Há lá melhor lugar que as Quatro Ribeiras para descansar?!

Subir a interminável escadaria com uma criança de três anos ao colo, a mochila e demais apetrechos para entreter os infantes nos intervalos entre banhos não é trabalho fácil. Não só pela dificuldade em arrumar tudo entre os meus dois únicos braços mas, sobretudo, porque os músculos das pernas, fragilizados pelas horas de ócio sentado em frente ao computador ou deitado em frente à televisão, vão dando sinais de sofrimento, violentados pelo abuso de esforço.

É o regresso.

A rotina matinal é a habitual da casa de origem, só que condimentada com a escassez de espaço, a ausência de desenhos animados ou a falta de alguns ingredientes culinários que inviabilizam um pequeno-almoço semelhante ao dos outros dias.

A vantagem é que tudo é menos formal. Não que em casa o rigor seja militar ou os meninos sejam educados por uma preceptora alemã ou uma nani britânica. Não. A roupa para se vestir é uma qualquer, e que até pode ser a mesma camisa ou os mesmos calções que serviram de pijama. O cabelo anda mais desgrenhado e as limpezas mais aligeiradas.

Em todo o caso, algumas rotinas não se alteram. O fato-de-banho não pode ser um qualquer. Se hoje apetece vestir o da Minie é o da Minie que tem de ir a banhos. Se for o da Skye, pois lá terá de ser a cadelinha cor-de-rosa da Patrulha Pata a sacrificada.

Para ele, tudo é mais simples. Ou assim parece.

Nem sandálias, nem sapatilhas, nem chinelos. Bom bom é ir descalço. Com os pés diretamente sobre a pedra solta forrada de ervas daninhas com pequenos picos que arranham a canela e magoam a sola dos pés, as pedrinhas mais pequenas metem-se por entre os dedos. Nenhum queixume. Não vá a mãe obrigá-lo a calçar-se.

A viagem não é grande. Mas a vontade de comer um gelado assim que chegarem lá abaixo é enorme. Apesar da dimensão do pequeno bar, é grande a variedade da oferta. Muitas indecisões e algumas cedências. É duro o processo de tomada de decisão. Escolher de entre os possíveis. Ficar a ver qual a escolha do irmão. Ponderar se ele fez uma melhor opção. Perceber se quando ele acabar ainda lhe vai dar tempo para me roubar o meu… decidir. Cai quase sempre no mesmo.

É hora de ir a banhos. Braçadeiras. A água está morna e sem caravelas. Aquece com facilidade. Não me perguntem se é do Sol ou se depende de algum tipo de aditivo natural produzido pelas próprias crianças. A verdade é que está quente.

O tempo parece parar e passa rápido. Mais cedo do que queríamos, é hora de regressar.

Subidas as escadas e chegados a casa, qualquer coisa se arranja para o almoço. Temos tempo. Não há pressa. Enquanto a refeição se prepara, na rua, sob a pérgula coberta por uma videira sem uvas, os dinossauros voltam a ser reis e senhores da Terra. A brincadeira dura uma eternidade. Os repteis falam, envolvem-se em duras lutas sangrentas, mas raramente morrem. Quando imprevisivelmente tal acontece, rapidamente ressuscitam e regressam para mais uma batalha.

O almoço faz-se na rua. A comida nem sempre é do seu agrado, o que provoca alguma tensão e faz elevar os níveis da gritaria. É uma questão de tempo até se voltar a ouvir em exclusivo o som da água a correr na ribeira. Há lá melhor lugar do que este para se almoçar na rua?

A tarde é de descanso. Eles fazem pinturas nas pedras trazidas do mar e os pais dedicam-se à leitura. Silêncio.

A internet é fraca e quase não há rede de telemóvel… perfeito!

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