isto não é o SimCity

Com o alto patrocínio da Vice-Presidência do Governo, têm-se instalado na Praia da Vitória, ocupando espaços devolutos da rua de Jesus, empresas tecnológicas que, com o seu contributo, pretendem alterar radicalmente a cidade e o seu percurso de desenvolvimento, agora tentando ser o caminho do progresso.

Os anúncios vão-se multiplicando e o entusiasmo aumenta no seio dos promotores ou, no caso concreto, daqueles que se vão fazendo passar por tal. A vantagem disso é que esta ânsia de inovar se torna contagiante e, na cidade, muitas serão as empresas e instituições que procuram acompanhar o comboio do progresso, mesmo que nunca tenham visto nenhum, a não ser na televisão ou no cinema.

Imbuídos deste espírito, transforma-se o burgo num gigantesco simulador semelhante àqueles em que o jogador veste a pele de um presidente de câmara e tenta a todo custo construir e desenvolver uma cidade. Esses jogos virtuais têm uma grande vantagem relativamente à realidade: podem ser feitas experiências a custo zero. 

É possível abrirem-se ou fecharem-se estradas sempre que o “mayor” assim o entender. É possível construírem-se ou demolirem-se edifícios sem que haja necessidade de se cumprirem regras ou leis. É possível instalarem-se parque infantis para bebés para removê-los a seguir se se verificar que o primeiro foi uma asneira. É possível contraírem-se empréstimos nas condições que a banca quiser porque, assim com’assim, alguém há de pagar nem que para tal se tenha de aumentar a fatura da água.

A fantasia dos simuladores faz dos seus jogadores seres imortais e impunes à crítica. Sem redes sociais, fazem o que querem e como querem. Sem pessoas com opinião, vivem à solta. Sem poderosos, não têm de se rebaixar a eles, fazendo e aceitando tudo quanto eles queiram ou exigem. Sem internet, não têm que tornar públicos relatórios de contas nem serem transparentes. Era fantástico que uma cidade pudesse ser gerida desta forma…

Vistas bem as coisas, o projeto Terceira Tech Island não poderia ser desenvolvido noutra cidade que não a Praia. Sérgio Ávila tem-se revelado um governante com visão. Cedo percebeu que, num mundo de faz-de-conta, o mais importante é entrar no jogo como se aquilo que lá se passa fosse verdade. Confundir a realidade com o mundo virtual é o segredo para se ser bem sucedido nos jogos de estratégia e simulação.

Infelizmente, o mundo e a gestão autárquica, não são simuladores, laboratórios ou tubos de ensaio. São mundo real. Um mundo onde existem pessoas e onde o dinheiro sai do bolso dos munícipes. Um mundo onde as experiências têm um preço e consequências para a vida dos cidadãos e das empresas.

No SimCity, quando o dinheiro acaba, é sempre possível reiniciar o jogo e começar de novo sem que ninguém passe por dificuldades. O “mayor” de serviço só ficará chateado porque não superou o seu record pessoal ou não atingiu os objetivos exigidos. Se estivermos a falar de gente saudável, nada de grave se passará.

A realidade, contudo, não é o SimCity.

Nota: a imagem acima apresentada é uma captura de tela da página da Praia Ambiente, E.M. efetuada esta manhã. Como podem verificar, só estão disponíveis para consulta do comum do cidadão os documentos relativos aos anos de 2014, 15 e 16. Eu procurava o que já existiria deste ano de 2019… haverá alguma surpresa?

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