Com papas e bolos…

Da última vez em que se falou no assunto, até parecia que era a sério. Finalmente! Finalmente havia uma solução. Pelo menos, parte dela. Alguém tinha conseguido. Era uma luz ao fundo do túnel que ia tomando forma, se tornava mais clara e se aproximava.

Contudo, volvidos que são quase dois anos… nada! Não passou de mais um anúncio bem ao jeito do “agora é que é!”. Mais um anúncio ludibrioso que tenta comer-nos por tolos, só faltando as papas e os bolos. Verdade seja dita que não é a primeira vez que isso acontece, mesmo em relação a este assunto. E nós? Deixamo-nos levar, parecendo que até gostamos. Bate-me que eu gosto. Triste, mas verdadeiro.

A 31 de março de 2017, ainda no tempo do outro senhor, assinou-se o protocolo, com direito a fotografia, em que se cedia um edifício na Praça Francisco Ornelas para aí se instalar o serviço de finanças da Praia. Estávamos a poucos meses das eleições autárquicas desse ano, e o edil de então, numa espécie de “sem mim, o caos”, anunciou à cidade e ao mundo que “o processo de reinstalação estaria concluído até ao final do ano ou no primeiro trimestre de 2018”.

Corre, entretanto, o primeiro trimestre de 2020. No caminho, já a porca comeu a SPRHI, ainda depois do sol de pouca dura que foi a instalação na Praia de uma direção regional. No caso, a das dependências. Tão a propósito… Os edifícios da praça ficaram devolutos. Já deram lugar a casa do Pai Natal, a presépio, a casa de horrores e a posto de venda de bilhetes e informações festivas. By the way, ao que consta, quando este local de venda de bilhetes abre, ainda a tenda está vazia. Parece que em outras situações, assim que a bilheteira on-line fica disponível, metade dos ingressos já se esfumaram sem se saber muito bem quando terão sido vendidos. Depois, no auditório, percebe-se quem foram os felizes contemplados. Claro, não podia ser de outra forma. Bem, é o que dizem que eu, quando quero, continuo a preferir ir ver bailinhos para uma sociedade a cheirar a bifanas, a cheirar a pessoas, infestada de vírus da gripe, carregado de casacos e cachecol amarrado à volta do pescoço, mesmo que ninguém tenha dado por isso que lá estive. Carnaval também é isto…

Mas voltando ao tema do assunto. Este ano há eleições regionais. Virão certamente mais anúncios, mais fotografias, mais promessas, mais gás natural, mais descontaminação, mais cruzeiros, mais, mais, mais. Tempo de fartura. Até lá, os edifícios da praça estão no estado deplorável em que estão e com ares de fechados e abandonados, mesmo que não o estejam. Um deles terá sido inclusivamente proposto para compra. Alguém quis lá instalar um estabelecimento hoteleiro, mas quem manda na Praia não deixou que fosse vendido. Refiro-me, obviamente, ao presidente da câmara. Teria sido uma oportunidade para revitalizar o centro histórico. Outros valores se alevantam!!

Ficamos à espera, olhando para as fotografias das promessas como quem venera uma daquelas pagelas de santinhos na esperança de que eles nos concedam uma graça. E nós, na caixa das esmolas, lá vamos depositando, a cada quatro anos, uma moedinha, o voto. Há quem insista no santo… e o santo, de mão bem fechada, ri-se e governa-se. Quanto ao resto, quanto às nossas preces, o melhor é ir bater a outra porta que esta já deu o que tinha a dar.

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