De quem é o 11 de agosto?

Quando, em 1991, a Câmara Municipal da Praia da Vitória criou as suas festas concelhias e as marcou para o mês de agosto, fê-lo com a intenção de as fazer coincidir com o dia 11 de agosto. Nesse dia, no ano de 1829, todos saberão, mas nunca é demais recordar, confrontaram-se na baía da Praia as forças de D. Miguel e de D. Pedro IV, dois irmãos, dois reis, que defendiam destinos opostos para o Reino de Portugal.

D. Pedro venceu e o liberalismo derrotou o absolutismo do Antigo Regime defendido pelos miguelistas. Ganhou a liberdade. Como consequência desse feito, a Praia para todo sempre será “da Vitória”… diz-se que Almeida Garrett foi o responsável.

Esse é o dia em que a Praia escreve, a letra de ouro, o seu nome nas páginas da história portuguesa.

Em 2004, a autarquia praiense entendeu dar ao 11 de agosto honras de feriado municipal. Afinal de contas este é o dia maior da nossa história. Devemos-lhe o nome e a estátua da Praça Francisco Ornelas da Câmara. A data estará para o século XIX como o 25 de abril está para a atualidade. Na Praia nasceu a liberdade e nem fazemos caso disso.

Infelizmente, para nós, a data acaba por nos dizer pouco. É mais um feriado que, sendo em agosto, até nem dá jeito nenhum e, este ano, calhou num domingo…

Em vinte e cinco edições de festas da Praia, só por cinco vezes não “conseguiram” incluir o 11 de agosto. E isso só aconteceu nos últimos dez anos. No próximo, em 2020, a data voltará a ficar de fora, apesar de ser uma terça-feira, o que facilmente se colaria ao fim-de-semana anterior. Bastaria para tal que começassem uns dias mais tarde. Além disso, se as reduzirmos dois ou três dias não vem daí nenhum mal ao mundo, antes pelo contrário, só que as questões políticas falam mais alto..

Julgo que tem havido um equívoco na calendarização das festas da Praia. Parte-se do princípio que terão de incluir o primeiro domingo de agosto e, obrigatoriamente, dois fins-de-semana. Não percebo porquê. Para além de não serem festas religiosas, a Praia ganharia em concentrar a sua atenção em menos dias, não dispersando recursos e dinheiro, aumentando a qualidade, sem se preocupar em “encher” programa. A concorrência é forte e estamos a perder os jovens e até os menos jovens. Basta ver a quantidade de pessoas da Terceira que se deslocaram a São Miguel.

Por tudo isso, as festas deveriam ser marcadas, isso sim, do fim para o princípio, de forma a que o 11 de agosto fosse o dia de encerramento. O próximo ano seria excelente para isso! As festas da Praia, para além da sua componente tradicional, tão nossa, tão Ramo Grande, poderiam concentrar no fim-de-semana imediatamente anterior a grande programação musical, numa espécie de festival de verão no areal da Praia ou, dou de barato, na tenda…

No encerramento, para além das habituais cerimónias militares matinais promovidas pela Liga dos Combatentes (um evento que é deles), celebrava-se a batalha de 11 de agosto de 1829 com um grandioso espetáculo noturno tecnológico que até poderia ter fogo-de-artifício.

Esse é um dia que é nosso e que queremos partilhar com todos, com os de cá, com os de lá, com os de todas as ilhas, com os de todo o mundo, com os mais velhos, com os do meio e com as novas gerações.

Não nos deixemos ficar para trás. Não basta sermos o Silicon Valley dos Açores dentro de quatro paredes, é preciso que o sejamos na rua e também nas nossas festas concelhias.

8 pensamentos sobre “De quem é o 11 de agosto?

  1. Concordo com a proposta. Quanto ao termos esquecido a importância do 11 de agosto, o mesmo está a acontecer com a importância do 25 de abril (ou o 25 de novembro), infelizmente…

    Gostar

    1. Os feriados tornaram-se dias sem outro significado que não seja o descanso. Penso que as festas da Praia poderiam dar um excelente contributo na parte que nos compete. Obrigado

      Gostar

  2. Gostei do texto e da ideia. Explica-me apenas o que isso do Silicon Valley dos Açores dentro de quatro paredes? Já estou fora da ilha há 9 anos e vou perdendo grande parte das notícias. Um abraço.

    Gostar

      1. Acredito. Como tudo, pode correr mal. Mas, pelo menos, estão a ser formadas pessoas e a criarem-se empregos bem pagos. Há que dar o benefício da dúvida. Pode ser ingenuidade minha…

        Gostar

  3. O evento da Liga dos Combatentes é de todos ou devia ser …
    Infelizmente os valores tem-se perdido ao longo do tempo e a tendência é cair no esquecimento.
    Já há muito que deixamos de ser um povo orgulhoso das suas raízes.

    Gostar

    1. Sim, deveria ser um evento de todos e para todos. Quanto ao orgulho das raízes, vai havendo algum, mas selecionado com detalhe.

      Gostar

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google photo

Está a comentar usando a sua conta Google Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s