A minha é maior que a tua.

Quem não consegue mandar numa capelinha cria a sua própria enxameando o ecossistema de pequenos grupos que mais valia não existirem, por nada acrescentarem, aumentando entropia e dispersão de recursos e força. Distrai. Divide. No limite, cada um de nos é rei da sua capelinha individual que ao não estar disponível para integrar nenhuma das oficiais ou clandestina com pretensões a catedral se torna um proscrito incómodo atolando-se na aparente falta de interesse quase displicente.

Que esta é uma terra de capelinhas e que disso gostamos, e muito, é algo que não surpreende. Elas proliferam que nem aranhas amarelas em agosto. As teias têm aparência indestrutível e o aranhiço de aspeto bizarro e medonho e ameaçador coloca-se ao centro sem mais ninguém sobrevivendo à custa das moscas que se enganam no cheiro acabando presas numa armadilha de onde só restará a carapaça. A ilusão da solidez consegue a proeza de captar uma ou outra abelha apesar de mais disciplinada e inteligente. Quando dá por si já é tarde e não passa de uma mosca que gosta de pólen.

Depois do bom tempo a aranha fecha-se no seu resistente e intransponível casulo na esperança da eclosão do estio seguinte. Vêm chuvas, vêm ventos, vêm temporais aos centos. Agonizam. Estrafegam-se. Afogam-se. Insistem.

Formam-se novas capelinhas cada qual com seu líder a liderar-se, liderando fiéis de outros a quem também juram lealdade. Esfumam-se outras. Sumam-se. Replicam-se. Distinguem-se pelo santo que ocupa o altar. Ignora-se a capela. Importa o altar e a caixa de esmolas.

Vivem fechadas em si alimentando-se num sistema de autofagia à voz de comando. Os mais incapazes aceitam tudo e tudo dão na expectativa inglória de um lugar à mesa do chefe. Nem sempre o mais forte consegue. Quase nunca. Raramente. Esse é um lugar reservado ao mais manipulável e mais disponível a renegar santo e senha, pai e mãe. Há sempre um. Sempre haverá um que não dá o beijo ao chefe apalpando as partes aos companheiros, camaradas, amigos, compadres, confrades, concubinos, irmãos, irmãos de sangue, irmãos de outra coisa qualquer que aquilo que importa é continuarem a apoiar o líder daquela capelinha que não vê as outras.

Protegido por uma resistente membrana o casulo julga-se indestrutível. Vive de aparência e o conteúdo é uma incógnita afastando predadores. Limita-se à autoestimulação e ao voyeurismo dos demais se existem a baterem palmas amestradas. Por vezes criticam preferindo a acefalia a outra capelinha onde não corre o mel da abelha que vive rainha numa colmeia tida como promissora até à morte prematura.

Capelinhas sem catedral. Atraso crónico. Incapacidade. Cepa torta.

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