acabava de jantar pela primeira vez na Feira de Gastronomia deste ano e me preparava para fazer o pagamento, numa conversa de circunstância com o proprietário do restaurante, falámos sobre a perspetiva de sucesso da feira nestas festas. Esperava que fosse melhor do que a do ano passado, é a sua vontade. Pede-me a minha opinião: quais as suas perspetivas? Boa pergunta, pensei eu.

Realmente, o que faz com que, antes de começar, se possa prever que uma feira ou uma festa possa ser boa ou má? O programa? Os artistas convidados? Pensei rápido e respondi-lhe: amanhã já lhe digo. Como assim? Reage surpreso o meu interlocutor. Sabe uma coisa, se o cortejo de abertura for bom, as pessoas vêm à festa e toda a gente falará bem dela. Se o cortejo não prestar, o resto até pode ser uma maravilha, mas as festas serão sempre faladas como tendo sido más. Olhou para mim com estranheza e disse: é capaz de ter razão, lembro-me bem o que aconteceu no ano passado.

Quando escrevo este artigo, a festa ainda nem vai a meio, mas a minha teoria, mesmo com a chuva e o adiamento da corrida de toiros, parece comprovada. Depois de sábado à noite, o espírito é outro.

O cortejo de abertura foi muito bom. Recuperou-se a alma destas festas. Recuperou-se o orgulho praiense. Nós, os que vivemos deste lado da ilha, andávamos meio cabisbaixos com esta coisa dos festejos concelhios. Levámos um ano à espera deste dia, angustiados, na expectativa e na esperança de que o enguiço se quebrasse.

Agora, graças a Santa Cruz, à Santa do Facho e à Santa Madalena do Pico, quebrou-se o feitiço.

Não é daqui natural, mas adotou esta terra como sendo sua. Gosta da Praia e faz tudo para que a nossa cidade cresça culturalmente, seja grande e não desista de si própria. A Madalena entregou-se a este projeto como se fosse a sua vida. Aliás, é sempre assim em tudo por onde passa. Ama esta cidade e, quando se ama de verdade, faz-se tudo. Dá-se tudo e o resultado está à vista.

Se gostamos da nossa terra, como dizemos que gostamos, mesmo com os seus defeitos e que tantas vezes é madrasta, não podemos desistir. Antes pelo contrário. Devemo-nos empenhar arduamente para que a cidade não morra, para que se desenvolva e ocupe o espaço que lhe é devido e merece. Este cortejo de abertura é disso um exemplo.

A Madalena Pereira devolveu à Praia o seu orgulho. Obrigado Madalena!

Antes de terminar, uma nota final para o Luís Bettencourt. Infelizmente, por questões de ordem familiar, não pude estar presente no Auditório do Ramo Grande no domingo à noite. Contudo, pelo que fui vendo nas redes sociais, pelos comentários que me têm chegado, o que ali aconteceu foi um sucesso e dizem-me que perdi um dos maiores eventos culturais que alguma vez se fez nas Festas da Praia. Paciência. Há de ficar para uma próxima. Não quero ser repetitivo, mas repito, quando se ama a Praia, tudo se faz por ela. O Luís Bettencourt é disso também um bom exemplo.

Não te vás embora Luís. A Praia precisa de ti! A Praia precisa de vós!

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