Entre a incapacidade e a incoerência

1. Quando a Câmara de Angra propõe à Praia a realização partilhada de um evento com sucesso comprovado, a Câmara da Praia borrega.

Foi o que aconteceu esta semana com o cancelamento dos Jogos Intermunicipais que, este ano, deveriam ser realizados neste lado da ilha. A autarquia alega que não houve interesse por parte das Juntas de Freguesia em participar. Como poderiam fazê-lo se a informação só chegou oito dias antes do prazo limite de inscrição para o evento que se realizaria dois dias depois? Como poderiam fazê-lo se o regulamento era de tal forma vago e incompleto – comparado com o do ano anterior – ficando as mesmas sem saber muito bem ao que iam?

Eu arrisco dizer que não houve interesse por parte da Câmara da Praia em que elas participassem. O convite só foi enviado às Juntas de Freguesia no dia 11 de setembro. Os jogos realizavam-se a 21. Porque não se empenhou autarquia na sua realização?

Os Jogos Intermunicipais são uma espécie de Jogos Sem Fronteiras que começaram por ser simplesmente “Municipais” organizados pela Câmara de Angra ao longo de 16 edições. Com o sucesso alcançado, Angra propôs à Praia que se alargassem a toda a ilha, passando a intermunicipais e realizados alternadamente entre os dois concelhos.

Este, seria o ano em que a Praia organizaria o evento. Não conseguiu. Não esteve à altura. O que é incompreensível, porque teria dado excelentes fotografias para as redes sociais com o presidente em primeiro plano, bem ao jeito do estilo de governação digital e virtual a que nos tem habituado.

Ninguém sabe ao certo o que se passou. Para além do referido anteriormente, ninguém percebe o súbito desinteresse manifestado pelas freguesias.

Sabemos que 21 dos colaboradores do Município estiveram a preparar e depois a acompanhar o executivo na “visita de estado” ao Município de Santa Cruz da Graciosa. Sabemos também que alguém teve de ficar com a hercúlea tarefa de preparar os frangos para o churrasco em Santa Rita. No entanto, isto não invalida que se encontrasse um ou dois colaboradores da Câmara disponíveis para fazer o trabalho de promoção e motivação. Se é possível arranjar gente para encher salas em comícios, inaugurações e jantares…

2. No concelho em que se aposta na inovação e nas novas tecnologias digitais como motores de desenvolvimento, vive-se num poço de contradições e incoerências onde quem perde é a cidade e o que dela se quer transmitir.

Durante as festas da Praia elegeu-se como foco a sustentabilidade ambiental do concelho, tendo-se já anunciado para o próximo ano um cortejo dedicado ao tema. Plantaram-se árvores e apelou-se à reciclagem e à reutilização de resíduos.

Agora a autarquia faz uma aposta na mobilidade reintroduzindo no concelho um circuito de minibuses que servirá as escolas e o aeroporto, ligando-o à cidade. O que não se compreende é o facto de este autocarro ser movido a partir do consumo de combustíveis fósseis em vez de se aproveitar a oportunidade para se aderir à mobilidade elétrica como seria de esperar num concelho que se diz empenhado na implementação das melhores práticas ambientais.

Espera-se, que para bem da coerência, esta situação seja corrigida rapidamente, até porque já existem postos de abastecimento junto ao aeroporto.

Já agora, ficamos todos a aguardar pelo cortejo do ambiente das próximas festas, na expectativa de que os carros que o integrarão sejam movidos a eletricidade ou a pedal.

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