Vinte vinte.

Chamam-lhes loucos, aos do século XX. Depois da Grande Guerra, o mundo, a humanidade, quis libertar-se. Tinham caído os grandes impérios, acabara de se erguer o comunismo soviético.

São os anos do jazz, da art déco, de Walt Disney, de Mickey Mouse, do avião, de Gago Coutinho, da televisão e da explosão do telefone e da eletricidade. É o tempo de Picasso, Miró, Duchamp e Dali. Foi a década de Chanel e de Josephine Baker.

A grande depressão. O Estado Novo.

Neste ambiente de loucura, o mundo caminhava para o abismo. Não que a revolução cultural destes anos de mil novecentos e vinte tivesse disso alguma culpa. A década seguinte culminaria na Segunda Guerra Mundial e no holocausto.

Foi nos loucos anos vinte que a Europa viu nascer os regimes totalitários de extrema-direita que procuravam dar uma resposta à ameaça do rápido crescimento do socialismo de inspiração soviética. Nazismo, comunismo e fascismo parecem, por isso, andar de mãos dadas, sendo uns o reverso do outro. Mudam as cores, mudam os protagonistas, as moscas, mas, no fundo, a realidade é mesma. Os extremos tocam-se. Sempre assim foi.

Foi o tempo de Sergei Eisenstein, Luís Buñuel e George Gershwin. Também o de Fernando Pessoa, Amadeu de Souza-Cardoso e Almada Negreiros.

Depois dos horrores e da mortandade da Grande Guerra, que mais tarde seria rebatizada como sendo a 1ª Guerra Mundial, o número de mulheres ultrapassou em grande quantidade o de homens e isso teve consequências. Operou-se uma espécie de revolução sexual, longe da dos anos 60, mas ainda assim bastante importante, principalmente na aquisição de direitos e na forma de vestir. Usar o cabelo curto, andar de bicicleta, conduzir um automóvel ou fumar constituíram grandes conquistas que, hoje, à distância de um século, podem parecer detalhes. A verdade é que ninguém, em 2020, lhe passaria pela cabeça impedir uma mulher de usar o cabelo curto, conduzir um carro ou fumar. Se bem que fumar…

Construiu-se o Chrysler Building em Nova Iorque. Foi a década da Bahaus, de Le Corbusier e de Frank Lloyd Wright.

Surgiram os movimentos feministas. Foram criadas a máquina de lavar roupa e o aspirador.

Os anos 20 do século XX foram revolucionários ao nível das mentalidades, da cultura e da vida social. As mulheres conquistaram direitos e liberdades e os movimentos culturais do pós-guerra abriram caminho à arte sem espartilho.

Terminaram com o crash da bolsa de Nova Iorque.

Foram tudo menos conservadores. O mundo deu um salto em frente.

Um pensamento sobre “Vinte vinte.

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